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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Uma pessoa querida

Um dos diálogos infantis que guardo com carinho e que mais cito vem da querida família Pimenta. Não lembro os detalhes, mas diz a lenda que uma das Pimentinhas disse da irmã: "mamãe, a Maya (?) é muito querida né?". A mamãe, toda derretida responde que sim, mas pergunta o porquê de tanto amor. A resposta me faz ser uma pessoa muito querida também: "é que toda hora ela quer brincar, quer trocar de roupa, quer comer sobremesa, quer ir na casa do amigo...".

Aaaaiiiii, quanto querer cabe em meu coração!

Quero muito, quero mais, quero agora;
quero fazer, quero aprender, quero ter, quero dar;
quero dormir, quero acordar, quero comer, quero jejuar;
quero ir, quero voltar, quero estar;
quero conseguir, quero poder, quero calar;
quero sol, quero chuva, quero lua, quero estrela;
quero junto, quero sozinha;
quero ouvir, quero o silêncio das línguas cansadas;
quero não querer...

Ah, bruta flor do querer, ah bruta flor, bruta flor...

E sabe do pior: não tenho dúvidas. As crises do tipo "isso ou aquilo?" não me atormentam tanto quanto o turbilhão dos quereres. Eu simplesmente quero. Tudo!


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(comecei a ler Tabacaria, mas não fui até o fim... Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer é demais pra esse coraçãozinho querido!)

O sarau continua e quem me consola é o Chico... ele, o Chico Lindo!

Mesmo com o nada feito, com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura

Não tem cura.

Quero uma estrada que leve à verdade
Quero a floresta em lugar da cidade

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Reflexões cotidianas

Quem acompanha o que escrevo no Facebook talvez já conheça o título. Não é nada muito original, mas foi assim que eu comecei, despretensiosamente, uma série de pequenos textos, compartilhando algumas "sacadas" que tenho durante as tarefas mais banais do dia a dia.

Uma cena na rua, uma notícia do jornal, um lampejo, a frase de alguém. Quando isso desencadeia em mim um processo um pouco mais profundo do que inicialmente poderia prever-se, escrevo. Escrevo para mim, pra registrar, pra não esquecer. Mas escrevo também pra você, é claro, porque quando podemos aprender uns com os outros, caminhamos mais rápido, embora alguns aprendizados tenham que ser "na pele" mesmo...

Seguem os textos, em ordem cronológica. O último é inédito, especial pro Aralume!

Reflexões Cotidianas: a mulher catando lixo (12/maio/2011)

Quando fui sair de casa hoje vi uma senhora revirando a lixeira da rua. Aquela cena foi tão triste...

Você já revirou lixo? Não vale quando precisamos procurar algo no lixo reciclável, seco e limpinho. Também não vale composteira, que é úmida, mas tem aquele cheiro de terra de floresta (as bem feitas, pelo menos). Estou falando de lixo, lixo mesmo, fedido, feio. Quando eu vou colocar o lixo nessa lixeira já tampo o nariz e evito olhar, de tanto que aquilo me incomoda. Agora imagina colocar a mão lá dentro! E sem luvas, é claro! E ficar um tempo remexendo e procurando algo que possa valer alguns centavos...

Ao ver essa cena lembrei de um lema do Movimento dos Sem Terra que diz que enquanto houver uma pessoa sem terra, todos seremos sem terra. Isso me marcou, pois é o que dá coesão ao movimento. Imagina se cada um que conseguisse o seu pedacinho de chão fosse simplesmente cuidar da sua vida. O que seria dos demais? O que seria daqueles que não tiveram a mesma sorte?

Não quero discutir o Movimento dos Sem Terra, mas esse lema deles me inspirou outro: enquanto houver uma pessoa vivendo com condições desumanas, seremos todos desumanos!



Reflexões Cotidianas: nem bom nem mau (19/maio/2011)

Essa veio de uma conversa com a Carla Mader, minha monitora no Método DeRose. Estamos estudando o código de ética e dentre as muitas reflexões que esse tipo de estudo traz, a que queria compartilhar com você é a seguinte:

Nossa capacidade de avaliar o impacto de notícias, fatos, atitudes e ações é muito curta. Geralmente julgamos o que aquilo representa em um contexto muito reduzido, muito imediato, mas dificilmente percebemos as ondas que continuam reverberando por anos, décadas, milênios - impossível não lembrar da música "Futuros Amantes", do Chico Buarque: "futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber, com o amor que eu um dia deixei pra você...".

Outro Chico, o Science, também veio me ajudar nesse argumento: "deixai que os fatos sejam fatos naturalmente".

Isso ajuda a não se desesperar diante de coisas aparentemente más; isso ajuda a não se deslumbrar diante de coisas aparentemente boas. Tornemo-nos apáticos então?! De forma alguma, mas podemos sim encarar a vida com mais maturidade e também com mais humildade, pois quando sabemos que não sabemos isso cria um certo distanciamento dos fatos, que nos permite inclusive enxergá-los em perspectiva e aí, tchã-rãm: você consegue enxergar um pouquinho mais longe!


Reflexões Cotidianas: ainda bem que eu nunca fui "boazinha" (02/junho/2011)

Estou lendo "Mulheres que correm com o lobos" (Ana Schilling, Carol Mendes e Marcelo Germani: gratidão eterna por me indicar esse livro!). Ontem li uma parte que fala sobre a importância de reconhecermos os predadores e sabermos no defender.

Sinceramente, eu tendo a ser ingênua e otimista, pois acredito nas pessoas e acho que até hoje foi "pura sorte" não ter aparecido nenhum lobo mau na minha vida. Ou não... talvez eu saiba sim me defender, simplesmente evitando consciente ou insconscientemente o contato com os predadores.

Vou compartilhar dois trechos:
"Todas as criaturas precisam aprender que existem predadores. (...) Compreender o predador significa tornar-se um animal maduro pouco vulnerável à ingenuidade, inexperiência ou insensatez."

"Essa aceitação do casamento com o monstro [ela usa histórias e mitos como simbologia para explicar os mecanismos da psique] é na realidade decidida quando as meninas são muito novas, geralmente antes dos cinco anos de idade. (...) Esse treinamento básico para que as mulheres "sejam boazinhas" faz com que elas ignorem sua intuição."
Ingênua ou não, otimista ou não, o fato é que nunca fui das mais "boazinhas". Se algo ou alguém me incomoda, não me esforço muito para "engolir" o fato ou a pessoa. Por isso já fui muitas vezes tachada de rebelde, de questionadora, de antipática. Sinto-me agora aliviada, por saber que isso é minha intuição me protegendo. Embora a primeira norma ética do Yôga seja a não agressão, tem horas que precisamos sim ser agressivas! Mostrar os dentes, rosnar e se preciso for dar uma boa patada. Se o predador insistir, parto pra luta, com unhas e dentes. Se o predador for mais forte, corro muito e busco um lugar seguro, mas nunca fico parada e dou a luta por vencida.

E voltando à norma ética da não agressão, é importante lembrar que a agressão mais grave é aquela que cometemos contra nós mesmos. Primeiro eu me preservo e, assim preservada, serei muito mais útil ao mundo e às pessoas.


Reflexões Cotidianas: quem cuida/cuidará dos seus filhos? (25/julho/2011)

Acabo de ver um quadro do Jornal Hoje que fala de profissões. Começou dizendo que a profissão de babá é uma ótima opção e que é praticamente garantia de emprego. Mostraram uma escola de babás e sabe quanto tempo dura o curso? TRÊS DIAS! Sim, em três dias uma pessoa com ensino médio aprende como cuidar de um bebê ou criança. Logo em seguida fiquei ainda mais chocada: um curso para corretor de imóveis dura SEIS MESES.

