quinta-feira, 24 de março de 2016

Sobre partos e escolas

Na época em que eu estava me preparando pra engravidar e parir ?! como se alguém pudesse, tsc, tsc... mas mesmo assim aprendi muito e algo que me marcou foram algumas falas dizendo que a mulher foi feita pra parir e que a artificialização do parto coloca a mulher num lugar de "não saber", "não ser capacitada" e o que é pior: coloca os homens num lugar de saber e serem capacitados!?! Homens, seres que biologicamente não tem como saber o que é parir! O absurdo é tanto que fica realmente difícil entender como fomos cair nessa! Mas o fato é que caímos... e é algo tão profundo, tão claramente dado por certo pela nossa cultura, que se torna perigosamente invisível. Somos assim e agimos assim sem nem nos darmos conta. É assustador!

Eu me dei conta, mas foi tarde demais, pois não consegui parir. Precisei de fortes aparatos tecnológicos pra sair dessa brincadeira com vida e com um filho feliz nos braços. Pelo menos os únicos homens na sala de cirurgia eram meu marido e o recém-nascido! Oh Lord, obrigada por essa!

Esse episódio acabou de fazer três anos e é natural que passar pelo mesmo lugar da órbita terrestre nos traga algumas lembranças de voltas passadas. E essa lembrança, associada a um tema bem presente na minha vida - escolas - me trouxe um insight importante.

Por que raios nos é tirado o direito de educar nossos próprios filhos?!

E nem estou falando de leis; falo de algo muito mais forte, muito mais profundo, muito mais perigoso. Falo desse modo de pensar e agir que não sei como nem porque se estabeleceu na sociedade e foi ficando perigosamente invisível. Essa necessidade de controlar e separar; essa necessidade de otimizar e produzir; essa visão de mundo anti natural que faz com que mulheres se sintam incapazes de parir e pais e mães se sintam incapazes de criar seus filhos!

Quando falo que não acredito em escola encontro muitos pais e mães que concordam enfaticamente, mas que dizem com a mesma ênfase que não se sentem seguros pra assumir a educação dos filhos sem ter o respaldo de uma instituição. Como assim?!?!

Veja, eu não quero debater escola ou não escola. Eu quero trazer à luz o tal modo de pensar e agir anti natural que nos deixa impotentes e incapazes diante de eventos puramente naturais, biologicamente naturais e evolutivamente bem sucedidos, que são gestar, parir e educar os próprios filhos!

Que não fomos feitos pra viver sozinhos, é fato. O ser humano é um bicho gregário, que anda em bando e que precisa do bando. Mas daí a se abster de suas funções biológicas é um caminho longo e tortuoso.

Você pode gostar ou não de escola, acreditar ou não em escola, mas não me diga que não é capaz de criar seus próprios filhos! Ou melhor, diga! Diga que não é capaz de criar os próprios filhos e os criaremos juntos! Criaremos nossos filhos juntos porque nos reconhecemos como um bando e é assim que os bandos vivem; criaremos nossos filhos juntos porque fomos feitos pra fazer isso!!! E não precisamos de diplomas, de currículos recheados ou indicações respeitadas! A natureza já nos deu TUDO o que precisamos pra desempenhar a função.



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

de braços abertos

só podemos AGIR no AGORA

mas PASSADO refletido no presente é AGORA

não me venha com "o que passou, passou"

se lembro, não passou; se não lembro, nunca houve

estou em paz com meu passado


eu me formo, reformo e transformo constantemente nos ENCONTROS
encontros com pessoas, encontros com lugares, encontros com bichos, encontros com plantas, encontros com sensações

minha matéria é fluida
vai sendo moldada
recebe marcas

mas de tempos em tempos PASSO A LIMPO
olho pra dentro
encontro-me comigo
e pluft - sou outra!

os encontros de fora transformam
os encontros de dentro TRANSMUTAM

alquimia não é transmutar chumbo em ouro, no sentido literal das matérias
alquimia é transmutar-se a si próprio, mudando sua própria constituição
sem resíduos
simplesmente mudando
como mágica

minhas experiências vão me formando
a forma e a constituição que tenho HOJE são meu ponto de partida para transmutar
a transmutação gera algo TOTALMENTE NOVO em termos de matéria e forma
o que permanece é a CONSCIÊNCIA
mas essa mesma consciência se ALTERA ao testemunhar a transmutação
e continua se alterando ao se PERCEBER num novo formato, numa nova composição

a transmutação consciente e voluntária é linda e leve
não é dolorida, não é sofrida

ela só pede DESAPEGO
ela só pede CORAGEM

quem não transmuta de tempos em tempos fica acumulado, pesado
vai se estragando

estragar também é transmutar
é a matéria em decomposição dando lugar à terra fresca
a Natureza sempre se encarrega de fazer com que cada um siga seu ciclo
mas quando a consciência não quer, ela se apega e sofre
não adianta sofrer, pois a Natureza trabalha mesmo assim, mas a consciência apegada sofre

quem é livre de apego e medo vai transmutando naturalmente e nem precisa ter consciência disso

apego É medo
medo de FALTAR
medo de sofrer MAIS

apego é CONFORMISMO
"tá bom assim..."
"deixe quieto..."

