A experiência de leveza e liberdade que o capítulo anterior me proporcionou foi tão grande e está sendo tão boa, que quase se basta. Mas sei que há muito pela frente.
No desfrute dessa graça surgiram outros insights, ou sacações, como minha cada vez mais tênue - ou apurada - inclinação hippie prefere.
Um exercício interessante foi me deixar levar pelo rio do tempo (mais uma metáfora com água... não é intencional, mas sei que nada é por acaso!). Amparada pelo bem estar da liberdade recém descoberta, deixei de lado a ansiedade de "ter que resolver". Como era de se esperar, as coisas foram se resolvendo, ou se revelando, como uma nova paisagem que aparece depois da curva.
A paisagem me trouxe três chaves pra me guiar nessa busca de cultivar a espiritualidade. Vou falar de cada uma delas, iniciando pela que tenho mais familiaridade e deixando com que o tempo amadureça em mim as outras duas.
Pois bem, minha primeira chave pra cultivar a espiritualidade é a Natureza.
Óbvio, claro. Sempre esteve comigo, desde os pequenos pés descalços que subiam em árvores. O contato com a Natureza - com inicial maiúscula - sempre me foi fonte de inspiração, fonte de energia, abrigo em momentos de confusão ou desconsolo. A Natureza já me trouxe muitas respostas e já me fez milhões de perguntas. Em nome da Natureza escolhi um ofício. Em nome da Natureza fiz e faço pregações. Mas calma, não transformarei a Natureza em religião!
Só que a partir de hoje, quando me perguntarem "como anda a minha espiritualidade", ou como faço para cultivá-la, responderei com serena convicção:
- tenho contemplado o amanhecer e o entardecer
- tenho observado as plantas do meu jardim
- procuro sentir a brisa fresca da noite
- estou prestando mais atenção à diversidade dos sons de pássaros e insetos que me rodeiam
Essa é minha prática cotidiana, diária. Mas existem também as missas de domingo e os retiros espirituais, onde é possível:
- contemplar uma paisagem sem nenhuma interferência humana aparente
- sentir o corpo formigando ao sol depois de um gelado banho de cachoeira
- soltar-se ao balanço das ondas de alguma praia limpa e tranquila
- absorver o estrelado do céu e ser absorvida por ele
- admirar as diversas estampas das asas das mariposas numa noite de inverno no alto da serra
- dormir ao som de grilos e sapos
- pisar na terra, pisar na areia, pisar na pedra
E por aí vai... poder desfrutar desses momentos traz significado à minha vida, à medida em que me sinto parte dessa orquestra. E como explicar que a água fria do chuveiro nada tem a ver com a água fria da cachoeira? Como explicar que nenhum CD de sons da natureza embala o sono como o coachar e cricrilar ao vivo? Isso é estar em contato com a espiritualidade...
Voltando à nossa definição inicial: A espiritualidade pode ser definida como uma "propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, à procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio".
C.Q.D.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Como cultivar a espiritualidade - parte I
Tenho sido cobrada pelas pessoas que me ajudam a cuidar da minha saúde a cultivar a espiritualidade.
Preguiça. Desânimo. Frustrações. Desilusões.
Vou puxando o fio que me liga a essa palavra e os azois não trazem resultados animadores. Como se eu estivesse num barco, à minha volta o oceano vasto e profundo. Sei que a espiritualidade está ali, mas ONDE?! Na verdade a pergunta não é onde, pois eu tenho nas mãos o fio que me liga a ela. A pergunta seria QUANDO? Ou seria COMO?
Continuo puxando, ciente de que essas perguntas não me ajudam e de que não me resta outra opção a não ser puxar, puxar... e limpar o que chega. Descartar o descartável. Guardar o útil. Mas só posso guardar depois de limpar, porque seja lá o que for, não sai intacto de uma temporada submerso no oceano.
Aí chega um pacotão. Pesado, desforme, fedido. O nome desse pacote é religião. Empaco. Não consigo puxar mais, não aguento. Fico diante daquela "coisa". Percebo que pra avançar na minha jornada em busca da espiritualidade preciso me livrar daquilo. Mas ao mesmo tempo fui ensinada que é o contrário: o pacotão de religiões é o que permite acessar a espiritualidade. Só que minha realidade mostra que não! Não é assim! Definitivamente esse pacote é um estorvo, não me deixa continuar puxando o fio, me impede de enxergar adiante.
Com um pouco mais de força finalmente tiro o pacote da água e trago à bordo. Agora a questão é ter estômago para abri-lo. Preciso mesmo fazer isso? E se eu simplesmente joga-lo novamente na água? Posso continuar puxando meu fio, ele não vai me incomodar mais. Mas e se dentro dele tiver alguma coisa que me seja útil?
Percebo então que não preciso resolver isso de uma vez. Tenho sim que criar coragem e tirar toda aquela camada de lodo, algas e cracas. Respiro fundo, tampo o nariz e faço a faxina superficial. Jogo a sujeira fora. De volta ao mar não é sujeira, à bordo sim. Para meu espanto, vejo que depois disso não sobra muita coisa. O trabalho pesado já foi.