Cada vez mais vejo que é um verdadeiro luxo uma mãe que cuide de seu próprio filho. Necessidade financeira? Afirmação profissional? Falta de estrutura psíquica? Acho que um pouco de cada... mas o preço é alto e quem paga é a sociedade toda, com crianças desamparadas, adolescentes desnorteados e adultos fracos, que geralmente vão dar continuidade a esse ciclo.

Mas o que me dá esperança é que vejo elos se partindo nessa corrente esquisita. Lampejos de consciência que podem gerar novos rumos.


Reflexões Cotidianas: a Barbie tomando banho de cachoeira (29/julho/2011)


Adoro fazer faxina, por diversos motivos, mas um deles é que geralmente os momentos de limpeza são inspiradores. Eu estava lavando os baldes quando lembrei de uma cena da infância, eu e minha irmã Ana Clara brincando de Barbie no tanque de lavar roupas. Era um tanque enorme (provavelmente porque éramos pequenas ele parecia tão grande, mas certamente era BEM maior do que o tanquinho minúsculo que tenho em casa...) e feito de cimento. A cor do cimento, junto com os musgos e limos que foram se acumulando ao longo dos anos - independente dos sabões e águas sanitárias - lembrava pedra. A torneira aberta era uma cachoeira e nossas Barbies nadavam felizes, mergulhando, tomando sol... parecia que a gente mergulhava junto com elas!

Aí penso nos tanques de hoje, brancos, sem graça... aliás, as meninas brincam de Barbie no tanque de lavar roupa?! E não me espantaria que isso fosse reprimido por um discurso pseudo ecológico de economia de água :(

Há mais de vinte anos, quando o discurso ambientalista era incipiente, minha mãe já nos educava sob esses preceitos, quer fosse por simples economia financeira, ou por princípios mesmo, mas de forma natural. A água do tanque onde brincávamos exaguava roupa, ia pra lavar o quintal. Minha mãe junto, fazendo as tarefas domésticas enquanto a gente brincava. Entre uma brincadeira e outra, ensaboávamos as meias, ajudávamos a esfregá-las. Era muito divertido!

Talvez hoje alguem achasse um absurdo colocar crianças para ensaboar meias...

E cá estou eu, feliz, limpando a minha casa, lembrando dos mergulhos que dava com a minha Barbie!


Reflexões Cotidianas: "pensei tanto em você" (21/agosto/2011)

Esse fim de semana participei mais uma vez do DeRose Festival, um evento delicioso com mais de 500 pessoas num hotel muito agradável, ótimas comidas e o principal: práticas ministradas pelos melhores professores do mundo! Não é exagero. Grandes feras, com 10, 20, 30, 40, 50 anos de prática e muito carisma para compartilhar tudo isso.

Foi a terceira vez que participei e desde a primeira sempre pensava muito no Paulo Cesar, até que dessa vez, "aos 45 do segundo tempo", ele finalmente foi! E quando eu o vi saindo de uma prática que eu tinha certeza que ele ia gostar, ele veio me falar que foi incrível, com aquele ar que eu conheço tão bem!

Nesse exato momento eu senti um alívio muito grande. Não que eu estivesse tensa e depois me sentido aliviada, mas eu simplesmente fiquei mais leve. Primeiro porque isso pra mim era uma constatação de que eu o conhecia e mais importante: um sentimento de missão cumprida, um sentimento libertador de que eu não precisava mais ficar pensando "ai, o Paulo Cesar ia gostar tanto...". Ele simplesmente estava lá e isso me libertava de ficar pensando que eu queria tanto que ele estivesse ali. Louco né?!

Esse sentimento é comum em mim, principalmente quando estou viajando, fico pensando na minha mãe, no meu pai e em tantas pessoas queridas que certamente iam adorar aquele lugar, aquela comida, aquelas histórias. E quando podemos levar essas pessoas e constatar in loco que elas de fato estão adorando os lugares, as comidas e as histórias é muito bom!

Por outro lado, quando alguém vier me falar que pensou muito em mim em determinado lugar ou com determinada situação, vou dar mais valor a isso e tentar estar presente numa próxima vez, retribuindo o espaço mental e emocional que aquela pessoa dispendeu ao "pensar tanto em mim".


Reflexões Cotidianas: eu não preciso de tratamento de choque (08/setembro/2011)

Quer dizer... não sei se é "não preciso" ou "não quero", mas o fato é que eu definitivamente não gosto do caminho do aprendizado pela dor e pelo desprazer.

Digo isso porque esses dias fui obrigada a ver no meu feed de notícias [do Facebook] a foto de um feto num chão de cimento com os dizeres "é fácil ser a favor do aborto quando você já nasceu". É o tipo da coisa que a gente olha e lê em uma fração de segundo, não tem como evitar, só de bater o olho pronto, foi. Podemos até discutir o aborto, mas eu não quero ver fotografias agressivas!

E aquela campanha educativa nos maços de cigarro? Eu não fumo, nunca fui fumante e tenho que ver pessoas entubadas, rostos desfigurados, sofrimentos diversos. Eu não consigo olhar pra essas fotos e pensar "ufa, ainda bem que eu não fumo" e muito menos "taí, bem feito, quem mandou fumar?!". O que eu sinto é um grande desconforto, na melhor das hipóteses...

Tem também todo o terrorismo que tenta convencer as pessoas a não comer carne. Outra pérola que o Facebook me proporcionou nos últimos tempos foi a fotografia de um pé humano, devidamente azulado e ensanguentado, numa bandeja de isopor, com uma mensagem do tipo: se você acha normal comer um pé de boi, por que não come um desses?! Ah, faça-me o favor!!! Eu não como carnes, mas já comi muita e olha, a visita a uma granja de porcos, embora deprimente, não me fez recusar o salame nem a mortadela. É interessante como parece que essas informações são armazenadas em compartimentos separados e isolados.

Quando vejo algo feio ou triste parece que isso tira uma parcela das minhas energias... A beleza me alimenta e é a partir dela que as transformações ocorrem em mim.



Reflexões Cotidianas: virei gente grande? (17/setembro/2011)

Acabo de compartilhar no meu mural uma figura interessante: mostra uma fita K7 e uma caneta Bic, com os dizeres: "se você entendeu, está ficando velho". Claro que eu entendi, né? Alguém não entendeu?! Ah, não entendeu? Então desliga esse computador e vai dormir, porque tá na hora de criança estar na cama! Shhh, não discute! =D

Mas essa figura foi só a gota d´água pra essa reflexão, que vem refletindo na minha cabeça há alguns dias. Eu comecei a achar que "estava ficando velha" na primeira vez em que me referi a alguma coisa que aconteceu "há dez anos" e não se tratava de uma memória de criança... putz, DEZ anos, eu pensava. Bem, agora começo a me espantar quando lembro de alguma coisa que aconteceu "há dez anos" e não se trata de uma memória de adolescente...

E recentemente tem acontecido uma coisa curiosa. Eu olho pra uma pessoa, que claramente não é adolescente, e essa pessoa parece BEM mais nova do que eu. E pior: É.

Não, não é crise; só constatação de que as coisas realmente mudam. Só que eu ainda não me sinto gente grande, entende? Eu sou apenas uma criança!!!


Reflexões Cotidianas: é fácil falar em regime quando sua barriga está cheia! (05/outubro/2011)

Hehe, se você acha que a magrela aqui pirou de vez e está fazendo regime, fique tranquilo, não é nada disso!