ok,
TODOS querem CONFORTO

MAS...

a pulsação da Vida PEDE alguns saltos, alguns mergulhos, alguns descontroles, algum suor criativo

PULSAÇÃO

é possível, é lindo e é natural sentir a vida pulsar com conforto, graça e leveza

porque a vida pulsante não nos deixa em desconforto
o que nos deixa em desconforto é a tentativa de SEGURAR a pulsação da vida
as proporções do pulso da Vida envolvem muito mais alegria, liberdade, contentamento, criatividade, disposição
e apenas PEQUENAS DOSES de medo, raiva e tristeza

só o suficiente pra dar o salto, pra fazer MUDAR DE LUGAR
a descida que impulsiona a subida
a retração que impulsiona a flecha
o DISTANCIAMENTO que é necessário para nos APROXIMAR  de nosso alvo

é preciso SENTIR o perigo (medo) para que possamos FAZER ALGO em relação a ele

o sentir é breve; o FAZER ALGO dura

quando eu reconheço a pulsação da Vida eu me entrego
desapego da dor - do mesmo jeito que ela veio, ela vai... tudo que eu tenho a fazer é DEIXÁ-LA ir
desapego da alegria - não preciso me apegar a ela, pois ela está SEMPRE disponível! Quando ela se vai, logo volta... tudo o que preciso é DEIXÁ-LA voltar

de braços abertos

de braços abertos eu liberto a dor
de braços abertos eu recebo a alegria

de braços abertos eu olho pro céu e agradeço
com os braços soltos me curvo à terra e me recolho

torno a subir
e continuo a caminhada



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Reflexões sobre a Roupa

Ando por esses dias numa onda com a roupa. Encanei com o sutiã, principalmente aqueles com bojo. De repente me dei conta de que eles deixam todos os peitos com cara dos peitos da Barbie! JesusMariaJosé, como que eu, euzinha, super prafrentex, fui cair nessa?!?!

Essa onda da roupa certamente vem da onda da expressão. Aquele papo de que a gente olha pra dentro e expressa pra fora; se liga no coração e deixa vir a expressão. Só que tem um pequeno detalhe: em geral tivemos nossas formas de expressão sistematicamente podadas desde a mais tenra idade. Então é preciso uma boa dose de atenção. Não estamos acostumados a nos expressar. Seria um movimento livre e leve, mas muitas amarras nos prendem, então nos cabe ir cortando essas amarras, pouco a pouco, com gentileza, mas sem vacilar. Fé cega, faca amolada! (ouça a música, com alguns brindes, na voz da eterna Elis)

Pois bem, voltando à roupa.

Roupa é expressão. Quem não usa roupas, usa adornos. Quem usa roupas iguais, iguaizinhas, não se expressa (continue o raciocínio por sua conta e risco...).

Voltando ao sutiã. Peitos com cara de Barbie não se expressam. Tá frio, tá calor, tudo liso. Todas as mulheres com peitos iguais.

Perguntei a mim mesma o que me fazia usar sutiãs com bojo e a resposta foi:
"porque eles deixam meus peitos bonitos"
"bonitos?! Então quer dizer que meus peitos são feios?! Então quer dizer que pra deixar meus peitos bonitos eu preciso escondê-los sob espuma?!"
"Ãhn, hum, veja bem, são assim um tanto pequenos, meio separados, meio caídos..."
"pois então se vira! Me desculpe, não sei o que você vai fazer, mas me recuso a achar uma parte de mim feia e ter que escondê-la, camuflá-la"

Ok. Resolvi então fazer a minha queima particular de sutiãs.

Botei uma camiseta e fui pra rua resolver pendências cotidianas. Nunca me senti tão livre!

Me sentia um tanto quanto nua, é verdade. Exposta. Mas expressão é exposição. E em nenhum momento me senti mal. Era apenas novidade.

E os outros, reparariam?! E os olhares masculinos, se espantariam?!

Nada que tenha chegado em mim... (ok, não sou exatamente o tipo que atrai olhares, rs...).

