terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Nas nuvens


Estou com um amigo querido em casa, o Axé, que mora na Alemanha e veio passar o fim de ano com família e amigos - itens raros nas terras germânicas. Ele é um fiel leitor do Aralume e não se conformou que eu iria dar um furo, justo hoje que ele está aqui!

Bem, são 22h38 e eu tenho um tema muito legal, que me veio justamente através de uma amiga de origens alemãs, a Ana Schilling. A Ana é aficcionada por livros e esse ano nos presenteou - a mim e ao PC - com dois livros e é sobre um deles que quero falar: o "Guia do Observador de Nuvens".

O autor (Gavin Pretor-Pinney) é fundador da The Cloud Appreciation Society (http://www.cloudappreciationsociety.org/), uma entidade que reúne observadores de nuvens... uma viagem! Ainda estou no começo do livro, mas ele já mudou totalmente meu olhar para o céu.

Prometo que voltarei a trabalhar nessa postagem, pois quero muito colocar alguns trechos do livro, mas tenho que aproveitar os preciosos minutos com o Axé, que está contando histórias interessantíssimas da sua vida na Alemanha, Tailândia e Ghana (?!). Agora teremos uma sessão de fotos e amanhã acordo cedo pra trabalhar...
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Estou de volta e preferi não mudar o "prefácio", porque ele tem um "clima" todo especial! E qual não foi minha surpresa quando, no domingo, ao responder uma das 50 questões do concurso público que prestei, uma delas era justamente sobre... nuvens! A questão descrevia um tipo de nuvem e era preciso assinalar a alternativa com o nome dessa categoria. Pelo menos um ponto eu sei que fiz, rs... tratava-se do tipo Cumulus, que é a nuvem mais típica (o primeiro capítulo do livro), aquela que aparece em desenhos infantis, que tem contornos bem definidos, um aspecto de "couve flor" e um branco brilhante. Elas parecem ser as coisas mais fofas do mundo e duvido que já não tenha passado pela sua cabeça como seria legal "mergulhar" numa nuvem Cumulus! Ah, essas nuvens são chamadas de "nuvens de tempo bom", pois não provocam precipitação. O que pode acontecer é ela crescer e se tornar uma Cumulonimbus. Aí, tire os aparelhos da tomada porque vem uma boa tempestade!
E por falar em tempo bom, segue um trechinho do livro:
"Manifestemos aqui nosso desprezo por todos os que pensam nas nuvens como o contrário de tempo bom. Uma tarde preguiçosa e ensolarada sob os flocos de algodão-doce levados pelo vento é muito mais interessante que a monotonia de um céu azul limpo e chapado. Não se deixe levar pela lavagem cerebral dos fascistas que cultuam o Sol - a Cumulus desempenha um papel fundamental para um perfeito dia de verão"
Agora algumas informações mais "técnicas". Existe toda uma sistemática de classificação das nuvens, que segue a mesma lógica de nomes latinos binomiais utilizada para vegetais e animais. Para os que não são muito familiarizados com essa nomenclatura, o primeiro nome se refere ao gênero, e o segundo é o epíteto específico (adoro isso, rs...): os dois nomes juntos formam a definição formal da espécie, como Homo sapiens (nós somos bicho, sabia?!), Caesalpinia echinata (o nosso simbólico Pau-Brasil) e Panthera onca (dá pra adivinhar?!). Um detalhe importante é que os nomes científicos são sempre escritos em itálico e apenas o primeiro nome com letra maiúscula. Ah, nunca levam acento.
Mas voltemos às nuvens. A nossa querida Cumulus pode ser de três espécies: C. humilis (as pequenas), C. mediocris (medíocre... média), C. congestus (grandonas) e C. fractus (com contornos mais "esfarrapados"). Como toda taxonomia, não é assim tão simples, então precisa de algum estudo pra saber diferenciar uma C. fractus de uma Stratocumulus (!). Não vou colocar aqui todas as espécies, pois são muitas (claro que não tanto quanto nos reinos animal e vegetal, mas ocupariam alguns preciosos minutos de digitação - minha - e leitura - sua), mas aí vão os gêneros:
Nuvens baixas:
- Cumulus
- Cumuloninbus
- Stratus
- Stratocumulus
Nuvens médias:
- Altocumulus
- Altostratus
- Nimbostratos
Nuvens altas:
- Cirrus
- Cirrocumulus
- Cirrostratus
Para saber mais, read the book e veja o site da The Cloud Appreciation Society, lá tem fotos incríveis!!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mau humor

Pelo que me lembre, todas as postagens do Aralume até agora foram super felizes ou, pelo menos, otimistas. Nada de revolta, rebeldia, raiva... mas eu não sou nenhuma Poliana e a TPM da semana passada foi tão avassaladora, que nem o Aralume escapou!