Mas essa foi a imagem mais didática que eu encontrei pra dar o meu chacoalhão e ele não é alimentar, mas financeiro.

Me chateia demais ouvir as pessoas criticando programas sociais, falando mal do "bolsa isso, bolsa aquilo", caindo no lugar comum do "a gente fica trabalhando pra sustentar vagabundo", ou ainda "meu pai começou do nada e trabalhou duro pra conquistar nosso patrimônio", ou pior "se a pessoa tá na miséria é porque é acomodada".

Eu não vou entrar num campo que não domino, tentando explicar ciências políticas, econômicas e sociais, mas proponho que você faça um exercício muito simples: pesquise qual é a renda per capita do brasileiro. Está com preguiça? Ok, fiz isso pra você: coloquei no Google "renda per capita do Brasil" e com os dois primeiros resultados dá pra entender o que é e qual é a nossa renda per capita. Resumindo: se pegarmos toda a riqueza gerada no país e dividirmos pelo número de habitantes, o valor mensal que caberia a cada um seria em torno de R$ 1.600,00.

Agora some toda a renda da sua Unidade Familiar (pessoas que moram na mesma casa) e divida pelo número de habitantes dessa moradia (inclusive crianças, porque pelo que eu saiba elas entram na soma da população usada na renda per capita). Quanto deu? Mais de R$ 1.600,00?! Então, pronto, sua barriga está cheia, não venha me falar em regime!!!

Pra completar, acabo de ler a seguinte pérola: "se você pagar mais para o professor, o aluno vai aprender mais? Porque a minha preocupação pessoal é com o aluno e não com o professor". Quem disse foi Gustavo Ioschpe, colunista da revista Veja. Não, eu não li isso na Veja, porque não tenho nenhum interesse nesse veículo, mas li em uma entrevista que ele concedeu à Revista Trip em edição especial sobre educação (setembro/2011), que recomendo fortemente a quem queira repensar um pouco os paradigmas vigentes.

Por mim iria longe comentando essas duas frases do distinto Sr. Ioschpe, mas não vou dizer que provavelmente o salário dos professores de ensino médio e fundamental estão abaixo da renda per capita do brasileiro, nem direi que é impossível se preocupar com o aluno sem se preocupar com o professor, tampouco falarei que essa visão fragmentada da sociedade e do meio ambiente é responsável por equívocos delirantes. Também não vou dizer que o mundo às vezes me dá náuseas. Não, pensando melhor, isso eu vou dizer sim:

O mundo às vezes me dá náuseas e a necessidade de colocar certas coisas pra fora chega a ser involuntária!
 
 
[inédito!] Reflexões Cotidianas: trabalho é trabalho (12/outubro/2011)

Outro dia uma amiga me perguntou se eu estava feliz com as mudanças profissionais que venho empreendendo em minha vida nos últimos anos. Eu mesma me surpreendi com minha resposta: trabalho é trabalho!

Você pode buscar um ambiente mais gostoso, um propósito mais nobre, uma equipe mais afinada, mas não tem jeito, trabalho é trabalho! A gente sempre acaba fazendo algumas coisas que não gosta, que não quer. E quanto mais idealista for o ofício, maior a chance de se frustrar e de acordar do sonho em plena segunda-feira chuvosa.

Eu sempre fiz escolhas idealistas, românticas, e a sensação de "isso não está encaixando" sempre aparecia. Até que eu me dei conta de que trabalho é trabalho e aí parece que tudo ficou mais leve. Claro que trabalho não é pra ser uma tortura, muito pelo contrário, mas também não dá pra achar que "fazer o que gosta" é ficar o tempo todo satisfeito e nunca ter umas apurrinhações!

Fico me perguntando se eu finalmente entendi o "lance" do trabalho ou se na verdade ainda não encontrei o meu talento, o meu nobre ofício, que fará com que o mundo vire um enorme parque de diversões no qual ao invés de pagar pra entrar, você recebe pra andar nos brinquedos!

Se você vive nesse parque de diversões, por favor me diga! Eu preciso estudar o seu caso ;)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Na ponta do pelo do coelho

Já faz muito tempo que li "O Mundo de Sofia", um livro que traz de maneira muito lúdica a estrutura do pensamento filosófico ocidental. Não lembro de muita coisa, mas tem uma imagem que sempre me marcou que é "estar na ponta do pelo do coelho". É o seguinte: um mágico retira o coelho da cartola e você habita esse coelho, como se fosse uma pulga. O autor diz que quando nascemos estamos na ponta do pelo do coelho, vendo todo o universo, o mágico e o próprio coelho. Conforme vamos envelhecendo, escorregamos em direção à pele do coelho e tendemos a ficar lá, acomodados, no quentinho seguro e sem graça. Instigar o pensamento, a inteligência e o deslumbrar diante das coisas mais simples é escalar o pelo do coelho!

E aqui estou eu, mais uma vez sentindo o vento em meus cabelos, o ar fresco e a sensação instável de estar equilibrada na ponta de um pelo flexível. Tenho ficado por aqui cada vez mais. Às vezes escorrego um pouco e dou uma "descansada", mas logo aparece algo que me faz ter vontade de subir de novo e ver o que está acontecendo.

Na semana passada comecei a estudar espanhol, com uma professora particular, a Cássia. Eu não esperava que fosse aprender tantas coisas logo na primeira aula! E foi tão boa a sensação de aprender. Olha que legal, agora eu sei coisas que não sabia antes! E, claro, são coisas bacanas, é cultura, é conhecimento, é habilidade.

Eu sempre gostei muito de estudar. Adoro lembrar dos meus professores, dos meus cadernos, das minhas escolas. Na entrevista com o Rubem Alves (só assisti toda depois da postagem da semana passada) ele fala da Escola da Ponte, que é uma escola que não tem salas de aula, que não tem grade curricular (é ótima a fala dele sobre a grade curricular!), não tem separação por séries e idades e o papel dos professores é bem diferente do que o habitual. Fico pensando que maravilha seria o mundo se o sistema educacional todo fosse assim. Eu até que me dei bem com o sistema convencional, pelo menos sob o aspecto de não sofrer e inclusive de gostar da escola, mas sei que para muitas crianças e adolescentes a escola é uma verdadeira tortura e ao invés de estimular, vira uma chateação. Que tristeza!

Continuando na onda do Rubem Alves, ele diz que o corpo deseja aprender e que o impulso para a aprendizagem é o impulso de viver. Se o "templo do saber", que é a escola, vira um ambiente hostil, cheio de regras chatas e anti naturais, esse impulso de aprendizagem fica seriamente comprometido. E o que acontece com o impulso de viver? Também fica comprometido e vamos formando seres que não vivem, mas que sobrevivem (essa análise é minha mesmo, rs...).

Toda essa reflexão e constatação gera uma grande angústia e até mesmo uma tristeza. Sempre que eu descubro algo que acho genial, tenho vontade de sair correndo e contar pra todo mundo; tenho vontade de literalmente começar a andar na rua parando as pessoas para contar essa descoberta. Só não faço isso porque tenho aprendido que tudo tem seu tempo e que uma grande descoberta pra mim pode não ter significado nenhum para outra pessoa, nesse momento.

Então me contento em ir contando essas grandes e pequenas descobertas aqui no Aralume, para quem quiser ler e pensar e aprender e saber e contar e ensinar e fazer o mundo ficar mais bacana, principalmente porque o mundo é o que vemos e vos digo que o mundo daqui da ponta do pelo do coelho é lindo!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vale uma hora de sono

Ando meio em crise com meu tempo. Não está dando tempo de fazer tudo o que eu preciso e muito menos tudo o que eu quero... ontem, por exemplo, eu deveria ter postado um artigo no Aralume, mas não consegui.

