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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Conselheira sentimental


Afortunadamente, nunca sofri por amor. Tive, claro, aquelas paixõezinhas adolescentes não correspondidas; passei, claro, por momentos de dúvida e insegurança em meus relacionamentos; mas, sofrer, sofrer mesmo, com O Fino da Fossa girando na vitrola, nunca sofri.

Essa condição me deixa um tanto desconfortável diante de sofrimentos do tipo, pois, uma vez que nunca os vivi, fico sem saber como consolar e aconselhar. Mas por outro lado, também faz com que meus conselhos (quem consegue ficar sem dar um pitaco?!) tenham um outro peso, afinal, não é por acaso que nunca me meti em encrencas amorosas!

Só que dessa vez os “meus conselhos” não são meus, pois vou apenas transcrever e alinhavar partes de dois capítulos do livro – adivinha qual!? – Mulheres que correm com os lobos. Eu sou assim, quando encontro algo que adoro, quero que todo mundo conheça e fico até chata. E eu sei que por mais que eu fale “read the book, the only book”, muita gente não vai ler, então eu sigo para o passo 2 da estratégia, que é escrever sobre o tema. Here we go J

O livro, organizado em 15 capítulos, é quase que totalmente dedicado a assuntos específicos da natureza feminina, mas como “o parceiro” é um componente que influencia consideravelmente qualquer mulher, há um capítulo inteirinho dedicado exclusivamente a ele. O nome do capítulo é “O parceiro: a união com o outro – um hino para o Homem Selvagem” e começa assim:

Se as mulheres querem que os homens as conheçam, que eles realmente as conheçam, elas tem de lhes ensinar algo do seu conhecimento profundo. Algumas mulheres dizem que estão cansadas, que já se esforçaram demais nessa área. Sugiro humildemente que elas estiveram tentando ensinar um homem sem vontade de aprender. A maioria dos homens quer saber, quer aprender.

Não sei quanto a você, cara leitora, mas eu sempre senti que a “responsabilidade” de ensinar era minha. Os meninos estão lá, com aquele ar de criança na loja de doces esperando a mãe dar a largada. E nós somos a mãe, claro! Calma, não quero dizer que temos que ser mães deles, aliás as mulheres que exageram na dose de ensinar algo de seu conhecimento profundo, acabam virando mães e não é essa a ideia. Mas aqui entra a advertência recorrente de que não adianta “mandar pistas” para os homens. Temos que ser claras, temos que ser didáticas, temos que escrever em letras grandes e coloridas. E ainda por cima manter uma certa dose de mistério e sedução, pra não virar professora nem mãe. Complicado né? Mas quando a gente arruma um aluno aplicado é tããããão legal!!!

E aí entra você, caro leitor. Como anda sua vontade de aprender? Você já refletiu sobre essa estruturação de papeis? Você está aberto para receber o conhecimento profundo de uma mulher? Você está preparado para ajoelhar aos pés da deusa e contemplá-la?

O grande prejuízo dessas picuinhas de guerra dos sexos é fazer com que cada um queira ser mais que o outro. Mais o que? Não importa, se você quer ser forte, eu tenho que ser mais; se você quer ser independente, eu tenho que ser mais; se você quer ser sensível, eu tenho que ser mais; se você quer ser vaidosa, eu tenho que ser mais [meeedooo!]. Quando cada um entende suas virtudes e fraquezas e se coloca de acordo com elas fica tudo tão lindo...

(meninos, aproveitando a oportunidade, lá vai um “read the book” pra vocês: leiam Xico Sá! Aprendam com esse bardo pernambucano como se deve tratar uma mulher!)

Ok, vamos voltar ao capítulo! Esse alinhavo está virando um bordado!

Para conquistar o coração de uma Mulher Selvagem, seu parceiro deve entender profundamente sua dualidade natural (...). Qualquer um que seja íntimo de uma Mulher Selvagem está de fato na presença de duas mulheres (...). O esforço de compreender essa natureza dual das mulheres às vezes faz com que os homens, e até mesmo as próprias mulheres, fechem os olhos e bradem aos céus em busca de ajuda.