Assim foi indo, já se passaram algumas semanas e não tenho a menor vontade de enganchar um elástico com arame e espuma nos meus tórax e ombros abafando meus mamilos. E o mais surpreendente, sabe o que aconteceu? Meus peitos ficaram simplesmente lindos! Reviveram. Reencontrei com uma parte de mim - tão importante, diga-se de passagem - que sempre esteve escondida, que sempre esteve aquém das expectativas estéticas (minhas, é claro) e que no entanto cumpriram brilhantemente seu principal papel, que foi alimentar meu filho. Tirar o sutiã me fez me sentir completa. Completa e honesta. Parece que antes tinha um medo de que "descobrissem que aquilo lá era só espuma"; e agora, literalmente de peito aberto, a mensagem é "essa sou eu!".

É certo que algumas situações causam um pouco de insegurança, como conversar com os pedreiros, rs... mas, desculpem, não vou atribuir minha "decência" e minha credibilidade, a uma peça de roupa. Escolho com mais cuidado a blusa e vamo que vamo.

De qualquer forma, não estou dizendo "mulheres, tirem o sutiã". Só queria registrar aqui essa loucura. E também não garanto que você nunca mais vai me ver de sutiã. Vai saber...

Ah, pra finalizar recomendo esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=CDqzYgMJAcc
da engraçadíssima Jout Jout Prazer. Ele me chegou depois que fiz um desabafo público "Por que escondemos nossos mamilos sob espuma?" e caiu como uma luva nessa minha reflexão!

Ah, antes de finalizar: ontem conheci na piscininha do clube uma menina de seis (SEIS) anos, que despudoradamente tirou o biquini pra se trocar na beira da piscina (até aqui ok) e ao se vestir colocou um sutiã, COM BOJO.

Pronto, agora acabou. O mundo!


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Fluxo Esforço Inércia Disciplina e por aí vai...

Ultimamente tenho ouvido falar muito no tal do "fluxo". Que a vida flui, que a energia flui e que para que sejamos felizes basta entrar no fluxo e deixar rolar. A ideia é muito simples, daquela simplicidade que desafia as complicações onde fomos nos metendo nessa vida cyber-urbana-acadêmica e justamente por isso as mentes pensantes desconfiam logo de cara.

A mim a ideia convence. Se está difícil, se está demandando esforço, é porque não é por aí.

Mas tem um pequeno detalhe: o que é esforço?

Em muitos aspectos adquirimos um certo comodismo e entramos num estado de inércia. As dificuldades surgem, os incômodos surgem, e parece que pra lidarmos com eles precisamos de algum esforço, mas se o esforço indica que não estamos no fluxo, então o fluxo é ficar nesse estado de dificuldade e incômodo? Então a questão é optar pelo "menor esforço"?

Não!

A questão é que pra sair do comodismo, pra romper com essa inércia, precisamos de um peteleco - ou na maioria das vezes um belo chute na bunda!

Esse peteleco, esse chute, demanda um esforço, dói um pouco, talvez até fique roxo, mas não é nada de mais. Essa dorzinha do chute, esse desconforto de sair do lugar, esse esforço pra parar de bocejar e agir, são perfeitamente suportáveis e cabíveis, deixe de manha! Respire fundo, olhe sua vida e avalie: você está deitado na rede reclamando que não tem isso, não tem aquilo, não fazem isso ou fazem muito daquilo? Está precisando de um peteleco...

Ou, ao contrário, você trabalha, trabalha, rala pra caramba e nada sai como você quer? Está precisando desapegar dessa ralação toda, silenciar e buscar o tal do fluxo, esse lugar mágico onde as coisas acontecem.

Mas uma coisa é certa: o fluxo não está no esforço tanto quanto não está na inércia.

E aqui entra uma visão nova - nova pra mim, é claro - do papel da disciplina.

Sempre achei que disciplina fosse estabelecer algo e cumprí-lo sistematicamente: não comerei mais carne; farei atividade física duas vezes por semana; levarei meu cachorro pra passear todo dia; visitarei meus pais toda semana; levarei meu filho no parquinho segunda, quarta e sexta.

Só que essa disciplina aprisiona, pelo simples fato de que essa disciplina está baseada no futuro e o futuro não existe. Ou então está baseada no passado, quando estabeleço as deliberações pautadas em situações que passei e não quero passar mais, ou que quero que se repitam. E o passado não existe mais...

Não adianta, a vida acontece aqui e agora. Fora isso é ilusão e ilusão é prisão.

A minha nova disciplina, a minha nova visão sobre a disciplina, é ter constância e rigor na auto-observação. É ser disciplinada o suficiente pra não me deixar entorpecida numa rede reclamando da vida (deitar na rede pra descansar, maravilha! O problema não é a rede...) Ou então ser disciplinada o suficiente pra me dar conta de que esse caminho onde já trabalhei tanto não vai dar onde eu queria, e ter a coragem, o desapego e a humildade de dar meia volta e recomeçar a caminhada.

