Mostrando postagens com marcador autores convidados. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador autores convidados. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de março de 2012

Los Roques - por Luciane Botelho

A ideia de ter autores convidados aqui no Aralume já estava quase sumindo, fraquinha, fraquinha, mas eu mantenho meu radar ligado e sempre que vejo uma brecha, ofereço o espaço (mas se por acaso eu não vir, ofereça-se!). E nada como topar com uma pessoa agilizada, prática e determinada! Minha querida amiga, madrinha e afilhada de casamento, Luciane Botelho, acaba de voltar das férias e diz, num comentário despretensioso, que se eu quisesse ela me mandaria o texto com as informações da viagem. Ah, não deu outra! A seguir você confere o relato, super completo, detalhado e ricamente ilustrado! Mas antes, a tradicional introdução dos autores convidados:

Como conheci a Luciane
Essa amizade começou há duas gerações, com a amizade da Vó Guara (mãe da minha mãe) e do Vô Vespa (pai da mãe da Lu). As filhas também foram amigas e tem até foto delas crianças na piscina do Clube Literário (lá mesmo onde eu casei! Nada como ser quatrocentona, rs...)! Talvez a primeira memória que eu tenha da Lu seja lá no sítio de Pedra Bela, nós, a Ana (minha irmã) e o Tales (irmão dela), tocando o terror no Paiol de Telha! A Lu sempre foi a mais corajosa e fazia coisas inacreditáveis, como descer uma ladeira enooooooorme de bicicleta, escorregar no tobogã gigaaaaaaaaante do Jardim Público, ficar dependurada de cabeça pra baixo nas árvores onde brincávamos. Continuamos amigas pela adolescência afora, unidas pela identificação de ser filhas de pais separados e meio maluquinhos ("meio" foi bondade minha, rs...). Depois saímos de Bragança pra estudar e nossos encontros ficaram mais raros, mas trazem aquela sensação de que nos vimos ontem!

Como conheci a Carolina
A história de como conheci a Carolina começa há uns 50 anos atrás, quando nossos avós viraram amigos, depois nossas mães viraram amigas e em 1989 fomos apresentadas na casa da vó dela. Desde o primeiro momento a gente simpatizou uma com a outra e nos tornamos amigas, e mesmo nunca estudando na mesma sala de aula a gente sempre estava brincando juntas. A gente também ia para o sítio dela e aproveitava muito lá. Depois eu mudei de cidade, mas mesmo assim ela ia na minha casa passar o final de semana de vez em quando. Aí veio a época da faculdade e a Carol foi para Piracicaba e eu para São Paulo, mas apesar da distância a gente sempre se falava e quando dava se encontrava. A vida de criança era bem melhor, agora virou tudo uma correria, ainda bem que tem o blog e o facebook para diminuir a distância.


Los Roques

Decidi ir para Los Roques em abril 2011, depois de ver algumas fotos onde o lugar parecia o paraíso. Já fazia tempo que eu queria visitar o Caribe, mas meu marido relutava em ir para um lugar com resorts comerciais e praias lotadas. Alguém me disse que Los Roques era tipo Fernando de Noronha há 20 anos. Comprei as passagens com milhas smiles em julho de 2011, vôo gol. Esse vôo para Caracas é diário e sai às 11 h.

A data escolhida foi o carnaval de 2012, por isso a antecedência para trocar as milhas. Comecei a pesquisar sobre o lugar e tem muita coisa na internet, vários blogs davam dicas e acho que isso ajudou a nâo sermos engambelados em nenhum momento. Ficamos sabendo de uma pousada chamada La Cigala e reservamos, eles também reservam o vôo para Los Roques. No começo da negociação eu comecei a implicar com o horário do vôo Caracas-Los Roques-Caracas, pois eu queria ficar o mínimo em Caracas. Nessa de negociar o horário do vôo eu perdi minha reseva 40 dias antes da viagem. Ai o que eu fiz foi mandar email para várias pousadas, mas a maioria estava cheia, uma muito boa que ainda tinha vaga chamava Malibu, mas custava $200 por pessoa a diária com pensão completa. Nessa altura do campeonato sabia que se eu não arrumasse pousada e vôo Caracas-Los Roques-Caracas meu marido ia surtar, pois a organização da viagem tinha ficado por minha conta. Foi assim que decidi seguir uma das dicas que vi na internet e recorrer aos serviços do Jesus Contreras (je_1971@hotmail.com), vários blogs diziam que ele era um faz tudo na ilha. Então o Jesus acabou fechando nosso vôo Caracas-Los Roques-Caracas, pernoite em Caracas já que não daria para pegar o vôo no mesmo dia e nossa pousada (el paraiso azul) por $120 por pessoa incluindo café da manha e jantar. Eu tinha que transferir 20% do valor total para a conta do Jesus, mas ele me deu umas coordenadas tão enroladas que o gerente do banco do Brasil não entendeu e como faltava pouco tempo o Jesus falou que confiava em mim e que eu poderia acertar tudo em dólar quando eu chegasse. Então viajei na confiança, ficava imaginando se eu chegasse em Caracas e não tivesse o tal translado ou as passagens... mas depois de quase 6 horas de vôo cheguei em Caracas e deu tudo certo. Passei bem rápido pela imigração e fomos pegar a mochila do meu marido na esteira, já que eu fiz uma mochila bem pequena e carreguei no avião mesmo. A mochila dele era maior por conta dos snorkels. Saindo do portão de desembarque já vieram vários funcionários do aeroporto querendo trocar bolívares (moeda local) por dólares. Uma amiga que veio recentemente disse que conseguiu um cambio de 1 dólar para 8 bolívares, mas no aeroporto inicialmente queriam me vender por 1:6,5 ai eu disse meu preço e o cara topou então troquei $100, o suficiente para passar o resto do dia em Caracas e pagar a taxa de entrada em Los Roques que é de 180 bolívares. Toda essa loucura de troca de moeda acontece, pois no câmbio oficial 1 dólar vale só 4,5 bolívares, então todo mundo recorre ao câmbio negro.