Deixo então aqueles objetos num canto - muitos dos quais totalmente desconhecidos. Agora o fio vem mais leve. Às vezes vem alguma coisa que encaixa certinho com um daqueles objetos do pacotão.
*******
Dizem que meu lado racional, mental, me dificulta o acesso à espiritualidade. Recebi a seguinte orientação: "use sua mente a seu favor". Parece que agora estou entendendo. O texto acima foi um exercício mental que me proporcionou um ótimo insight.
E já que sou racional e preciso usar isso a meu favor, vou pesquisar no Google o que é espiritualidade, pra começo de conversa.
A espiritualidade pode ser definida como uma "propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, à procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio". A espiritualidade pode ou não estar ligada a uma vivência religiosa
Thanks Wikipédia!
Pode ou não estar ligada a uma experiência religiosa. Pode estar pra você, não está pra mim. Não está pra mim agora, mas já esteve. Pode ser que esteja no futuro, vai saber?
Ok, resolvi o pacotão. Foi mais fácil do que eu pensava.
Que leveza!
Preguiça. Desânimo. Frustrações. Desilusões.
Vou puxando o fio que me liga a essa palavra e os azois não trazem resultados animadores. Como se eu estivesse num barco, à minha volta o oceano vasto e profundo. Sei que a espiritualidade está ali, mas ONDE?! Na verdade a pergunta não é onde, pois eu tenho nas mãos o fio que me liga a ela. A pergunta seria QUANDO? Ou seria COMO?
Continuo puxando, ciente de que essas perguntas não me ajudam e de que não me resta outra opção a não ser puxar, puxar... e limpar o que chega. Descartar o descartável. Guardar o útil. Mas só posso guardar depois de limpar, porque seja lá o que for, não sai intacto de uma temporada submerso no oceano.
Aí chega um pacotão. Pesado, desforme, fedido. O nome desse pacote é religião. Empaco. Não consigo puxar mais, não aguento. Fico diante daquela "coisa". Percebo que pra avançar na minha jornada em busca da espiritualidade preciso me livrar daquilo. Mas ao mesmo tempo fui ensinada que é o contrário: o pacotão de religiões é o que permite acessar a espiritualidade. Só que minha realidade mostra que não! Não é assim! Definitivamente esse pacote é um estorvo, não me deixa continuar puxando o fio, me impede de enxergar adiante.
Com um pouco mais de força finalmente tiro o pacote da água e trago à bordo. Agora a questão é ter estômago para abri-lo. Preciso mesmo fazer isso? E se eu simplesmente joga-lo novamente na água? Posso continuar puxando meu fio, ele não vai me incomodar mais. Mas e se dentro dele tiver alguma coisa que me seja útil?
Percebo então que não preciso resolver isso de uma vez. Tenho sim que criar coragem e tirar toda aquela camada de lodo, algas e cracas. Respiro fundo, tampo o nariz e faço a faxina superficial. Jogo a sujeira fora. De volta ao mar não é sujeira, à bordo sim. Para meu espanto, vejo que depois disso não sobra muita coisa. O trabalho pesado já foi.
Deixo então aqueles objetos num canto - muitos dos quais totalmente desconhecidos. Agora o fio vem mais leve. Às vezes vem alguma coisa que encaixa certinho com um daqueles objetos do pacotão.
*******
Dizem que meu lado racional, mental, me dificulta o acesso à espiritualidade. Recebi a seguinte orientação: "use sua mente a seu favor". Parece que agora estou entendendo. O texto acima foi um exercício mental que me proporcionou um ótimo insight.
E já que sou racional e preciso usar isso a meu favor, vou pesquisar no Google o que é espiritualidade, pra começo de conversa.
A espiritualidade pode ser definida como uma "propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, à procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio". A espiritualidade pode ou não estar ligada a uma vivência religiosa
Thanks Wikipédia!
Pode ou não estar ligada a uma experiência religiosa. Pode estar pra você, não está pra mim. Não está pra mim agora, mas já esteve. Pode ser que esteja no futuro, vai saber?
Ok, resolvi o pacotão. Foi mais fácil do que eu pensava.
Que leveza!
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Meu verbo é ir
Vamos? Plural e futuro, minhas formas preferidas do meu verbo preferido.
Já fui! Mas posso ir de novo. Até hoje nunca me arrependi de ter ido.
Quando a gente vai? O calendário é o melhor amigo do meu verbo.
O mundo me parece muito grande pra ir em todos os lugares que eu quero.
Voltar pra casa também é ir.
Já fui! Mas posso ir de novo. Até hoje nunca me arrependi de ter ido.
Quando a gente vai? O calendário é o melhor amigo do meu verbo.
O mundo me parece muito grande pra ir em todos os lugares que eu quero.
Voltar pra casa também é ir.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
A tampa da panela
Sabe aquela analogia sobre encontrar o par ideal, quando dizem que toda panela tem sua tampa?