Que TPM que nada, o buraco é muito mais embaixo... aqui meu humilde comentário é o seguinte: enquanto a própria mulher não se entender como um ser dual, como um ser lunar (e por que não lunático? rs...), não há bom aluno que dê jeito. Precisamos nos conhecer e nos entender antes de querer que o parceiro o faça. E uma vez iniciado esse processo, aí sim vamos ensinando aos nossos aplicados alunos como é que a banda toca.

O capítulo segue por detalhamentos muito interessantes, que deixarei para que os mais interessados descubram por si. Mas há uma frase no final que merece ser citada:

O bom partido é o homem que insiste em voltar para tentar entender, é o que não se deixa dissuadir.

Reforçando o conceito de “bom aluno”, não basta ficar quieto na sala de aula e tirar um cochilo ou ficar rabiscando. Muito menos sair para o recreio e não voltar, matar aula. Quem está realmente disposto a aprender não fica com a boca escancarada cheia de dentes esperando o conhecimento chegar (essa citação é do meu querido professor Marcos Sorrentino, parodiando uma famosa canção de Rauzito e tentando nos ensinar um pouco sobre educação).

Bem, uma vez resolvido o parceiro, o próximo capítulo fala sobre a evolução dos relacionamentos amorosos e é absolutamente lindo. Seu nome é “A caçada: quando o coração é um caçador solitário – encarando a natureza de vida-morte-vida no amor”.

Se quisermos ser alimentados por toda a vida, precisaremos encarar e desenvolver um relacionamento com a natureza da vida-morte-vida. Quando temos esse tipo de relacionamento, não saímos mais por aí à caça de fantasias.

O interessante aqui é que ela chama atenção para o fato de que dentro de um mesmo relacionamento, com uma mesma pessoa, existe essa ação da natureza da vida-morte-vida. Quando não sabemos disso ficamos um pouco apavorados quando uma “morte” se aproxima e nos desgastamos para manter uma vida que na verdade deveria deixar de existir, para que outra venha e para que o relacionamento evolua. Fica mais fácil entender dessa forma:

São sete tarefas que ensinam uma alma a amar outra profundamente. São elas a descoberta da outra pessoa como uma espécie de tesouro, muito embora não se perceba a princípio exatamente o que foi encontrado. Em seguida, na maioria dos relacionamentos, vem a caça e a tentativa de ocultação, um tempo de esperanças e receios para os dois lados. Depois vem a tarefa de desenredar e compreender os aspectos da vida-morte-vida do relacionamento e a compaixão dessa tarefa. Segue-se a confiança que gera o relaxamento, a capacidade de descansar na presença do outro, acompanhada por um período de compartilhamento dos sonhos futuros bem como de tristezas passadas, sendo esse o início da cura de ferimentos arcaicos relacionados ao amor. Finalmente, o uso do coração para fazer brotar uma nova vida e a fusão do corpo e da alma (...).

O amor tem seu custo. Ele exige coragem.

(...) Repetidas vezes observo um fenômeno em amantes, independente do sexo. Algo no relacionamento começa a diminuir e cai em entropia. Com frequência, o doloroso prazer da excitação sexual se abranda, um passa a perceber o lado frágil e ferido do outro, ou ainda um deixa de ver o outro como “material digno de admiração”. Parece tão repulsivo, mas esse é o momento perfeito em que se apresenta uma verdadeira oportunidade de demonstrar coragem e conhecer o amor. Amar significa ficar com. Significa emergir de um mundo de fantasia para um mundo em que o amor duradouro é possível, cara a cara, ossos a ossos, um amor de devoção. Amar significa ficar quando cada célula manda fugir.