A TPM em si já seria motivo suficiente, mas aí quando eu paro pra pensar que estou me deixando levar por um surto hormonal, fico mais furiosa ainda. Por que eu não consigo me controlar?! Que "castigo" é esse que nós mulheres temos que suportar a cada 28 dias?! E se você é homem, nem vem falando que também tem que suportar, pois convive com mulheres. Nada disso, você não tem absoluta noção do que se passa, e levar umas "patadas" é coisa pouca.

E justo na semana passada, baixei o seriado Cilada e assisti uns episódios. Eu me identifico muito com o Bruno, com aquele mau humor crônico dele, que no fim só o faz se meter em ciladas maiores. E qual não foi minha suspresa, quando em um episódio ele diz que é taurino? Não sei se essa é uma característica do signo, mas achei engraçado... enfim, assistir essas ciladas e as reações do Bruno, só me fez ficar mais sem paciência, rebelde, revoltada... que cilada!

Bem, agora já foi, já passou, mas recomendo o seriado! Dá pra dar umas boas risadas... só não vai assistir na TPM!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais um blog...

Essa semana está oficialmente no ar o blog da Unidade Itu do Método DeRose: http://metododerose-itu.blogspot.com

E adivinha quem está escrevendo? Quem, quem, quem?!

O blog é mais interessante para quem é de Itu, pois divulga as atividades da escola, mas eu não poderia deixar de anunciar no Aralume esse novo "irmãozinho". Então aproveita e dá uma olhadinha lá!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O mundo está grávido!


Não, eu não estou grávida. Nem pretendo tão cedo... mas estou numa fase em que as pessoas da minha faixa etária "resolveram" procriar! Já há algum tempo tenho "notícias isoladas" de contemporâneos se multiplicando, mas agora está acontecendo uma verdadeira avalanche. Até a personagem do seriado que estou assistindo anda às voltas com uma barriga e muito enjoo.

E nesse cenário não tem como não pensar sobre o assunto. Vou confessar que já fui mais xiita, e me ver assim "amolecendo", me preocupa, rs... esse fim de semana conheci o filhote de uma amiga da faculdade, a Teluíra. Que neném fofo! Ele é tão risonho, lindinho e fofinho... e a Telu tá tão feliz, realizando sonhos, mudando de vida. Me peguei pensando: "por que não?!".

Na minha fase mais xiita, meu principal argumento - usado comigo mesma - era de que o mundo já está estufado de gente, e que aumentar essa população seria um ato insano com o planeta e com os próprios seres a se integrarem nessa loucura. Para mim o ímpeto de ter filhos nada mais era do que uma manifestação do gene egoísta (isso é sério, se não conhece, corra pro Google!). Um ato egóico de preservar sua carga genética em detrimento de toda uma espécie - ou de centenas de milhares de espécies, já que a nossa faz o que quer com todo o resto.

Ok, calma, essa fase já passou. Passou porque eu entendo que é preciso colocar no mundo pessoas bacanas, filhas de pessoas bacanas, pra ver se conseguimos pelo menos chegar naquele trecho onde é possível vislumbrar um tantinho de luz no fim do túnel. E além disso eu já estou desistindo de levar a vida muito "ao pé da letra"; faça isso, não faça aquilo.
Tá, mas se não é por "convicção ideológica", o que me faz sentir uma preocupação - pra não dizer pânico - ao me deparar com a possibilidade de uma vontade de um dia ser mãe? Em primeiro lugar é medo. Medo de passar mal, medo de ficar cheia de frescura, medo de não conseguir fazer as coisas que eu sempre fiz - e, mais ainda, as coisas que eu não fiz e que morro de vontade de fazer! Medo de sentir dor, medo de ver o meu corpo mudar, medo de me sentir vulnerável, medo de depositar uma carga muito grande de felicidade e expectativa em uma coisinha miúda, que vai crescendo e cria asas. Medo de ver meus medos espelhados num ser que para mim deveria refletir a perfeição.

Isso não é pouca coisa... mas ainda tem mais: também sinto muita preguiça. Preguiça de ouvir conselhos, preguiça de refazer rotinas, preguiça de pesquisar - mãe moderna pesquisa, e muito! Preguiça de pensar que vou passar noites sem dormir - pro resto da vida! Preguiça de explicar pras pessoas porque não vou dar carne pro meu filho. E por aí vai.
Enquanto isso eu me divirto com sobrinhos e filhos de amigos. E vou tentando fazer as coisas que eu acho que não conseguiria fazer se tivesse que cuidar de criança. Quanto aos medos, não sei se tem muito jeito... desconfio que toda mãe e todo pai carrega esse sofrimento, essa angústia, nem que seja lá no fundo. E mesmo assim dizem que é a melhor experiência da vida (experiência nada, que não existe "experiência" pro resto da vida!). Vai entender...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Saudade