Logo em seguida chegou nosso transfer para o hotel la parada que fica bem pertinho do aeroporto, custou $100 a diária do casal. O bairro onde fica o aeroporto é bem feio e o hotel foi gentilmente apelido por nós por el pulgueiro, mas fiquem calmos porque não tinha pulgas, era apenas um lugar simples num vizinhança precária.




Nesse dia o restaurante do hotel estava fechado e tivemos que sair procurando onde jantar. Opção 1 era um restaurante chamado el braseiro, o lugar era mais sujo e feio que qualquer botequim do centro de sampa. Desistimos e fomos na padaria da frente, mas não tinha quase nada ai vimos um subway perto e fomos até lá comer um lanche, pagamos 86 bolivares. De barriga cheia voltamos para o el pulgueiro e decidimos dormir, pois nosso vôo para Los Roques saia 6h. Acordamos 4h e pegamos o transfer 4:30h. Ainda estava tudo escuro quando nos deixaram no terminal nacional que fica ao lado do internacional. É possível ir andando por dentro do aeroporto de um terminal para o outro. Começou o check in e varias pessoas tiveram que pagar excesso de bagagem, pois o limite por passageiro é 10kg. No check in foi só mostrar o passaporte e pegar o ticket, pois o Jesus já tinha acertado tudo. Reparem que até esse momento eu só conhecia o Jesus por email e não tinha pago um tostão por nada ainda. No embarque vale a pena ficar na frente da fila para escolher um lugar legal no avião, a passagem não vem com número de poltrona, cada um senta onde quer, e ai a dica e sentar do lado esquerdo do avião , pois dá para ver Los Roques do alto e o visual é de tirar o fôlego. Quase não conseguimos, porque o embarque foi uma muvuca e olha que a companhia que voamos era a melhor (aerotuy- http://www.tuy.com) e o avião o maior (48 lugares). A passagem saiu por $330 ida e volta, parece que da para conseguir por $250, mas só na baixa temporada. Outras empresas que fazem o trecho são a chapi air e a Jomicol (perguntei o preço depois no guichê da Jomicol e o preço era $320 ida e volta). A gente preferiu a aerotuy porque disseram que as outras empresas tinham aviões muito pequenos e que sacudiam muito.




Quando chegamos na ilha pagamos a taxa e ficamos aguardando a mochila maior que foi despachada. Em Los Roques não tem aeroporto, é só uma pista de pouso e alguém da companhia descarrega o avião e coloca as malas na pista mesmo. Todas as malas ficam enfileiradas e ai vem um labrador com o uniforme da policia escrito comando anti-drogas e fareja tudo. Então é bom não colocar nenhum toucinho ou qualquer outra coisa diferente na mala, pois a versão venezuelana do Marley vai achar!




Após pegar a mala finalmente vi o Jesus nos esperando. Então ele nos acompanhou até a pousada e já ofereceu um passeio para o dia. Pagamos todas as reservas feitas por ele e alguns passeios que decidimos. Deixamos as coisas na pousada e nos trocamos, 9h já estávamos no Porto de onde saem as lanchas.

No primeiro dia escolhemos uma praia perto chamada francisqui, essa praia fica a uns 10 minutos da ilha de Gran Roque e tem um restaurante que vende peixe, camarão e lagosta. Logo que chega já é bom reservar o prato. A lagosta custava 240 bolívares e o camarão ou o peixe 120 bolívares. Acompanha uns pãezinhos, optamos pelo camarão, mas veio bem pouco. A partir desse dia resolvemos encomendar a cava na pousada. Todas as pousadas oferecem cava e geralmente dentro delas tem bebidas, frutas, uma refeição leve, petiscos e muito gelo. Vale a pena porque ninguém merece passar o dia bebendo água quente, sem contar que muitas praias são totalmente desertas e ai a cava é fundamental. Pagamos $40 pela cava/dia. O dia nessa praia foi lindo e tiramos muitas fotos, também nadamos um pouco e fomos até uma lagoa natural fazer snorkel. As 17h a lancha veio nos buscar. Pagamos por esse passeio 140 bolívares o casal já incluído guarda sol e cadeiras.

Quando chegamos na pousada à noite nossas coisas já estavam no quarto. Corri pro banho e para minha surpresa estava faltando água, parece que quando tem muita gente na ilha isso acontece, mas beleza, porque ainda saia um filete de água e junto com umas garrafas de água que meu marido encheu consegui tomar banho. Às 19:30h a pousada serviu o jantar, como os donos da nossa pousada são italianos comemos primeiro e segundo prato, depois uma sobremesa. Aliás, achamos as comidas da nossa pousada muito boas, ponto forte do El Paraiso Azul, depois descobri que o chefe era ex-dono de restaurante em Bologna e havia comprado uma pousada há 7 anos, mas que até o momento não tinha tomado posse da pousada, pois foi enrolado pelos antigos donos. Enquanto isso ficava com a esposa trabalhando na nossa pousada.




