Esse fim de semana foi casamenteiro: fui a um na sexta e outro no sábado. Além disso, o meu aniversário de casamento se aproxima e o assunto está bem em pauta!
Os dois casamentos que fui foram bem diferentes um do outro e ambos bem diferentes do meu, mas em todos eles tinha uma atmosfera de muita alegria, que faz bem, revigora e dá esperança.
O casamento da sexta foi do Felipe com a Nathana. O Fê é meu colega de yôga em Itu e a galera do SwáSthya compareceu em peso! A cerimônia religiosa foi nos moldes tradicionais, católica, com direito a marcha nupcial tocada ao vivo, muito bonito. Mas o que mais gostei foi do beijo (aquela hora que o padre fala: “Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva”), foi um beijo de verdade, com paixão – e línguas! Afinal, acho que não dá pra dar um beijo com paixão, sem línguas! E o legal é que depois do beijo o padre deu uma cutucada: “quero ver esse mesmo entusiasmo daqui a dez anos!”. Ele falou num tom alegre, sem repreensão, desejando de fato que o casal mantenha acesa essa chama ao longo dos anos.
O casamento do sábado foi do Vítor com a Cami, que são aqueles amigos de amigos que acabam ficando também amigos. A cerimônia religiosa deles foi budista e eu nunca tinha participado de uma. Fiquei encantada! Quem celebrou foi uma Lama – outra coisa diferente, pois eu também nunca tinha visto uma mulher celebrar um casamento.
E é por causa dessa novidade toda que esse segundo casório vai ganhar algumas linhas a mais aqui no Aralume (e também a ilustração), pois, como já disse, o que era realmente importante – amor, alegria, felicidade – estava presente nos dois.
O budismo é uma religião bastante diferente e especial. Não conheço muito bem nenhuma religião, mas se eu fosse optar por alguma, certamente seria essa (esse papo de optar por uma religião fica pra outra hora, rs...). Mas, enfim, o que me cativou na cerimônia budista foi que a Lama começou o “discurso” falando da impermanência da vida. Em uma situação onde comumente se enaltece o amor eterno, o “para sempre”, a fala dela foi exatamente na via oposta.
Vou tentar colocar aqui as idéias principais... a primeira é que estamos nesse mundo “de passagem”, que a vida é curta, que tudo é mutável e o que realmente importa é o dia de hoje. Esse é o dia mais importante. E uma vez conscientes disso, o que devemos fazer é aproveitar ao máximo esse dia. Nesse ponto ela disse “eu não sei por quanto tempo vocês vão ficar juntos, isso não importa, o que importa é viver plenamente o dia de hoje”. Isso chamou muito a minha atenção, porque o foco aqui não é fazer com que o jovem casal se comprometa com promessas que eles não sabem se vão conseguir cumprir. Aliás, o casal não abre a boca, não jura nada, não declara nada. Eles simplesmente recebem os ensinamentos e homenageiam silenciosamente seus pais e padrinhos.
A Lama também frisou a importância de identificar o verdadeiro amor, que é um sentimento de dentro pra fora, e não aquela necessidade de ser amado, ser correspondido. Amar verdadeiramente é enxergar que cada ser tem uma essência muito especial, que merece ser amada. Amar verdadeiramente é desejar a felicidade da pessoa amada, e fazer com que ela aconteça.
Quando exercitamos esse sentimento, o verdadeiro amor, todos à nossa volta se beneficiam, todos sentem essa emanação positiva. E isso enche de satisfação, completa, nutre. Do que mais você precisa?
Agora divagações minhas, inspiradas nas vivências: talvez a grande sabedoria esteja em conseguir estabelecer o que realmente importa. Dado que essa vida é passageira, curta e que daqui nada se leva (isso a Lama disse também), o que realmente importa?
Eu me pergunto muito “Eu preciso disso?”, “Pra quê?”. Praticar o desapego e, ainda assim, viver em sociedade, não é fácil. Eu considero que a vida em sociedade seja importante, o ser humano é um animal social, gosta de viver em bando, precisa viver em bando.
Mas esse turbilhão que é a vida em sociedade faz com que a gente se afaste muito facilmente do que realmente importa. É preciso estar muito atento. É preciso cuidar das relações, não só da de casal, mas das relações entre amigos, entre família, entre vizinhos (?!), entre colegas. Na verdade, segundo a Lama, praticar o amor independe de “com quem”. Quem ama, ama e pronto! Claro que não é assim tão fácil, pois tem muitas pessoas e situações que realmente nos tiram do sério. Faz parte da caminhada. Para ilustrar um pouco isso, encerro com uma frase de Patañjali, o codificador do Yôga Clássico:
"A serenidade da consciência é obtida mediante o cultivo da amizade, compaixão, alegria e indiferença, respectivamente aos que são felizes, infelizes, bons e maus".