Às vezes eu até consigo escrever em 20 minutos, mas se eu souber que só tenho vinte minutos vem uma ansiedade e acaba não saindo nada. Enfim, deixei o Aralume de lado e corri para as obrigações mais urgentes...

Cheguei em casa umas 22h e já estava com a ideia de me aprontar para dormir, pois saio da cama às 6h e (ainda) preciso de oito horas de sono para me refazer. Aí o Paulo Cesar me diz que o entrevistado do Provocações (TV Cultura), que começa às 23h15, seria o Rubem Alves. Eu sou muito fã do Rubem Alves. Os textos dele tem a capacidade de me transportar muito rápido para um estado de contentamento, me trazem uma alegria, uma esperança, uma sensação de que viver é lindo e vale a pena.


Eu nunca tinha visto uma entrevista com ele e não pensei duas vezes. Foi o tempo de comer e tomar um banho bem gostoso e lá estávamos nós quatro: eu, PC, Abujamra e Rubem Alves!

E logo de início o Abujamra já lança uma frase que cutuca a minha crise com o tempo:

Regra mais importante da educação: não ganhar tempo, mas gastá-lo.


O comentário do Rubem Alves sobre isso segue transcrito:

O prazer quer tempo. O prazer demanda tempo, então a gente tem que gastar tempo, porque a vida é pra isso, é pra gastar tempo. Quando a gente diz que está ganhando tempo, na realidade a gente não está ganhando tempo, a gente está estragando tempo.

Logo em seguida ele cita meu querido Guimarães Rosa: Alegria, só em raros momentos de distração.

Depois o Abujamra cutuca ele com a questão da religião e olha que legal, o Rubem Alves diz que toda a nossa tradição espiritual ocidental é baseada no sofrimento. Parece que Deus se deleita quando vê os homens sofrendo. Imagina se alguém faz a seguinte promessa: "Senhor eu prometo que se eu alcançar essa bênção, todos os dias às seis da tarde eu vou ler um poema de Fernando Pessoa". Ninguém oferece coisa boa pra Deus.

Pois é. Nem vou tecer comentários. Não precisa, né?

Não vi a entrevista até o fim porque realmente já estava dormindo no sofá. Por mais maravilhosa que estivesse a conversa, chega uma hora que parece que cai a chave geral, rs... mas a encontrei no You Tube na íntegra hoje! É nessas horas que eu reverencio a tecnologia.

Vou assistir agora e recomendo que você faça o mesmo ;)

http://www.youtube.com/user/marcallombardi

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Em busca da Humanidade

Acabo de chegar de mais um dos encontros com o meu dentista. Não gosto de chamá-lo de "dentista" porque esse rótulo não diz absolutamente nada sobre o trabalho que ele faz... Poderia dizer assim: "acabo de chegar de mais um dos encontros com a pessoa que me ajuda a cuidar da minha saúde"; ou, melhor ainda: "com a pessoa que vem me mostrando o que é Humanindade*, com a pessoa que vem me mostrando as possibilidades de Ser Humana". Ajudou?! rs...

Bem, como sempre, ele repetiu muitas coisas e, como sempre, ouvi tudo pensando: "não quero me esquecer disso!". E como sempre, ele adicionou novos elementos, novas cutucadas, novas flores e novos aromas. Se você está achando isso tudo muito louco, é pra achar mesmo! É até um bom sinal, porque do jeito que as coisas andam de ponta cabeça, só sendo muito louco mesmo pra ser feliz no meio dessa balbúrdia.

O que mais gostei da conversa de hoje são os motivos da alienação humana, do distanciamento das pessoas da sua verdadeira Humanidade. São quatro:
- a ânsia por ganhar dinheiro;
- a moral religiosa;
- o consumo desenfreado;
- a informática.

Dá pano pra manga, hein?! E eu que gosto tanto dos meios digitais... nesse aspecto ele falou uma coisa muito bacana: que as pessoas vivem num mundo virtual, de altas tecnologias e cada vez menos contato físico, mas as coisas só se resolvem no real! Enquanto está no virtual é só máscara, é só ilusão, é só "tapar o sol com a peneira". Nada substitui um olho-no-olho, um boca-a-ouvido, um "mão naquilo, aquilo na mão" (essa parte é por minha conta, citando Os Aspones, rs... mas tenho certeza de que ele - o "dentista" - assinaria embaixo!).

Sobre consumo acho que não precisa falar nada, né?!

A moral religiosa aliena a partir do momento em que castra os prazeres e desejos, pois é a partir deles que você identifica as suas reais necessidades. E é a partir da satisfação dessas necessidades que você vai exercer a plenitude do Ser Humano.

E sobre o dinheiro, não é ele um mal em si, mas sim "se matar" (nem sei se cabem aspas aqui, pois tem um sentido muito literal...) pra ganhar dinheiro. Entra aqui também a exploração do homem pelo homem, a "democratização da escravidão", como ele diz - antes escravizavam-se raças, etnias; agora serve qualquer um!

Estamos rumando para uma verdadeira Humanidade, que até agora não mostrou as caras. Pelo que estou entendendo, esse processo é primeiro individual; cada um vai descobrindo o Ser Humano dentro de si, para que então, em determinado momento, esse conjunto de Seres Humanos forme, naturalmente, a Humanidade. Não haverá revolução, não haverá guerra, não haverá "arca de Noé". Não sei o que haverá.

Mas estou fazendo a minha lição de casa.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Começando devagar...

Se você lê o Aralume há algum tempo, e se me conhece, sabe o quanto ele me reflete. Adoro esse espaço de conjecturas, sem censuras. Com todo respeito ao leitor, mas isso aqui é muito mais um exercício pessoal de auto conhecimento, do que qualquer outra coisa. Quando escrevo, organizo meus pensamentos e fica tudo muito mais claro. E, por outro lado, se você lê é porque sabe o valor de aprender com as experiências dos outros. Por isso que a gente lê tanto... ou deveria!

Mas toda essa introdução pra dizer que, assim como reflete o Aralume, eu estou começando meu ano devagar. Nos anos anteriores, "desde tempos imemoriais", eu sempre comecei no maior pique, às voltas com alguma grande viagem, com grandes histórias, lindas fotografias, mil projetos e por aí vai. Esse ano resolvi fazer diferente, contrariando a máxima "não se mexe em time que está ganhando" - hehe, sim, eu estou ganhando. Sempre! ;)

Bem, decidi começar o ano trabalhando. Decidi começar o ano em companhia das famílias (juntamos a minha família com a do PC no reveillón e foi muito bacana!). Decidi fazer as coisas de forma mais planejada. Aquela listinha romântica das resoluções de ano novo, que já fiz tantas vezes, em tantos caderninhos à beira de lugares fantásticos, agora está virando uma planilha com "o quês", "comos" e "quandos", principalmente os "quandos"! Pra começar, 2011 ficou curto pra tudo que eu queria, então resolvi isso projetando até 2020 (!!!). Isso mesmo: onde eu quero estar daqui a uma década? É um exercício bem interessante e é claro que a gente não resolve em um dia, então precisa ter muita disciplina e organização pra não deixar a empolgação passar e tudo voltar ao seu curso de "piloto automático".

Uma grande vantagem de ter um planejamento é que fica mais fácil lidar com imprevistos, fica mais fácil improvisar, porque o seu panorama geral da situação está mais claro. Você só não pode ficar escravo do planejamento... tem que ser flexível, tem que saber a hora de mudar, tem que saber por que mudar.