No segundo dia acordamos cedo (ainda estávamos no fuso brasileiro que são 2h e 30 minutos a mais) e fomos procurar wifi para ver emails. Algumas pousadas liberam wifi, como a nossa não tinha ficamos com o iPhone na frente da acuarena. Às 8h serviram o café da manhã, nada muito luxuoso, mas foi bem gostoso. Na hora de sair perguntei pela cava, mas eles esqueceram. Novamente 9h estávamos na frente do porto preparados para o segundo passeio. Escolhemos a praia de Crasqui que fica a 30 minutos da ilha de Gran Roque. Para nossa sorte levamos água e um casal brasileiro montou o guarda sol ao lado do nosso com uma cava enorme, muito gentis cederam um lugar para nossa água gelar. Essa praia é bem selvagem, mas tem umas casas de pescadores transformadas em restaurante. Achamos uma casa bem legal, ao lado do simpático galpão tinha umas árvores que refrescavam o lugar e serviam de abrigo para umas barracas, isso mesmo aquilo também servia de camping. Não me agüentei e fui perguntar quanto custava para acampar de frente para praia, afinal alguém poderia querer uma dica barata de hospedagem. A dona do lugar disse que não pagava nada, mas que se quisesse a pensão completa + banho saia por 350 bolívares ($34).




Reservamos nosso peixe para as 13h, pagamos pela refeição do casal 290 bolívares e dessa vez foi bem generosa. Depois do almoço eu revezei entre olhar o mar e nadar naquelas águas azuis e tranquilas, um pedaço do Caribe selvagem. Novamente as 17 h a lancha passou nos pegar. Banho igual ao dia anterior e jantar ainda melhor que no primeiro dia (tirei umas fotos dos pratos).

No terceiro dia fizemos um passeio que custou 320 bolívares o casal. Fomos para sebastiopol e cayo muerto. O legal desse passeio é a paisagem e o mergulho de snorkel. Na volta o barqueiro deixou a gente e um grupo de gaúchos num banco de areia no meio do mar. Esse grupo de gaúchos também tinha fechado os voos e a pousada com o Jesus e também pagaram só quando chegaram na ilha. De repente tudo ficou cinza e começou a ventar e chover, durou uns 20 minutos e o sol voltou. No fim da tarde voltamos a Gran Roque e jantamos muito bem na companhia de um casal argentino (por sinal os dois eram gente finíssimas e o Argentino já disse que vem para o Brasil em 2014 para a copa do mundo, falou que vai ficar em casa).


No quarto dia fomos com o grupo de gaúchos mergulhar em boca de cote. O mergulho até que foi bom, mas achei a visibilidade pior que a de Noronha, talvez porque choveu no dia anterior. Depois de 2 descidas fomos para crasqui e ficamos lá o resto do dia . Pagamos pelo mergulho 100 dólares cada e pelo passeio em crasqui 200 bolívares o casal.




No quinto dia fomos a famosa praia de cayo de água, o lugar é lindo e compensa a distância que percorremos. O trajeto durou quase 2h, pois passamos em mosquise, que é uma praia com um viveiro de tartarugas. Depois de passar o dia em cayo de agua voltamos e o barqueiro parou em espenqui para um mergulho. Pagamos por esse passeio 320 bolivares o casal.




No sexto dia fomos a noronsqui, a praia é bem calma e é possível ver umas tartarugas no lugar. Nadamos muito nessa praia, pois bem na frente da praia tem uma ilhota, fizemos o trajeto de ida e volta da ilhota em 25 minutos. Esse passeio custou 200 bolivares o casal.



No último dia escolhemos uma praia perto chamada madrisqui, mas o barqueiro só passou por lá e deixou a gente em francisqui. Como era domingo madrisqui estava lotada e achei melhor ficar em francisqui. Ficamos lá até as 13h e voltamos para a pousada, arrumamos tudo e fomos para o check in da aerotuy. Nosso vôo saiu pontualmente 15h e chegamos em Caracas pelo aeroporto internacional com desembarque pelo nacional. Pegamos a mala e fomos caminhando por dentro do aeroporto do terminal nacional para o internacional.




No aeroporto paramos num restaurante recém inaugurado chamado fórmula 1 e comemos super bem por 300 bolívares, vale muito a pena parar nesse lugar, pois o ambiente é bem legal. Depois fomos para a fila do check in da gol e para o embarque. Todos dizem que não tem nada no free shop de Caracas, mas no dia que passei por lá até que estava cheio de coisas. O detalhe é que só vale a pena fazer compras lá se for para comprar em bolívares. O dutyfree tinha perfumes, cremes, bebidas e eletrônicos. Comprei 2 vinhos que valeram muito a pena, até me arrependi de ter poucos bolívares para gastar.

Fomos tão abençoados que sei lá como voltamos na classe executiva, acho que venderam meu assento na classe econômica. Isso também deu direito a esperar pelo vôo na sala VIP, achei o máximo, pois tinha vários lanches e bebidas, além de wifi!

Em resumo achei a viagem ótima e o lugar superou minhas expectativas. Espero que esse relato seja útil e desperte sua curiosidade para conhecer Los Roques.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

As florestas das sequóias - Por João Batista

É com muita felicidade que retomo a ideia de ter postagens de colaboradores aqui no Aralume! Pra quem não sabe do que se trata, leia o artigo "Terceira temporada". Apesar do projeto não ter emplacado muito, já contamos com colaboradores ilustres como a minha irmã Ana Clara, o meu ídolo Chico Buarque (?!), meu marido Paulo Cesar e minha amiga e cunhada Carolina Mendes.

A postagem dessa semana surgiu de um e-mail que recebi, comentando a postagem da semana passada... mas esse e-mail veio de uma pessoa tão especial, o texto é tão lindo e tem informações que eu queria muito compartilhar, que na hora pensei: vai entrar como postagem! Aí foi só pedir um "Como conheci a Carolina" e pronto, estava criada a postagem! Ah, vale lembrar que eu primeiro escrevo o "Como conheci", para depois ler a versão do convidado... acaba ficando uma brincadeira interessante!