As duas situações exigem esforço; as duas situações pedem quebra de inércia (inércia do repouso e inércia do movimento); as duas situações demandam energia. A Vida pede energia, mas toda ação pela Vida nos energiza! Se algo te pede energia, mas não te energiza, desconfie... isso não é fluxo!


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Meus ídolos negros

Semana passada contei ao mundo que descobri que sou racista (!). O texto teve uma boa repercussão e a melhor delas foi um vídeo que recebi de um querido amigo. Trata-se de uma palestra da série TEDx (assista aqui), que começa com a mesma linha de raciocínio do meu texto e vai muito além (não é a toa que tem milhares de visualizações, rs...). Assista. São 18 minutos que podem mudar sua vida!

Pois bem, esse mesmo amigo não parou por aí e me lançou um desafio: citar três personalidades afro-brasileiras e dizer como elas influenciaram minha vida positivamente.

Amo um pretexto pra escrever e claro que aceitei!

Logo de cara já pensei em duas e achei que seria moleza achar a terceira, maaaaas... não consegui! Lembrei, sim, de várias personalidades negras (Matheus, não consigo dizer afro-brasileiro com naturalidade e pra mim negro é lindo, black is beautifull), mas não cheguei em nenhuma que tivesse tido uma influência marcante na minha vida. Sinal de alerta! Minhas referências são brancas... meus ídolos são brancos...

Não sei  qual a proporção das populações negra e branca no mundo, ou no Brasil (alguém se habilita?!), mas de todas as pessoas "famosas" que admiro, apenas duas serem negras é no mínimo estranho. Na verdade meu critério foi mais rigoroso. Pra influenciar minha vida não basta que eu tenha "admiração". Eu tenho que ter paixão, eu tenho que ser íntima da pessoa. Admiro muitos negros, mas paixão, paixão mesmo, só por esses dois aqui ó:

Gilberto Gil
Oh céus, o que falar do Gil?! Nunca estive com o cara, mas converso com ele quase que diariamente através de suas músicas. Quando estou meio pra baixo, meio desanimada, meio esquisita, não falha: basta colocar qualquer disco do Gil e tudo fica colorido. Basta pensar nele, no rosto dele, no sorriso dele e não há baixo astral que resista. Sério mesmo. Até eu acho esquisito como que uma pessoa pode amar tanto uma outra que nem sabe da sua existência. Mas, pois é, amo mesmo. Às vezes me imagino participando de um concurso desses, tipo "Passe o Dia com seu Ídolo". Eu escolheria o Gil! E fico me imaginando com ele, ouvindo ele contar as histórias das músicas, pedindo pra ele tocar Refazenda (em homenagem ao Joaquim, a "música do abacatêo"), perguntando pra ele o que ele acha do jeito que tá o mundo, se tem saída, se tem solução. Chego até a ouvir ele dizendo que o mundo é lindo e que ele nem quer saber de saída, quer mais é continuar por aqui mesmo.
 "O melhor lugar do mundo é aqui e agora"
"Não me iludo, tudo permanecerá do jeito que tem sido, transcorrendo, transformando..."
 "É sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar"
"A raça humana é a ferida acesa, uma beleza, uma podridão, o fogo eterno e a morte, a morte e a ressurreição!"

Milton Nascimento
Se ele "só" compusesse já seria meu ídolo; se ele "só" cantasse, também. Mas ele faz as duas coisas! A música do Milton fala diretamente à minha alma. Ele canta as Minas Gerais que eu tanto amo. Ele fez um disco inspirado na Amazônia que é uma das coisas mais lindas que eu conheço e que firmou meu amor pelas florestas, amor esse que me fez ir estudar engenharia florestal, caminho onde encontrei minha alma gêmea. E foi nesse disco, Txai, onde encontramos uma música perfeita pra abrir a cerimônia do nosso casamento: "o amor enfim ficou senhor de mim, e eu fiquei assim, calado sem latim, coisas da vida...". Milton tem uma paz, uma divindade. Milton eleva minha vida.

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Na minha busca pela terceira personalidade negra alguns nomes importantes vieram à mente: Zumbi dos Palmares, Milton Santos, Lázaro Ramos, Xica da Silva, Elza Soares. Mas não consigo escrever sobre nenhum deles com a paixão e a intimidade que tenho com Gil e Milton. Acho que na verdade o "problema" não seja pouca influência dos demais, mas um brilho ofuscante dos dois "primeiros colocados". De qualquer forma, vale a reflexão: quem vem moldando nossa visão de mundo?

Bem que eu queria que a cor da pele não importasse e acredito que esse dia vá chegar, mas temos uma história de muita tristeza ainda muito recente. Vale o cuidado.

E você, quais são seus ídolos negros?