E nesse ritmo mais lento é mais fácil (e seguro) fazer as manobras. Sinto isso quando estou dirigindo o Bento, meu fusquinha, rs... como diz o Lenine: "devagar pra contemplar a vista, menos peso no pé do pedal". Diminuir o ritmo é um artifício para obter maior consciência nos atos e depois, conforme a consciência é adquirida, a gente vai aumentando a velocidade, mas sempre cuidando para que o piloto automático não tome conta (de vez em quanto ter um piloto automático é muito confortável, e até importante, mas é você que deve ligá-lo e desligá-lo, conscientemente).

Outra proposta que está imbutida no conceito de "começar devagar" é me permitir alguns "furos". Por exemplo, eu resolvi que vou lavar o quintal todo dia (quem tem dois cachorros e um quintal pequeno me entende! - mas eu uso racionalmente a água, com baldes e nada de mangueira). Estabeleci isso porque considero importante para o bem estar da casa... dia sim, dia não já não resolve. Mas se um determinado dia eu não conseguir lavar o quintal, ok, sem problemas, amanhã eu lavo. Esses furos são permitidos no começo, que é um período de ajuste de rotina e de teste também (será que é mesmo necessário lavar o quintal todo dia?). Dado um prazo de adaptação, eu resolvo se vai ser todo dia mesmo, e depois de resolvido os furos já não serão tratados com tanta "amabilidade".

Às vezes a gente quer se impor uma disciplina ferrenha, à qual não estamos acostumados, e ela dura uns dois ou três dias... depois geralmente fica pior do que era antes da tal resolução. A famosa história da segunda-feira, que é dia de começar regime, atividade física, etc... como é que vai estar no fim de semana?! Eu prefiro admitir uns furos no começo, para ir incorporando a prática. Mas é importante ter esse prazo de teste definido, porque tem uma hora que os furos passam a ser desculpa pra indisciplina e isso vai minando a nossa motivação, a nossa auto estima. A sensação de conseguir fazer uma coisa é propulsora!

E sem ingenuidade: recaídas existem. O que talvez ajude a evitá-las é a noção de que o esforço para levantar de uma recaída é maior do que aquele para evitá-la. Nunca fui viciada em nada, mas já percebi isso em outros planos, ou em vícios mais sutis, que possam ter passado despercebido desse rótulo.

Estava com saudade de escrever... por mim ficaria aqui por horas... escrevendo, lendo, relendo, escrevendo... mas a lista de afazeres está grande! Equilibrando dever e prazer vou seguindo.

"Tão importante quanto saber quem sou, de onde vim e para onde vou é saber quem vai fazer o almoço hoje!" (li algo parecido em uma revista, já faz tempo, vou ficar devendo a fonte...).

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Saúde + Tempo + Dinheiro

Um vez ouvi que uma "maldição" nos acompanha pela vida: quando somos jovens, temos tempo e saúde para fazer o que quisermos, mas não temos dinheiro suficiente; na vida adulta, temos dinheiro e saúde, mas falta tempo; e quando chegamos à velhice temos tempo e dinheiro, mas a saúde, cadê? Fiquei meio chocada com isso e como estava na primeira etapa, me esforcei ao máximo para não deixar com que a falta de dinheiro me impedisse de fazer as coisas que eu queria.

Isso foi quando eu estava no colegial - hoje ensino médio - de uma escola pública. Enfiei na cabeça que queria cursar uma universidade pública, morar em outra cidade. E não foi dinheiro que me segurou! Meus pais ralaram, eu ralei e deu tudo certo. Ter me lançado no mundo, indo morar em uma cidade que eu nunca tinha pisado antes, foi a melhor coisa que fiz na vida até hoje, sem sombra de dúvida! Durante a graduação tive uma turma em que todo mundo era "duro" e, como tínhamos muito tempo e muita saúde, a falta de dinheiro às vezes até passava despercebida. Ô tempo bom!!! (toda essa nostalgia porque estive em Pira semana passada, dei uma andadinha pela Esalq e um turbilhão de lembranças e emoções me invadiu a mente e o coração).

Depois, quando comecei a trabalhar, senti o tripé pender para o outro lado. Agora eu estava ganhando dinheiro (relativamente ao que eu tinha antes, era bastante sim), continuava com uma ótima saúde, mas tinha que cumprir horários mais rígidos e adeus quatro meses de férias por ano... aproveitei a grana para encurtar distâncias e, consequentemente, ganhar tempo. Foi quando conheci a Patagônia e a Terra do Fogo, a primeira e (até agora) única vez que saí do nosso país. Tempo bom também, de algumas mordomias. Só que o mundo dá muitas voltas e de repente me vejo lá na primeira etapa de novo, ou não exatamente, pois o tempo está um pouco mais escasso. É isso que dá querer começar uma nova profissão...

Por outro lado, a saúde está cada vez melhor e minha nova filosofia de vida me acena com muitos e saudáveis anos de vida, então posso me dar ao luxo de começar de novo, como se tivesse dezessete anos. Na verdade, por mais clichê que seja, o mais importante de tudo é ter saúde, e para isso não meço esforços nem recursos. Já o tempo é nosso bem mais precioso, que se esvai em um piscar de olhos, como areia escorrendo pelos dedos. É preciso muita atenção! E tendo saúde e usando bem o tempo, conseguimos dinheiro, que vai nos fazer ganhar tempo e cuidar melhor da saúde.

Eu só acho que não podemos inverter isso, achando que precisamos, em primeiro lugar, ganhar dinheiro a qualquer custo, porque aí, quando você se der conta, sua saúde "foi pro saco" e o tempo passou...

Não sei se isso tudo que acabei de escrever é um auto consolo por não ter lá a quantidade de dinheiro que eu gostaria, mas me traz sim algum conforto ;)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A nobreza do cotidiano

Outro dia tive um insight: "não chame negligência ou irresponsabilidade de falta de sorte!"

Isso aconteceu enquanto eu meditava? Enquanto eu contemplava a beleza da natureza selvagem? Enquanto eu olhava os olhos puros de uma criança? Não, foi enquanto eu fazia um bolo! Tarefa banal, como a maioria das que fazemos. E não dá para tirar grandes e importantes ensinamentos das tarefas banais?!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tempo traz sabedoria?

Semana passada eu fiz mais uma das visitas (quase) mensais que faço ao meu dentista. Estou desde o começo do ano em um tratamento de biocibernética bucal (?!). Não vou me atrever a explicar o que é, pois certamente confundiria mais do que esclareceria... mesmo porque eu não sei se todos os dentistas biocibernéticos são como "o meu". Não sei se sua abordagem do ser humano é condição para o exercício dessa prática, ou se é uma coisa dele mesmo.

O fato é que nunca vou me esquecer da primeira vez que estive lá. Saí num misto de choque com euforia. Choque porque em poucas horas (a primeira consulta durou quase três horas) o meu universo se ampliou tanto, de uma forma até assustadora. E euforia porque, finalmente, eu havia encontrado alguém com a capacidade de me mostrar "luz no fim do túnel" para o caos civilizatório que estamos vivendo. Sim, tudo isso porque eu estava descontente com o alinhamento da minha arcada dentária inferior!

Desde então venho experimentando aquela sensação de "nó na garganta" com uma leve vontade de chorar, toda vez que o vejo, ou para ser mais precisa, toda vez que o ouço falar. Não vou entrar aqui em detalhes, mas caso você tenha algo a "consertar" na sua saúde (e quando falo saúde me refiro a todas as esferas...), me fale que eu os coloco em contato. Com uma consulta você já vai poder sentir se "é a sua" e, no mínimo, você terá conhecido uma pessoa incrível, com uma sabdoria que quem viveu muito bem seus setenta e tantos anos.