Não é forte saber isso? Quando a gente não se dá conta de todo esse mecanismo, parece que a ordem das células para fugir deve ser obedecida imediatamente! Podemos identificar como um aviso da intuição de que algo está errado, de que não é essa a pessoa. Mas na minha experiência pessoal passei exatamente por isso, duas vezes e, embora não tivesse esse conhecimento, consegui ouvir a intuição forte de que o que eu sentia era um amor muito grande, por mais que a razão e “cada célula” me mandasse fugir. E fiquei.

Putz, esse capítulo é grande pra caramba! Ainda bem, porque se ela conseguisse decifrar e explicar todos os meandros do amor em poucas páginas, eu simplesmente não acreditaria, rs... mas o (meu) recado está dado e se você se identificou com o que transcrevi, ou se simplesmente ficou curioso pra saber onde isso vai dar, leia o capítulo! Nem precisa ler o livro todo, pois os capítulos são bem “autosuficientes”.

De qualquer forma, fica a dica para os novos amantes: no começo tudo é lindo, mas não demora a ficar bem estranho e essa é a prova de fogo. Se você pular fora, vai entrar em outra relação linda, que também vai ficar estranha rapidinho. Se você ficar, vai passar por um processo árduo de transformação em dupla, mas que os conduzirá a um estado muito mais lindo do que aquele inicial. Acredite, vale a pena!


PS – Isso tudo funciona apenas quando você encontrou um parceiro que valha o investimento e que também esteja disposto a passar por cada tarefa que ensina uma alma a amar outra profundamente. Agora, se você é uma curva de rio, mulher de malandro ou o moço bonzinho que sofre nas mãos de malvadas megeras, observe melhor com quem você anda se relacionando (amizades, inclusive) e trate de mudar de grupo!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Eu comigo e sem você

Hoje é terça e terça é dia de Aralume! Vou dar um tempo nos relatos de viagem, fazendo também um intervalo entre a parte que fiz com o PC, a Thássia e o Lelo e a parte que fiquei por minha conta (duas semanas cada). Ainda há muito o que relatar e o que escrevo agora é claro que foi desencadeado pela viagem, mas vou me ater apenas a um aspectro mais sutil...

Frequentemente tenho meus sentimentos traduzidos por canções. Nesses momentos sempre lembro do Milton Nascimento dizendo "certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim, que perguntar carece: como não fui eu que fiz?!". Recolho-me à minha insignificância e nem chego a me perguntar "como não fui eu que fiz", rs... mas que elas cabem tão dentro de mim, ah, isso cabem!

E mais um episódio desse se passou no fim de semana, quando eu estava no alto da montanha mais alta das ilhas do Lago Titicaca. Montanha que leva o nome da "mãe natureza", Pachamama.

Faz um tempo escrevi um texto aqui no Aralume, dizendo que se eu pudesse ter só um artista no meu iPod, esse artista seria o Gilberto Gil (relembre aqui). Mas se a situação hipotética fosse ainda mais cruel e me fosse permitido ter apenas um disco no iPod, esse disco não seria do Gil, mas sim o "Elis & Tom"! Segundo o Mr. Google, o álbum foi lançado em 1974 e é considerado um dos mais importantes da Música Popular Brasileira.

Sou fascinada por esse disco, que une gênios como Tom, Vinícius e Chico, na voz e interpretação arrepiantes da Elis, acompanhada por músicos de tirar o chapéu. São 14 músicas, iniciando com a imortal Águas de Março, seguindo por desilusões amorosas e reencontros felizes.

Claro que as músicas que falam das desilusões amorosas são as mais lindas, as mais profundas, as mais contundentes... e eu, que nunca tive desilusões amorosas, quase tenho vontade de ter, só pra poder curtir uma fossa ao som de "Pois é" e "Retrato em Branco e Preto".

Mas esse fim de semana me deparei com um jeito de curtir uma fossa ao som de "Elis & Tom", sem precisar de nenhuma desilusão amorosa... e é esse episódio que quero contar.