Como conheci o João
Eu "conheci" o João em diversos momentos... o primeiro deles foi, provavelmente, na primeira aula do curso de Engenharia Florestal, quando conhecemos alguns dos professores... acho que ele estava lá. A segunda vez foi na primeira aula da matéria de Bioestatística, que ele foi fazer uma "participação especial", tentando mostrar pra gente que aquilo tudo nos seria importante um dia, rs... Depois veio o momento que iniciou um contato mais longo, durante a disciplina de Mensuração Florestal (na época chamava Dendrometria), que ele é o professor responsável. Mesmo estando em um curso de engenharia, as matérias exatas sempre causaram certo frio na barriga nos alunos, mas não era muito o meu caso, pois sempre gostei de números. Lembro da parábola do elefante, que o João costumava usar (não sei se ainda usa) em suas aulas inaugurais: não adianta querer comer um elefante inteiro, de uma vez... divida em pedaços e vá comendo e digerindo aos poucos... acho que tinha mais coisa... mas até que dei conta do elefante! Tanto que mais tarde eu viria a ter o João como meu orientador no mestrado, e foi aí que tivemos um contato mais próximo; foi aí que a admiração que eu já sentia por ele ficou ainda maior. Quem é leitor assíduo do Aralume já sabe e por isso não vou me estender mais nas apresentações! (leia mais sobre essa história aqui).

Como conheci a Carolina
A primeira vez que nos encontramos foi como professor e aluna. Foi na disciplina de Mensuração Florestal que eu leciono para o terceiro ano de Engenharia Florestal. Mas esse contato foi bastante "formal" e de um relacionamento relativamente "distante". Afinal, eram mais de quarenta alunos na turma.

A segunda vez, também foi como professor e aluna, mas dessa vez num contato mais próximo. A Carolina resolveu fazer mestrado, num "tema quantitativo" e o Ricardo Rodrigues, que ela havia escolhido como orientador, me sugeriu como CO-orientador. Bem!. . . Eu forcei a barra para que eu fosse o orientador!! O tema me interessava muito e eu temia que apenas como co-orientador não tivesse autoridade para levar a Carolina a se desenvolver nas técnicas e ferramentas quantitativas necessárias ao tema. Eu tinha uma boa impressão dela como aluna, e o Ricardo confirmou que ela era uma pessoa excelente de trabalhar.

Não me arrependo de ter "forçado a barra". Como orientador trabalhamos de forma muito próxima e tive a oportunidade de conhecê-la melhor. A "boa impressão como aluna" se
desenvolveu inicialmente numa verdadeira admiração como profissional e, depois, admiração como pessoa. Surgiu, então, essa amizade que eu prezo tanto e que permanece, mesmo que hoje nos encontremos tão pouco.

E ... Ah! Sim! A dissertação de mestrado da Carolina foi excelente! Superou as minhas expectativas e as do Ricardo Rodrigues que ficou como co-orientador.

As florestas de sequóias
(como essa postagem veio de um e-mail, o título fui eu que dei e abaixo segue o tal e-mail, na íntegra - grifos meus)

De: Joao Luis Ferreira Batista
Data: 10 de setembro de 2010 16:36
Assunto: Re: Simplicidade de Engenheiro
Para: Carolina Mathias Moreira

Oi Carol,

Puxa! Dando uma "faxina" nos meus emails descobri que não tinha respondido esse seu email. No dia-a-dia, com frequência eu "deixo para depois" emails que não são de trabalho e acabo por me esquecer. Peço desculpas!

Mas agora eu entrei no Aralume e gostei da sua última mensagem de 07 de setembro. As sequóias são impressionantes de fato. Não sei se você sabe mas há duas espécies de sequoia no norte da California. A Sequoia sempervirens é geralmente mais grossa, mas um pouco mais baixa. São elas que os Norte-americanos chamam de sequoia e um lugar lindo para vê-las é o Sequoia National Parque. A Sequoia gigantea é geralmente menos grossa mas atinge as maiores
alturas e fica geralmente em florestas bem próximas ao mar. Os Norte-americanos a chamam de "redwood" e eles tem um lindo parque junto ao mar que chama Redwood National Park. Nesse parque eu caminhei numa das trilhas mais lindas que eu já vi.

Abaixo das sequoias existe um sub-bosque luxuriante, com muitas samambaias e arbustos altos de rododendron, que estavam cobertos de suas flores cor-de-rosa. Era o meio do verão (agosto), mas a temperatura era agradável e dava para sentir a brisa com cheiro de mar no meio da floresta. De reqpente, a neblina marinha tomava a floresta e a luz do sol penetrava a floresta em raios filtrados pelo verde das sequóias. Só eu e a Débora caminhando. Parecia que estávamos num conto de fadas!! Nós simplesmente não falávamos, estávamos maravilhados! Uma das experiências mais maravilhosas que tive!

Não se deixe levar pelos nossos preconceitos da "terra do Tio Sam". Os Norte-americanos são gente boa e vale a pena visitar o país deles, principalmente se você quiser conhecer a Natureza! A infraestrutura para visitar os parques é fantástica.

Abraços,

João Luís


Esses são o João, a Débora e sua filhota Michelle, no nosso casamento.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Declaração para a Clara - por Carolina Mendes

É com muita alegria que recebo mais um texto para publicar aqui no Aralume! É sobre um assunto cada vez mais recorrente na minha vida, que até já foi tema de outra postagem (procura lá nos arquivos, rs...), mas nada como ter a visão do "outro lado"! E lado, nesse caso, não se refere a você lá e eu aqui, mas à linha que separa quem já viveu (ou está vivendo) de quem só imagina como é. Se você já viveu, reviva; se está vivendo, conte como está sendo; e se não viveu, bem, vá completando sua listinha de prós e contras e quem sabe uma hora você resolva fazer o balanço para ver se vai viver ou não!