E por falar em anos vividos e em sabedoria, um dos aprendizados que tive nessa última conversa foi o de que devemos prestar mais atenção aos anos vividos de cada um. O simples passar do tempo não traz sabedoria, mas quem viveu mais, viu mais, sentiu mais, fez mais (mesmo que o "fazer" não seja tão explícito em termos de realização). Se você tem que lidar com uma pessoa mais jovem, lembre-se que você já passou pela fase de vida na qual ela se encontra, mas ela não passou por todas as outras que vem depois, até chegar na sua. É você que precisa entendê-la e não o contrário! Isso tem um valor muito importante ao lidar com crianças... é o adulto que precisa entender a criança, e não a criança que precisa entender o adulto! Não é demais?! Eu nunca tinha parado pra pensar nisso...

Agora fazendo uma interpretação minha: quando a gente tem que lidar com subordinados no trabalho, mesmo que o nosso tempo vivido seja menor que o deles, acho que conta muito aí a experiência no trabalho em si. Se sou colocada numa posição de comando é porque alguma característica minha foi identificada para tanto, logo, eu que sou "a mais vivida" e, portanto, eu que preciso entender meus funcionários. Lembrei agora do livro "O monge e o executivo", que fala de liderança. Não cheguei e lê-lo todo, mas a ideia é de que um bom líder sabe identificar e suprir as necessidades dos liderados.

Frequentemente as pessoas se queixam de ser incompreendidas. Talvez justamente porque não haja um esforço coletivo em compreender o outro. Ouvir, observar, retribuir.

Ah, meus dentes? Vão muito bem, assim como todo o "resto"! =D

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Drão

Eu estava dormindo quando ouvi batidas na porta. "O que o Spinafre quer a essa hora?!", pensei. A contragosto e muito sonolenta, abri a porta. Ao ver minha mãe não teve jeito de não pensar em coisa ruim, afinal, o que seria tão importante para ela vir de Bragança a Piracicaba no meio da madrugada?

"O Du sofreu um acidente", disse ela com os olhos cheios d´água. Como reflexo involuntário e desprovido de raciocício perguntei: "E como ele está?!". O olhar e o aceno negativo da cabeça, seguidos por um longo abraço dispensaram qualquer palavra. Ele não estava.

Essa cena se deu há exatos 10 anos. Dez anos! Caramba... se, ao mesmo tempo, as imagens e sentimentos são tão vívidos na minha memória, também parece que esse arquivo faz parte de um passado muito longínquo e distante, quase como um sonho.

O Du foi meu primeiro namorado. Ficamos juntos por intensos 19 meses e talvez estivéssemos juntos ainda hoje... como saber? A primeira vez que ouvi falar dele foi pela minha mãe, que chegou em casa entusiasmada, contando que tinha um aluno que ouvia a Rádio USP! E era mesmo motivo para entusiasmo, pois a escola onde ela lecionava não tinha lá um público cheio de cultura... isso bastou para que os dois descobrissem as afinidades musicais, e muitas outras.

Pouco tempo depois eu o conheci pessoalmente, só que na casa do meu pai. Ele havia chegado até lá via amigos em comum e não demorou para que ficasse amigo do meu pai, através das afinidades com cachoeiras, matos, trilhas e acampamentos. E também não demorou para que as nossas afinidades viessem à tona. Foi um verão delicioso, intenso, cheio de banhos de chuva, caminhadas, estrelas e Chico Buarque. Mas nem tudo foi um mar de rosas pois minha mãe - que já foi bem maluquinha na juventude, registre-se o fato - não queria que a gente viajasse juntos, que saísse por aí sem destino e sem hora pra voltar. A rebeldia não foi pouca... mas nada que não tenha sido resolvido, afinal, o rapaz em questão ouvia a Rádio USP, rs...

O Du foi uma pessoa muito especial. Fazia maluquices com sua bicicleta, dizem que jogava bola muito bem - embora eu nunca tenha visto... -, tinha um coração do tamanho do mundo, me fazia enxergar tantas coisas: "você é uma péssima observadora!", queria ser ornitólogo, adorava o Raul Seixas e me contagiou com a paxão por São Thomé das Letras. Um dia, meio de bobeira, perguntei pra ele o que ele queria ser na próxima encarnação, e ele respondeu: "sei lá, nuvem, vento, rio...". Às vezes acho que seu desejo foi atendido...

E acho que por causa dessa "vontade etérea", apesar de ele ter sido uma pessoa tão especial na minha vida, eu não falo sobre ele. Queimei todas as cartas que trocamos e também as fotografias. Não tenho mais contato com a família dele e acho que é melhor assim. Muitas pessoas que me conhecem, mesmo algumas bem próximas, certamente vão se espantar ao ler esse relato.

Mas hoje me deu vontade de falar, de compartilhar as coisas que aprendi, pois isso sim vale a pena ser compartilhado. Não tem como passar ileso por uma perda como essa, mas o tempo nos faz colocar os fatos em perspectiva. Se na época eu me torturava com perguntas "Por quê?!", "Por que eu?!", "Por que ele?!"; se o Rio de Piracicaba quase jogou água pra fora, de tantas lágrimas dos olhos de alguém que chora; não demorou muito para que a vida tomasse seu rumo.

Muito antes do que eu imaginava, surgiu na minha vida uma nova pessoa, um menino lindo - por dentro e por fora, um gato de olhos verdes! É inútil comparar pessoas, pois cada um é tão único que torna-se incomparável e insubstituível, mas o Paulo Cesar é tão amor da minha vida, tão "alma gêmea", tão "o que eu queria ser se fosse menino", que a única coisa que posso dizer é que sou uma pessoa de muita sorte, porque tive o privilégio de ter dois grandes amores na vida, e detalhe: sem que um atrapalhasse em nada o outro ;)

A marca do que foi vivido fica, como uma cicatriz, não tem como esquecer - o Digão fala que tatuagem é uma cicatriz bonita... em outubro o sol que tenho nas costas também vai fazer 10 anos...

Sou muito grata às pessoas que me ajudaram a situar toda essa história, sou orgulhosa de mim mesma por ter superado e aprendido com uma coisa que para muitas pessoas fica apenas no plano da "tragédia". O luto é essencial, e leva tempo, no meu caso foram uns dois meses. Mas depois, bola pra frente que atrás vem gente! E como vem!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

E viveram felizes para sempre!

Esse fim de semana foi casamenteiro: fui a um na sexta e outro no sábado. Além disso, o meu aniversário de casamento se aproxima e o assunto está bem em pauta!

Os dois casamentos que fui foram bem diferentes um do outro e ambos bem diferentes do meu, mas em todos eles tinha uma atmosfera de muita alegria, que faz bem, revigora e dá esperança.

O casamento da sexta foi do Felipe com a Nathana. O Fê é meu colega de yôga em Itu e a galera do SwáSthya compareceu em peso! A cerimônia religiosa foi nos moldes tradicionais, católica, com direito a marcha nupcial tocada ao vivo, muito bonito. Mas o que mais gostei foi do beijo (aquela hora que o padre fala: “Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva”), foi um beijo de verdade, com paixão – e línguas! Afinal, acho que não dá pra dar um beijo com paixão, sem línguas! E o legal é que depois do beijo o padre deu uma cutucada: “quero ver esse mesmo entusiasmo daqui a dez anos!”. Ele falou num tom alegre, sem repreensão, desejando de fato que o casal mantenha acesa essa chama ao longo dos anos.