O Paulinho da Viola, no documentário sobre sua vida "Meu Tempo é Hoje", diz que não sente saudade. Mesmo assim, ele tem uma música linda que fala da saudade, na verdade, Pra Fugir da Saudade. Talvez ele tenha conseguido:
Saudade
Você fez da minha vida
Uma rua sem saída
Por onde andou minha solidão
E hoje
Quando tudo é esquecimento
Uma flor sobrevive ao tempo
E se desfolha em meu coração
Para aliviar o meu sofrimento

Rompe em silêncio meu canto de felicidade
Dentro de um samba eu desfaço o que ela me fez
Quero abrigar, no entanto
Mais uma flor que renasce
Para fugir da saudade e sorrir outra vez

Eu não consigo fugir da saudade. Nem quero... não acho que sentir saudade seja assim tão ruim. Mas pesquisando um pouco sobre o assunto, nos meus queridos Google e Wikipédia, descobri que o que sinto é um pouco mais sério. O que eu sinto é nostalgia. Veja só a "gravidade" da coisa:

"Nostalgia é um sentimento que surge a partir da sensação de não poder mais reviver certos momentos da vida. O interessante sobre a nostalgia é que ela aumenta ao entrar em contato com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade. Exemplo: se alguém sente saudades de um conhecido, este sentimento cessa ao se reencontrar a pessoa; com a nostalgia é exatamente o oposto, ao reencontrar um amigo que gostava de brincar, este sentimento nostálgico irá se alimentar, e não diminuir como a saudade."

Com essa definição simples não preciso de mais nada para o diagnóstico. E é interessante notar que esse sentimento é geralmente deflagrado por músicas e cheiros - no meu caso. Ontem mesmo, ouvindo o disco "Circuladô", do Caetano (o vinilzão mesmo, que aumenta mais ainda a nostalgia, rs...), um turbilhão de imagens e sentimentos me veio à mente, de quando eu era pequena - o disco é de 1991 e eu tinha 10 aninhos... Minha mãe cantando, no sítio, eu e minha irmã brincando na terra, subindo nas árvores, esporadicamente o carro atolado e a gente cantando dentro!

Um lembrança puxa outra e, lembrando do sítio, vem de uma vez só um resumo da minha vida, que teve muitos dos seus momentos importantes vividos naquele lugar (mãe, não chora!). Haja nostalgia!

Enfim, música traz instantaneamente lembranças muito especiais. Eu não sei se com todo mundo é assim, mas eu geralmente quando "descubro" um disco, ouço até quase a exaustão, depois descubro outro e assim vai indo, de forma que aquele período fica bem marcado pela "trilha sonora".

Por exemplo, o "Fuá na Casa de Cabral", do Mestre Ambrósio, me lembra muito o estágio que fiz em Botucatu, com Assentamentos Rurais. Esse foi meu primeiro estágio na faculdade, e deve dar pra imaginar a quantidade de sensações que isso me trás. Mas o Mestre Ambrósio marcou toda uma época, pois seus três discos são realmente apaixonantes.

Da época que conheci o Paulo Cesar, o disco "Tábua de Esmeralda", do Jorge Ben, é um dos grandes ícones, junto com o sugestivo "Transa", do Caetano. E depois disso ele deu uma boa bagunçada nos meus registros musicais, porque um novo mundo se abriu, com milhares e milhares de músicas e novos artistas!

Mas o "Ventura", do Los Hermanos, marcou um certo verão Piracicabano, quando eu fui no primeiro show da banda e vi que eles eram muito mais do que "Ana Júlia", rs... teve também o primeiro álbum da Maria Rita, que leva seu nome, e traz lembranças de uma fase um tanto quanto turbulenta... "de repente cai o nível, e eu me sinto uma imbecíl".

E por aí vai... com relação aos cheiros, é muito engraçado, pois eu não sou de usar perfume, mas gosto de variar os cremes hidratantes, e quando eu retorno pra algum que usei há mais tempo, as memórias também são instantâneas, e lá vem a nostalgia!

Eu não vejo problema nisso, muito pelo contrário, até gosto! Eu fico feliz quando essas lembranças vem, pois me sinto viva. Reviver essas sensações me lembra o quanto fui (e sou) feliz, lembra também o quanto já consegui superar de coisas difíceis na vida, e isso me traz força para encarar as novas dificuldades - às vezes, inclusive, mostrando que algumas dificuldades presentes nem são assim tão grandes...

Sei que não corro o risco de "viver do passado", pois desde que me entendo por gente carrego comigo essa nostalgia, e ela não se restringe a um tempo específico, mas a todos os momentos da vida. Por isso tenho certeza que daqui a uns anos vou lembrar com carinho dos "tempo de Itu". Então agora vou escolher uma boa trilha sonora, tomar um banho e usar aquele hidratante novo! ;)