Como conheci a Carol
Foi na Ilha Anchieta, em Ubatuba, por conta de um estágio de férias. Eu já estava lá, descalça e descabelada, torrando agradavelmente ao sol, quando eis que surgem as novas integrantes da equipe: Carol e sua prima Pollyana, ambas estudantes de turismo e ambas arrastando malas de rodinhas em plena Ilha. Pensei: "meu deus, quem traz mala de rodinha pra praia?!". Mal sabia eu que aquela "pseudo-patricinha" (depois eu vi que era bem pseudo, rs...), viria a ser minha cunhada e - mais "grave" ainda - minha grande amiga, uma pessoa que eu admiro muito, que me dá lindos exemplos de generosidade, compreensão, integridade... uma companheira nos desabafos sobre a vida e a humanidade, uma aliada para encarar com otimismo e esperança o que ainda está por vir. E que venha!

Como conheci a Carol
Eu era uma outra pessoa. Eu mudei (e continuo mudando tanto). Foi na Ilha Anchieta, cheguei de mala de rodinha e cinta na barriga (tinha passado por uma lipo há pouco tempo) para passar um mês trabalhando em um programa de estágio. A Carol me olhou torto, mas aos poucos a gente foi se aproximando. Depois disso levei meu irmão numa festa e lá a Carol virou minha cunhada. Ao longo desses anos virou uma grande amiga.


Declaração para a Clara

Avisos importantes: Há algum tempo eu estou monotemática e esse será um texto feminino, não no sentido de que seja um texto só para mulheres, mas ele celebra o feminino e trata da experiência mais fantástica que eu já vivi na minha vida – estou grávida, sou mãe, no meu ventre há um pequeno ser que se forma, que baila e que me encanta diariamente. Esse texto é para Clara, minha filha, minha primeira declaração de amor pública pra ela.

Fiquei grávida de surpresa e minha primeira reação foi de medo, uma insegurança brutal. Como ia ficar o meu corpo, a minha vida, a minha relação com o homem que eu amo, com as minhas amigas, a vida profissional? Não tive uma daquelas reações lindas de novela de comemoração, eu chorei durante dois dias, até que dentro de mim as coisas foram ficando mais calmas.

Algumas coisas me ajudaram nesse processo, a alegria e o companheirismo do Marcelo (um homem realmente admirável, que alegria poder dizer isso do pai da minha filha), a fala de uma amiga que viveu a mesma situação – “Os nove meses preparam o bebê e você”, a força e a beleza do movimento de humanização do parto e uma rede de mulheres espetaculares, o grupo Materna.

Minha primeira decisão quando eu soube que estava grávida foi a de parir. Parir mesmo, sentir dor durante horas, viver as contrações, deixar minha filha sair no momento dela e pelo lugar por onde ela entrou. Eu já sabia que seria difícil, mas não tinha idéia da complexidade que é desafiar os procedimentos médicos adotados como “normais e seguros”.

Ninguém mais confia no corpo de uma mulher, na natureza das coisas, na força da vida e desse ser que quer vir ao mundo. Fazem a gente pensar que não damos conta, que é muito perigoso, e que o bebê gerado por esse corpo, não se adapta, não encaixa, não cabe e tantas outras coisas. O outro grande obstáculo é a dor . A maioria das pessoas acha que eu tenho algo de muito errado por querer viver a dor do parto. Pra que se existe anestesia? Que medo é esse de sentir dor?
A dor do parto não é uma dor de doença ou de algo errado, mas sim uma dor de processo e de transformação. E eu acho um enorme privilégio viver o parto, assim como acho arrebatador ver meu corpo se transformando enquanto prepara uma nova vida.

Tenho descoberto no meio de tudo isso a força e a beleza do meu corpo de mulher, tenho aprendido a confiar mais nele e a perceber uma perfeição e um equilíbrio que as neuras de uma sociedade moderna e doente haviam confundido.

Descobri também a solidariedade de grupos que se juntam e que lutam por uma causa, e que há muita gente reinventando, resgatando e se ajudando nessa cidade maluca que é São Paulo, seja doando coisas, repassando conhecimentos e dicas, ou simplesmente acolhendo dúvidas e questionamentos.

Quando eu soube que seria mãe de uma menina eu vivi um surto de felicidade inexplicável, meu corpo inteiro celebrava. Eu tenho a sorte de ter mulheres na minha vida que me enchem de alegria e orgulho, tenho profundo amor e admiração por muitas mulheres e isso desde já alimenta minha relação com a minha filha. Desejo que a Clara viva a beleza e a complexidade da existência feminina e que seu sentimento seja de amor e de profunda gratidão pela vida, algo como eu sinto agora.

Algumas notas:
Amo homens também, amo bichos, e expressarei esses amores em outras oportunidades.
Achei durante muito tempo que ter filhos era um ato egoísta. Hoje entendo a frase de um grande amigo: “Filhos renovam e reforçam nosso compromisso com o mundo".
Pra quem se interessou e quer saber mais sobre a humanização do parto, aqui vai:
http://www.maternidadeativa.org.br/
http://www.partodoprincipio.org.br/
http://nascendolia.blogspot.com/
http://partodochico.blogspot.com/
http://mamaeantenada.blogspot.com/

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Em Brasília, dezenove horas - por Paulo Cesar

No dia 14 de fevereiro, nós - eu e o Paulo Cesar - comemoramos nosso primeiro aniversário de casamento! Na verdade, nós começamos a comemorar no dia 13, comemoramos bastante no dia 14 e continuamos as comemorações pelo dia 15, 16, 17... até o dia 21. Comemoraram conosco (presencialmente) nossos padrinhos Chinchila e Larissa, geólogo e geógrafa parceiros de aventuras! Como não podia deixar de ser, foi mais um pretexto para uma bela viagem; arriscaria dizer que a melhor até agora. O relato fica por conta do PC e as fotos estão no nosso álbum do Picasa (http://picasaweb.google.com.br/caepece/ChapadaDosVeadeiros#).