Imagine-me fazendo minha primeira viagem solitária, pelas ilhas do Lago Titicaca. Éramos um grupo de 16 turistas, dos mais variados países (felizmente mais nenhum brasileiro, pra eu não incorrer na tentação de ficar falando português!). Um guia muito simpático, dia de sol, comida boa, recepção fraterna por uma família local.

O pernoite foi na Ilha Amantaní, onde fica o ponto mais alto das ilhas do Lago Titicaca, a montanha Pachamama, e o programa mais especial do tour era subir nessa montanha para ver o por do sol.

Lá fomos nós, por uma caminhada linda e agradável, embora sempre acima dos 4.000 m de altitude, culminando em 4.200 m. As luzes e cores do fim do dia eram realmente lindas. Até que me enturmei bem no grupo, que tinha uma colombiana e um casal de argentinos, muito simpáticos, mas preferi fazer o caminho mais sozinha, mesmo porque não dá pra ficar tagarelando nesse tipo de empreitada morro acima com oxigênio escasso.

Estava muito gostoso caminhar sozinha com meus pensamentos - eles geralmente me agradam :)

Até que chegamos ao cume, que tem, obviamente, uma vista arrebatadora do lago e as montanhas que o envolvem. Uma imensidão, muita água, o sol "pertinho".

E sabe o que aconteceu nesse momento?! Surge a Elis e despeja sobre a minha cabeça, simplesmente e sem nenhum aviso prévio, "Inútil Paisagem".

Meu corpo foi tomado por essa música de um jeito, que eu não consegui nem tirar uma foto, tamanha era a "inutilidade" daquela paisagem...

Segue a letra pra você relembrar, mas se tiver 3'39'' sobrando, me faça um favor: ouça a música! Se não tiver aí no iPod ou CDteca, gaste uns segundinhos a mais e busque no You Tube.

E assim a viagem me brinda com mais uma experiência inédita, essa sem planejamento prévio: curtir uma fossa ao som de "Elis & Tom".

Mas pra que
Pra que tanto céu
Pra que tanto mar,
Pra que
De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem
Pode ser
Que não venhas mais
Que não voltes nunca mais
De que servem as flores que nascem
Pelo caminho
Se o meu caminho
Sozinho é nada

É nada
É nada

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Declaração de amor


Hoje eu e o Paulo Cesar completamos 9 anos de namoro e 9 anos e 1 dia que nos conhecemos! Ou seja... pode-se dizer que foi "amor à primeira vista"! Talvez lá, naquele dia, a gente não soubesse disso (racionalmente, pelo menos), mas conforme o tempo foi passando e a gente foi se conhecendo mais, se gostando mais, decidindo mais, fomos vendo que o amor sempre esteve presente. E para compartilhar esse amor, trago aqui pro Aralume uma página do meu diário da época, que escrevi menos de dois meses depois de conhecer o Paulo Cesar (pra quem não sabe, no início nós não morávamos na mesma cidade).



Piracicaba, 29 de maio de 2001

Uma nova inspiração surge em minha vida. Estou namorando. Tudo está muito bom e lindo.

Mas uma coisa interessante está acontecendo: ando escrevendo poemas! As palavras surgem na minha cabeça e martelam até que eu as coloque no papel.

Obedeço meus "insights", aí vão...

"MEU CORPO DÓI
meus olhos ardem, meu nariz não quer funcionar
quero dormir quero chorar
sair de dentro de mim virar do avesso
ver onde é o fim... e o começo"


"Sinto um vazio no interior do meu corpo
Um vazio bom, de limpeza
Às vezes dá um frio
Às vezes da um eco
Às vezes dá tristeza...
Essa sensação chega junto com tua mão,
com teus lábios
com teu cheiro.
Um turbilhão de sentimentos
varre meu corpo,
tumultua minha mente
e toca minha alma"


"CONJUGAÇÃO VERBAL
Há uma semana atrás, estávamos juntos...
Daqui uma semana, estaremos juntos...
Mas HOJE não estamos.
O passado já foi.
O futuro não existe.
O que existe é a esperança e a vontade;
O medo e as lágrimas... de saudade!"