O casamento do sábado foi do Vítor com a Cami, que são aqueles amigos de amigos que acabam ficando também amigos. A cerimônia religiosa deles foi budista e eu nunca tinha participado de uma. Fiquei encantada! Quem celebrou foi uma Lama – outra coisa diferente, pois eu também nunca tinha visto uma mulher celebrar um casamento.

E é por causa dessa novidade toda que esse segundo casório vai ganhar algumas linhas a mais aqui no Aralume (e também a ilustração), pois, como já disse, o que era realmente importante – amor, alegria, felicidade – estava presente nos dois.

O budismo é uma religião bastante diferente e especial. Não conheço muito bem nenhuma religião, mas se eu fosse optar por alguma, certamente seria essa (esse papo de optar por uma religião fica pra outra hora, rs...). Mas, enfim, o que me cativou na cerimônia budista foi que a Lama começou o “discurso” falando da impermanência da vida. Em uma situação onde comumente se enaltece o amor eterno, o “para sempre”, a fala dela foi exatamente na via oposta.

Vou tentar colocar aqui as idéias principais... a primeira é que estamos nesse mundo “de passagem”, que a vida é curta, que tudo é mutável e o que realmente importa é o dia de hoje. Esse é o dia mais importante. E uma vez conscientes disso, o que devemos fazer é aproveitar ao máximo esse dia. Nesse ponto ela disse “eu não sei por quanto tempo vocês vão ficar juntos, isso não importa, o que importa é viver plenamente o dia de hoje”. Isso chamou muito a minha atenção, porque o foco aqui não é fazer com que o jovem casal se comprometa com promessas que eles não sabem se vão conseguir cumprir. Aliás, o casal não abre a boca, não jura nada, não declara nada. Eles simplesmente recebem os ensinamentos e homenageiam silenciosamente seus pais e padrinhos.

A Lama também frisou a importância de identificar o verdadeiro amor, que é um sentimento de dentro pra fora, e não aquela necessidade de ser amado, ser correspondido. Amar verdadeiramente é enxergar que cada ser tem uma essência muito especial, que merece ser amada. Amar verdadeiramente é desejar a felicidade da pessoa amada, e fazer com que ela aconteça.

Quando exercitamos esse sentimento, o verdadeiro amor, todos à nossa volta se beneficiam, todos sentem essa emanação positiva. E isso enche de satisfação, completa, nutre. Do que mais você precisa?

Agora divagações minhas, inspiradas nas vivências: talvez a grande sabedoria esteja em conseguir estabelecer o que realmente importa. Dado que essa vida é passageira, curta e que daqui nada se leva (isso a Lama disse também), o que realmente importa?
Eu me pergunto muito “Eu preciso disso?”, “Pra quê?”. Praticar o desapego e, ainda assim, viver em sociedade, não é fácil. Eu considero que a vida em sociedade seja importante, o ser humano é um animal social, gosta de viver em bando, precisa viver em bando.

Mas esse turbilhão que é a vida em sociedade faz com que a gente se afaste muito facilmente do que realmente importa. É preciso estar muito atento. É preciso cuidar das relações, não só da de casal, mas das relações entre amigos, entre família, entre vizinhos (?!), entre colegas. Na verdade, segundo a Lama, praticar o amor independe de “com quem”. Quem ama, ama e pronto! Claro que não é assim tão fácil, pois tem muitas pessoas e situações que realmente nos tiram do sério. Faz parte da caminhada. Para ilustrar um pouco isso, encerro com uma frase de Patañjali, o codificador do Yôga Clássico:

"A serenidade da consciência é obtida mediante o cultivo da amizade, compaixão, alegria e indiferença, respectivamente aos que são felizes, infelizes, bons e maus".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O mundo está grávido!


Não, eu não estou grávida. Nem pretendo tão cedo... mas estou numa fase em que as pessoas da minha faixa etária "resolveram" procriar! Já há algum tempo tenho "notícias isoladas" de contemporâneos se multiplicando, mas agora está acontecendo uma verdadeira avalanche. Até a personagem do seriado que estou assistindo anda às voltas com uma barriga e muito enjoo.

E nesse cenário não tem como não pensar sobre o assunto. Vou confessar que já fui mais xiita, e me ver assim "amolecendo", me preocupa, rs... esse fim de semana conheci o filhote de uma amiga da faculdade, a Teluíra. Que neném fofo! Ele é tão risonho, lindinho e fofinho... e a Telu tá tão feliz, realizando sonhos, mudando de vida. Me peguei pensando: "por que não?!".

Na minha fase mais xiita, meu principal argumento - usado comigo mesma - era de que o mundo já está estufado de gente, e que aumentar essa população seria um ato insano com o planeta e com os próprios seres a se integrarem nessa loucura. Para mim o ímpeto de ter filhos nada mais era do que uma manifestação do gene egoísta (isso é sério, se não conhece, corra pro Google!). Um ato egóico de preservar sua carga genética em detrimento de toda uma espécie - ou de centenas de milhares de espécies, já que a nossa faz o que quer com todo o resto.

Ok, calma, essa fase já passou. Passou porque eu entendo que é preciso colocar no mundo pessoas bacanas, filhas de pessoas bacanas, pra ver se conseguimos pelo menos chegar naquele trecho onde é possível vislumbrar um tantinho de luz no fim do túnel. E além disso eu já estou desistindo de levar a vida muito "ao pé da letra"; faça isso, não faça aquilo.
Tá, mas se não é por "convicção ideológica", o que me faz sentir uma preocupação - pra não dizer pânico - ao me deparar com a possibilidade de uma vontade de um dia ser mãe? Em primeiro lugar é medo. Medo de passar mal, medo de ficar cheia de frescura, medo de não conseguir fazer as coisas que eu sempre fiz - e, mais ainda, as coisas que eu não fiz e que morro de vontade de fazer! Medo de sentir dor, medo de ver o meu corpo mudar, medo de me sentir vulnerável, medo de depositar uma carga muito grande de felicidade e expectativa em uma coisinha miúda, que vai crescendo e cria asas. Medo de ver meus medos espelhados num ser que para mim deveria refletir a perfeição.

Isso não é pouca coisa... mas ainda tem mais: também sinto muita preguiça. Preguiça de ouvir conselhos, preguiça de refazer rotinas, preguiça de pesquisar - mãe moderna pesquisa, e muito! Preguiça de pensar que vou passar noites sem dormir - pro resto da vida! Preguiça de explicar pras pessoas porque não vou dar carne pro meu filho. E por aí vai.
Enquanto isso eu me divirto com sobrinhos e filhos de amigos. E vou tentando fazer as coisas que eu acho que não conseguiria fazer se tivesse que cuidar de criança. Quanto aos medos, não sei se tem muito jeito... desconfio que toda mãe e todo pai carrega esse sofrimento, essa angústia, nem que seja lá no fundo. E mesmo assim dizem que é a melhor experiência da vida (experiência nada, que não existe "experiência" pro resto da vida!). Vai entender...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O sonho acabou

É o que acontece quando a gente acorda. E geralmente é uma sensação de alívio que vem nessa hora, por mais que o sonho tenha sido bom. Nada como a realidade!

E está sendo assim com o fim da Sempre Viva Orgânicos. O empreendimento relâmpago foi um sonho bom. Nunca vou esquecer de uma das primeiras vezes que eu estava na horta, trabalhando sozinha tirando uns matinhos, quando o S. Klaus (dono do sítio) chegou e puxou um papo, comentando como era bom mexer com a terra. Aí logo em sequida ele perguntou: "e na vida real, o que você faz?"... achei aquilo engraçado e pensei: "será que ele acha que eu to brincando aqui?!". Mas ele tinha razão. A horta foi muito mais um hobbie, uma diversão, um passatempo, do que um negócio.