Como conheci o Paulo Cesar:
Foi a caminho de uma cachoeira, em Botucatu. Mais tarde, naquele mesmo dia, que virou noite e madrugada, conversamos muito sobre música, viagens e piropos em geral. Sem perder tempo, começamos a namorar naquele primeiro de abril, "mentira da solidão"! De lá pra cá se vão quase nove anos... certamente a comemoração vai ser pretexto para mais uma viagem, já que namoro é namoro e casamento é casamento ;)

Em Brasília, dezenove horas

- Estamos no ar, em pleno povoado de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, fazendo uma matéria para o consistente blog Aralume, e vamos entrevistar um transeunte.
- Hei, você aí, qual o tipo de música que você prefere, melodiosa ou barulhenta?

Ah! Barulhenta né. Eu sou jovem!

- E já que estamos no Aralume, eu tenho que perguntar: De onde mesmo você conhece a Carolina?

- A Cazinha?
- Nossa, é uma bela história!
- Entre minhas andanças e mudanças (comecei duas faculdades antes de me formar engenheiro florestal), em um final de semana quando ainda estava de morada passageira por São Paulo, na difícil empreitada de esperar minha sonhada mudança para Florianópolis, resolvi acompanhar minha irmã, a Carolina (Doida), e minha mãe, em uma viagem para Botucatu. A primeira motivada por um re-encontro de colegas estagiários da Ilha Anchieta, quando eu e minha mãe aproveitamos para passarmos o final de semana na casa da Tia Neusa e do Tio Ocrinho, os quais lá residiam.
Sábado, dia 31 de março de 2001, estou lá na casa do tio Ocrinho, depois do almoço, vendo uma Tevê, quando surgem algumas meninas (supostas alunas do Tio Ocrinho, que é Professor da Engenharia Florestal da UNESP), agitando uma ida até a cachoeira da Vilma (eu acho que era esse o nome). Entre essas supostas alunas do Tio Ocrinho, eu conheci uma menina chamada Carolina (também conhecida como Katarina lá na Ilha Anchieta, na ocasião do mesmo estágio que minha querida irmã Doida fez, juntamente com minha prima Polyana, que é filha do Tio Ocrinho). Mais tarde, já na casa de umas das alunas do Tio Ocrinho e que também tinha feito o já referido estágio, fui aos poucos conhecendo melhor e me encantando com a tal Katarina...

- Eita, peraí! Oh camarada, deixa eu formular melhor, que isso aqui é um programa de rádio e o tempo é escasso.

- Produção, pode deixar que depois eu mesmo vou acompanhar a edição do áudio, vamos continuar normalmente...

- Bom, vamos lá! Por ora, basta saber o que você é da Carolina?

- Da Cazinha?
- Ah, agora sou Marido!

- Ah, então você é o tal do marido? Você é um cara de sorte, hein?

- Sorte? Nossa, e se eu te falar que estamos aqui na Chapada dos Veadeiros pra comemorar nosso primeiro aniversário de casamento, acompanhados pelo casal de amigos Chinchila e Larissa, em uma aventurosa viagem de carro pelo planalto central do Brasil... Isso é mais do que sorte, pode apostar!
- Posso falar também que, durante esses 9 anos que estou com a Cazinha, São Jorge, onde eu já havia visitado outras 3 vezes, sempre foi o lugar que eu mais tive vontade de voltar, ainda mais na companhia da Carol, com nossa já consagrada tradição de ótimas viagens. De fato, da ultima vez que estive por aqui, eu já namorava com a Cazinha, mas foi uma viagem de amigos, já marcada antes de começar o namoro. E agora, estou aqui em plena Rádio Nacional, contando essa história...

- Nossa, agora temos alguns ouvintes aqui perguntando pelo telefone quais foram as melhores impressões que vocês tiveram dessa aventurosa viagem pela chapada?

- Vixe! Todas as impressões foram ótimas!
- Tudo começou como uma viagem de contrapartida a uma outra viagem que teve que ser adiada. Quando decidimos vir para a Chapada, decidimos também que seria em estilo “Easyrider”, acampando sem muito destino, com pique de enfrentar camping selvagem e fundamentalmente fugindo de grandes concentrações humanas devidas do carnaval.
- Com isso, quando estávamos quase chegando em Território da Chapada, rumo à cidade de Cavalcante, em um posto de combustível, ficamos sabendo que a referida cidade estava fervorosa e que não tinha lugar nem pra estacionar o carro.
- Isso foi o suficiente para elegermos Alto Paraíso como a primeira parada, onde acampamos por três dias. Lá conhecemos a cachoeira da Loquinha, com seus confortáveis poços, acessados por trilhas suspensas e decks de madeira, e também a incrível seqüência de quedas e poços do Rio Macaquinho.

- Certo, essas são as boas impressões de Alto Paraíso, mas e o resto da viagem? Os ouvintes estão ansiosos para saber?

- Pode deixar! Na terça-feira de carnaval, depois de passar pela cachoeira Almécegas, que estava irritantemente lotada (People Sucks!!!), desmontamos o acampamento e fomos em direção à Cavalcante, na esperança de que a cidade iria estar mais tranqüila. Foi tiro certo! Chegamos e fomos direto pro camping da Fazenda Veredas, um camping localizado em um Vale maravilhoso, que tinha um gostinho de camping selvagem por não haver energia elétrica, cuja ausência proporcionava a visão de um céu estrelado espetacular.
- Em Cavalcante, a grande atração foi visitar o Quilombo Engenho II, onde pudemos nos deliciar nas águas esmeraldas das cachoeiras Santa Bárbara e Capivara.
- Já São Jorge, desde da minha primeira viagem por aqui, sempre foi o principal destino da Chapada, por onde eu sinto um enorme carinho e há uma espécie de força magnética que me puxava pra voltar, pra levar a Carol e tinha certeza que ela iria sentir esse mesmo sentimento.
- Está sendo muito emocionante pra mim rever dois grandes personagens do Vilarejo de São Jorge: o Verde, e a grande figura do Velho Joe. Mais emocionante ainda é me deparar com esses dois caras, levando aquela mesma vida boa de guias da Chapada de 10 anos atrás, e que mesmo depois de todo esse tempo ainda lembraram das minhas saudosas passagens por essas bandas...
- Bom, já que você mesmo disse que o tempo é escasso, de São Jorge, basta dizer que me sinto em casa!!!
- Agora dá licença que vou tomar uma cerveja gelada no boteco do Seu Claro.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sonho de um carnaval - por Chico Buarque

Como no carnaval eu vou estar incomunicável (aguardem a postagem do dia 23!), já vou por no ar o texto da semana que vem, dando continuidade aos textos de colaboradores!