Eu sempre achei que quanto mais cedo a gente acha a tampa, mais fácil de encaixar. Estão lá as panelas, novinhas, brilhando, tampas idem. Aí a vida vai dando umas bordoadas, tampas e panelas caem no chão, amassa, lasca, como encaixa?
Chega uma hora que não é mais questão de achar a tampa, mas de tampa e panela entrarem num acordo. E como entra? A base de martelada... martelinho de ouro ou marreta, depende da gravidade do caso.
Eu sempre achei que quanto mais cedo a gente acha a tampa, mais fácil de encaixar. Estão lá as panelas, novinhas, brilhando, tampas idem. Aí a vida vai dando umas bordoadas, tampas e panelas caem no chão, amassa, lasca, como encaixa?
Chega uma hora que não é mais questão de achar a tampa, mas de tampa e panela entrarem num acordo. E como entra? A base de martelada... martelinho de ouro ou marreta, depende da gravidade do caso.
sábado, 19 de outubro de 2013
Os bichos do Instituto Royal me fizeram algumas perguntas
Por que ninguém soltou os ratinhos?
Será que as empresas que não testam seus produtos em animais não estão se beneficiando dos resultados de anos e anos de crueldade, e agora só aparecem como "mocinhas"?
Todo mundo que acha esse tipo de teste um absurdo abre mão de seus analgésicos, vacinas, antibióticos e cia? (não vou falar dos creminhos, shampoozinhos, absorventes higiênicos e fraldas descartáveis, porque disso eu imagino que já abriram mão)
Por que você acha o fim do mundo torturar cãezinhos Beagle, mas bebe leite de vaca? (alguém aí sabe como é a tortura a que mãe e filho são submetidos para que você beba seu todinho e coma seu queijinho?)
Por que ninguém entra na Fundação CASA pra libertar e cuidar de crianças abandonadas?
.
.
.
Obrigada aos ativistas que me proporcionaram essas reflexões. Nenhuma das perguntas acima me faz concluir que "ok, continuem os testes em animais". Elas só me mostram que o caminho é muito mais longo do que aquele que enxergamos numa análise superficial de fotinhos no Facebook...
E me mostram também que se queremos ser realmente livres, se queremos saber dos bastidores, se queremos ter escolhas honestas, precisamos estar atentos, precisamos fazer mais e mais perguntas.
O que acontece no Congo para que tenhamos minérios para compor nossos notebooks, smart phones e tablets?!
O que acontece nas terras indígenas para que tenhamos soja e pasto pro nosso churrasco?
O que acontece na casa da sua faxineira para que você tenha roupa e louça lavadas?
O que acontece na escolinha rural do Vale do Jequitinhonha enquanto seu filho briga pra não ir à escola?
O que acontece no canavial enquanto você mede uma xícara de açúcar pra colocar no seu bolo?
O que acontece com as tartarugas marinhas enquanto você come seu sushi de atum?
.
.
.
Calma, não precisa entrar em depressão...
Também não precisa correr desesperado pelas ruas tentando salvar o mundo...
Mas também não vá dizer que não tem jeito, deitar no sofá e pegar o controle remoto da televisão.
Será que as empresas que não testam seus produtos em animais não estão se beneficiando dos resultados de anos e anos de crueldade, e agora só aparecem como "mocinhas"?
Todo mundo que acha esse tipo de teste um absurdo abre mão de seus analgésicos, vacinas, antibióticos e cia? (não vou falar dos creminhos, shampoozinhos, absorventes higiênicos e fraldas descartáveis, porque disso eu imagino que já abriram mão)
Por que você acha o fim do mundo torturar cãezinhos Beagle, mas bebe leite de vaca? (alguém aí sabe como é a tortura a que mãe e filho são submetidos para que você beba seu todinho e coma seu queijinho?)
Por que ninguém entra na Fundação CASA pra libertar e cuidar de crianças abandonadas?
.
.
.
Obrigada aos ativistas que me proporcionaram essas reflexões. Nenhuma das perguntas acima me faz concluir que "ok, continuem os testes em animais". Elas só me mostram que o caminho é muito mais longo do que aquele que enxergamos numa análise superficial de fotinhos no Facebook...
E me mostram também que se queremos ser realmente livres, se queremos saber dos bastidores, se queremos ter escolhas honestas, precisamos estar atentos, precisamos fazer mais e mais perguntas.
O que acontece no Congo para que tenhamos minérios para compor nossos notebooks, smart phones e tablets?!
O que acontece nas terras indígenas para que tenhamos soja e pasto pro nosso churrasco?
O que acontece na casa da sua faxineira para que você tenha roupa e louça lavadas?
O que acontece na escolinha rural do Vale do Jequitinhonha enquanto seu filho briga pra não ir à escola?
O que acontece no canavial enquanto você mede uma xícara de açúcar pra colocar no seu bolo?
O que acontece com as tartarugas marinhas enquanto você come seu sushi de atum?
.
.
.
Calma, não precisa entrar em depressão...
Também não precisa correr desesperado pelas ruas tentando salvar o mundo...
Mas também não vá dizer que não tem jeito, deitar no sofá e pegar o controle remoto da televisão.
Assinar:
Postagens (Atom)