Só que quando a diversão começa a ter muitas cobranças e compromissos e, pior ainda, consome uma verba que não estava nos planos, deixa de ser diversão. Mesmo que eu não quisesse que fosse só diversão; por mais que eu quisesse ser realmente uma agricultora, uma empresária do "agro-eco-negócio", a entrega não foi suficiente. Faltou perna. Aliás, faltou perna, braço, cabeça. Faltou estar presente.

Aprendi na pele, na prática, que não dá pra ter duas profissões e se dar bem nas duas. Ou você é bom em uma coisa, ou não é em nenhuma! Outra lição importante é que pra "mudar de ramo" - ou de galho, ou de árvore! - é preciso ter cacife. Tem que ter uma reserva financeira considerável, porque nenhum começo é fácil. E justamente porque nenhum começo é fácil que esse começo é tão importante em termos de entrega. Tem que suar a camisa mesmo! E não dá pra fazer isso com um pé em cada canoa...

Enfim, na decisão de ou ela ou eu, a engenharia florestal ganhou. Eu gostaria que o outro caminho tivesse sido mais longevo, mas olhando pra trás eu vejo que do jeito que começou, não daria mesmo.

Lucro financeiro líquido não houve, mas os aprendizados superam qualquer prejuízo e, no balanço final, eu fico com a minha querida profissão, aquela do "deproma". Olhando esse saldo eu vejo o quanto sou privilegiada, e afasto aquela nuvenzinha de frustração. Os afazeres cotidianos aos poucos apagam as lembranças daquele sonho que foi desfeito, e daqui a pouco é noite de novo, outros sonhos virão.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Profissionalismo, tradição e tecnologia

Estava eu nos afazeres computacionais cotidianos, quando um amigo que eu não conversava há muito tempo me chamou no msn. Ele é músico e está no Japão divulgando seu trabalho.

Quando eu perguntei como estava por lá ele me respondeu que está adorando e que os nipônicos sabem reconhecer e dar o merecido respeito a um artista, muito diferente do que infelizmente acontece no Brasil, pois nós estamos habituados a tratar como "artistas" qualquer celebridade instantânea, faça ela arte ou não. E aos verdadeiros artistas muitas vezes resta o anonimato. O problema não é o anonimato em si, mas a falta de espaço, de divulgação, de reconhecimento e, é claro, de grana, patrocínios e parcerias para impulsionar a carreira.

Mas ele resumiu muito bem o que define a cultura lá do outro lado do mundo, e que faz essa diferença no tratamento dos artistas: eles tem profissionalismo, tradição e tecnologia! Poxa, com essas três caracterísiticas realmente qualquer cenário fica ideal. Eu ainda trocaria a "tradição" por "cultura", já que "tradição" pode assumir um lado meio careta, e no contexto que ele quis dizer, "cultura" se encaixa perfeitamente.

Percebi que intuitivamente eu já venho buscando incorporar esses valores na minha vida, mas nada como definir e colocar claramente em palavras. Artistas ou não, quem não se beneficia de levar a vida com profissionalismo (inclua aí o conceito de ética), cultura (que certamente abrange educação, estudo e "open mind") e tecnologia (não estou falando simplesmente de iPhone, mas das tecnologias muitas vezes simples, que melhoram as nossas vidas; das grandes sacadas, que levam em conta todas as partes do processo)?

E cabe bem nessa conversa o vídeo "A história das coisas" (http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E). Assista. São 20 minutos que vão abrir sua cabeça e expandir seus pontos de vista. O vídeo é americano e toma como exemplo essa sociedade, mas vale lembrar que apesar de estarmos no terceiro mundo - ou país em desenvolvimento, como queiram - a desigualdade social do Brasil pode nos colocar (esse nos refere-se a eu e você) em um patamar muito próximo ao dos nossos companheiros ianques. Eu tenho consciência de que faço parte de uma elite (e olha que nem tenho casa própria!), e provavelmente você também faz... think about...

Ah, sim, o meu amigo músico é o Julian Tirado, grande violonista, compositor e arranjador. Conheça um pouco do seu trabalho em www.myspace.com/juliantirado

terça-feira, 7 de julho de 2009

Tocando em frente!



Não ando tão devagar, na verdade, estou andando cada vez mais rápido, mas levo sim um sorriso; não porque já chorei demais (embora tenha sim chorado), mas porque a alegria sinceraé um dos alicerces da filosofia de vida que escolhi: o SwáSthya Yôga.

Hoje me sinto mais forte e, com certeza, mais feliz. Levo a certeza de que nada sei, de que não sou nada, nunca serei nada, mas à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo! E está cada vez mais claro para mim que é preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir e é preciso a chuva para florir!

Nada mais sábio do que entender que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente. O segredo está em "compreender a marcha"... mas cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz!

Obrigada Almir Sater e Renato Teixeira por nos lembrarem disso tudo e, Almir, por ter vindo aqui pertinho, na praça a poucos quarteirões de casa, cantar e tocar pra nós!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Interdependência

Recebemos ontem a revista Trip desse mês, e o tema da edição é Interdependência. Ainda não li a matéria inteira, mas pelos parágrafos que captei enquanto tomava café, já deu pra ver que mais uma vez os caras acertaram. É urgente nos darmos conta do quanto somos interconectados, e não apenas entre os seres humanos, mas entre todas as formas vivas e não vivas do planeta.

O caos na economia reflete um caos geral na humanidade, que por sua vez está gerando um caos no mundo inteiro. Eles citam o exemplo da tal gripe suína (sem eufemismos de influenza sei-lá-o-que, pelamordedeus, a gripe é suína sim!). A questão para resolver essa epidemia não é gastar fortunas para descobrir uma vacina, um remédio. É muito mais simples: basta parar de criar porcos nesse sistema absurdo, com uma densidade de animais altíssima e péssimas condições de higiene, alimentação e medicação para esses bichos!!!

Mais uma vez vem à tona a questão da alimentação e, sim, eu acredito que o mundo seria muito melhor se fôssemos todos vegetarianos. Mas não precisa chegar a esse extremo, basta comer uma carne decente. Uma carne de bichos criados com um mínimo de respeito. Respeito às suas próprias vidas, às vidas de quem trabalha com eles, às vidas do entorno (florestas, rios, comunidades). Não é tão difícil...

Pra encerrar, uma frase da matéria da Trip: dependência é infantil, independência é adolescente e interdependência é a maturidade!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Eu vou em busca de um sonho


Quase como correr atrás daquele pote de ouro que tem no começo do arco íris, eu vou em busca de um sonho. Sei que a existência do tal pote é mais temporal do que geográfica, uma vez que ele não existe no espaço, mas sim dentro da gente. E ele está aqui o tempo todo, mas muitas vezes não o enxergamos, não o alcançamos... e às vezes parece que está tão perto.


"O melhor lugar do mundo é aqui, e agora". Mas essa sábia frase não nos dia para que nos conformemos com o aqui e o agora. Pelo menos eu não a entendo assim. Entendo que devemos usar o nosso livre arbítrio para definir o aqui e o agora. E quando sabemos que estamos pelo menos trabalhando para definir o nosso aqui e o nosso agora - mesmo que nesse exato momento a gente não esteja no tal lugar, nem no tal momento - isso nos dá uma paz interior que nos faz nos sentir no melhor lugar do mundo, agora! Como mágica, como um pote de ouro no começo do arco íris!