Como eu conheci o Chico:
Eu conheço ele desde que estava na barriga da minha mãe! Poderia falar muitas e muitas coisas sobre ele, mas não é esse o objetivo, rs...

Como eu conheci a Carolina:
Carolina, nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar
Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar...


Sonho de um carnaval

Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano

Carnaval, desengano
Essa morena me deixou sonhando
Mão na mão, pé no chão
E hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano

Era uma canção, um só cordão
E uma vontade
De tomar a mão
De cada irmão pela cidade

No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Cadê seu texto?!

Enquanto ele - o seu texto - não chega, dê uma olhada no da semana passada, que chegou um pouco atrasado, então talvez você ainda não tenha visto (se você é novo por aqui, leia também o da semana retrasada).

Eu tenho certeza que você também tem coisas muito interessantes pra contar, compartilhar, provocar, alegrar. Se você já tem um blog, divulgue-o aqui, e se não tem, use esse espaço frequentado por seletos leitores! ;)

Algumas das minha intenções com essa abertura são exercitar o desapego - o "meu" blog, os "meus" textos, rs... - e incentivar a participação, no seu sentido mais amplo. E essa é a grande provocação: não se sente no trono do apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando [seja lá o que for] chegar!

Ouvimos falar a toda hora de engajamento, atitude, cidadania... mas o que é isso? Conte pra gente o que você tem feito... compartilhe conosco os seus anseios... diga-nos que acha tudo isso uma bobagem... que livros você tem lido? Algum filme pra recomendar? Por onde tem andado?

Alguma data especial? Um ET brincando no seu quintal? Um verso original? Alguma múmia se mexeu? Algum milagre da ciência aconteceu? Então mesmo sem motivo nem razão, nem que seja pra dizer "I just called to say I love you"! [seja lá quem fou o you ;)]

sábado, 30 de janeiro de 2010

São Paulo 456 anos - por Ana Clara

O Aralume "tarda mais num faia"! Depois de uns contratempos com colaboradores, rs... resolvi não "cobrir o buraco", pois eu sabia que algo apareceria... e apareceu! Não é terça, mas hoje, mais do que nunca, tem novidade no Aralume!

Como conheci a Ana Clara:
Sinceramente, não lembro! Mas deve ter sido com alguma estranheza, afinal, eu reinava absoluta como primeira filha-neta-sobrinha, e de repente aparece aquela coisa miúda e barulhenta (devia ser, rs...) roubando as atenções. Mas é claro que não demorou muito para a estranheza dar lugar a uma intensa amizade, que mais pra frente se mesclou de novo com estranhezas, mas sempre voltando a virar amizade! É assim a relação entre irmãs... e eu, como irmã mais velha coruja que sou, orgulhosamente apresento o primeiro texto não meu do Aralume!

São Paulo 456 anos

A Carolina? Ela é a minha irmã mais velha.

E eu? Sou Ana Clara, irmã da Carolina há 26 anos, dos quais vivi os primeiros em São Paulo, os muitos seguintes em Bragança Paulista, depois quatro em Piracicaba (“que eu adoro tanto”), e desde janeiro de 2008 estou de volta à capital, e é justamente sobre essa última cidade, que foi também a primeira, que resolvi escrever.

Apesar de ter morado a maior parte da minha vida no interior, sempre me senti muito paulistana e, desde que voltei a morar aqui esse sentimento tem aumentado.

Segunda feira, 25 de janeiro de 2010, São Paulo completou 456 anos e, já que não viajei como muitos fazem no feriado, resolvi prestigiar as comemorações.

Pretendia levantar cedo, caminhar até o centro e assistir ao ato cívico no Pateo do Colégio, depois à missa na Sé, e assim por diante, mas como ainda estava em ritmo de férias, mesmo com o dia lindo, só consegui sair de casa às dez horas e acabei indo de metrô direto para o Vale do Anhangabau.

Quando cheguei em frente ao palco principal haviam poucas pessoas e ninguém se apresentando, então olhei para cima para observar as construções como sempre gosto de fazer: o Viaduto do Chá, o prédio da prefeitura com toda aquela vegetação em cima, o Shopping Light e os vários outros prédios, uns conservados, uns não muito, uns nem um pouco.

Ali fiquei até que ouvi alguns gritos e palmas e uma pessoa passou “voando”! Havia uma Tirolesa de cima do Viaduto do Chá até o meio do Vale. Como eu estava sozinha e nada interessante em vista, resolvi me aventurar. Não tinha muita gente na fila, mas o processo era lento... Após uma hora e meia chegou a minha vez. Vesti o equipamento e... desabou aquela chuva! Atividade cancelada. Calmamente tirei a cadeirinha e fui para o Light comer alguma coisa.

A chuva passou, mas a Tirolesa estava em manutenção. Voltei para o Anhangabau e logo começou a chover de novo, ainda mais forte. Dessa vez o jeito foi abrir uma Skol e tomar chuva mesmo. Já havia bastante gente e eu estava aguardando para ver como ia ser o flash mob em homenagem ao Michael Jackson, que estava marcado para as 14h. Foi nesse tempo de espera, no mesmo lugar que antes parei para observar os prédios com céu azul ao fundo, agora chovendo, com todo aquele povo bêbado e toda aquela sujeira pelo chão se misturando com a água da chuva, que me veio uma sensação de admiração muito forte por São Paulo e o pensamento que me fez escrever esse texto: eu amo São Paulo, mesmo com todos os problemas e perigos.

Muitos vão dizer que é fácil gostar de São Paulo morando no Pacaembu (o Pacaembu é lindo!!!) e indo a pé pro trabalho, mas eu sempre morei em lugares simpáticos e sempre andei a pé, e mesmo gostando muito das outras cidades, o que eu sinto por São Paulo é muito maior e único. Por quê?

Todos sabem que São Paulo é uma mistura de tudo e isso é fascinante. Sabemos que em São Paulo há infinitos restaurantes, programas culturais, bares e baladas, e amo muito tudo isso, mas ainda não é o que mais me atrai, pois você pode morar por perto e vir a São Paulo “tirar a poeira” de vez em quando, como sempre fiz (mas estar aqui todos os dias é muito melhor). Poderia falar da arquitetura também, mas nesse quesito acho que louca eu vou ficar ao ver a Europa de perto (mas não deixo de abrir um sorriso cada vez que saio do metrô na estação Anhangabaú, Sé, República ou Luz). Bom, a conclusão que cheguei é que esse meu sentimento em relação a essa cidade imensa, além de todos esses motivos listados acima, tem mais uma razão bem particular. Essa paixão tem a ver com o meu gosto por inventar coisas e pela liberdade que morar em São Paulo me proporciona. Aqui sou livre para ter minhas idéias e executá-las. Aqui eu encontro material pra por em prática tudo que imagino, seja uma comida, uma festa, uma peça de roupa ou de decoração, uma reforma na casa. Encontro coisas que eu nem imaginava que existia e que me dão mais idéias ainda. Aqui tem o Brás com o Gasômetro, a Rangel Pestana e o Largo da Concórdia, tem a 25 de Março e a Abdo Chaim, o Mercado da Cantareira, a Florêncio de Abreu, a Liberdade, a Vila Mariana com suas papelarias, a Paulista e a Livraria Cultura, a Consolação, a Sete de Abril e todas as ruas do centro. Adoro andar pela a cidade procurando e encontrando coisas, mesmo que seja para ir a esses lugares a pé ou de metrô lotado, porque de carro ou de ônibus não se anda, mesmo que seja pra andar com medo de ser assaltada, mesmo que seja para chorar com as cenas de miséria. São Paulo é assim.

Quanto ao dia 25, depois de toda essa reflexão, voltei pra casa completamente molhada após o flash mob que foi um fiasco, tomei um banho bem quente, coloquei pijama e... um amigo, o Gui, que não ama São Paulo tanto quanto eu, mas aprecia uma boa música, ligou me chamando para ver o show da Leci Brandão no Anhangabaú às 16h. “Te encontro no metrô”. Tirei o pijama, coloquei outra roupa de guerra e lá fui eu. Dessa vez me rendi a uma capinha de chuva! O show foi ótimo, apesar das brigas, e quando acabou até desci a tal Tirolesa, que tinha voltado a funcionar mesmo com a chuva caindo. Umas sete e pouco, joguei a capinha fora e pegamos o metrô rumo à estação Sumaré, pegar o carro do Gui. No Paraíso decidimos mudar a rota e ir para o Parque da Independência, ver o Milton Nascimento, mesmo sabendo que ele deveria ter subido no palco às 19h. Chegamos lá umas oito e em menos de cinco minutos o show começou! A chuva não parou nem por um segundo e o público no Ipiranga era tão civilizado que não tinha ninguém vendendo capa. Também não tinha cerveja e o som estava péssimo. Mesmo assim valeu a pena, vimos o Milton!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Terceira temporada

Aos novatos no pedaço, uma breve explicação: o Aralume surgiu para divulgar o meu casamento e no começo ele era escrito na primeira pessoa do plural, uma vez que ninguém casa sozinho, rs... mas eu fui gostando da brincadeira e quando passou a festa o Paulo Cesar me deu as suas ações do Aralume! Aí eu inaugurei a "segunda temporada" do blog, que se caracterizou por textos na primeira pessoa do singular... bem singular! Não foi definido um tema específico, apenas que "toda terça tem novidade no Aralume!".

Continuo gostando da brincadeira, cada vez mais, mas "quem fica parado é poste"! Então, ladies and gentlemen, inauguro a "terceira temporada" do Aralume! Por sugestão de um amigo, essa fase vai incorporar uma dose extra de interatividade, com uma maior participação do público - ahá, agora eu tenho um público!

A brincadeira é a seguinte: o espaço do Aralume está aberto para postagens de convidados - que não precisam necessariamente ser passivos, ou seja, convide-se! Algumas regras:

1. A postagem inicia com um parágrafo escrito por mim, contando uma historinha: "Como conheci a/o [autor/a da postagem]?"
2. A seguir terá um parágrafo escrito pelo autor, contando a mesma história: "Como eu conheci a Carol".
3. É importante que sejam parágrafos curtos, já que esse não é o foco da postagem, mas só uma introdução. Ah, e um não vai ler a história do outro antes de serem publicadas...
4. Em seguida vem a postagem propriamente dita, sem cortes e sem censura!
5. Os temas continuam tão livres quanto sempre foram;
6. A periodicidade continua sendo "toda terça";
7. Vou intercalar com alguns textos meus, afinal, eu gosto de escrever e inspiração ainda não tem faltado, hehe!

Vou usar o e-mail da conta do Aralume pra receber os textos: caepece@gmail.com

As inscrições estão abertas!