terça-feira, 29 de junho de 2010
Lição de casa
1. Acesse o link http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal/?vl
2. Preencha com seu nome e e-mail
3. Clique em "Assine a petição" - pronto, com essa tarefa quase ridícula, que te tomou nem cinco minutos, você deu a sua contribuição para que o Código Florestal brasileiro seja preservado!
Mas faça isso agora! A campanha só dura 72h e faltam menos de 48... vamos mostrar pra esses parlamentares que a cidadania existe no Brasil, e também o respeito às florestas. A meta é atingir 200.000 assinaturas e a sua - assim como as daqueles que você convocar pra campanha - fazem a diferença!
sábado, 19 de junho de 2010
O dia em que você nasceu
Eu fui uma das primeiras pessoas a ser avisada porque recebi a nobre incumbência de fazer o registro fotográfico do momento. Não, eu não sou fotógrafa profissional... deixa eu te explicar essa história: o seu tio Paulo Cesar, irmão da sua mãe e meu marido, é um fotógrafo "quase" profissional; "quase" porque ele não ganha dinheiro com isso, mas até poderia se quisesse. Enfim, ele tem talento, sensibilidade, um bom equipamento fotográfico e é uma pessoa muito querida dos seus pais, requisito principal para estar presente nessa hora. Só que um outro requisito importante ele não tem (pelo menos não por enquanto, mas se quiser ser pai um dia vai ter que dar um jeito nisso!). Ele não conseguiria lidar com visões de sangue + emoção exacerbada. E foi aí que eu entrei, meio que por impulso, disse na hora: "eu fotografo!".
Seus pais ficaram preocupados em como essa experiência influenciaria a minha decisão de ser mãe... mas sobre isso a gente conversa outra hora ;) De qualquer forma, acompanhar o processo da sua gestação foi muito enriquecedor. Seus pais foram muito empenhados em saber tudo o que se passava e o que se passaria; em entender o que isso significava, de fato; em fazer com que sua vida fosse cercada de amor e aconchego, desde o tempo em que você estava lá na barriga da sua mãe e principalmente no grande momento de nossas vidas, que é o nascimento.
E foi pensando em tudo isso que eles optaram pelo parto natural, em casa. Espero que quando você já tenha idade para ler e entender esse texto, sua reação seja: "ué, mas não é assim mesmo?". Infelizmente por enquanto não... por enquanto o "normal" é que a mãe vá levando a gravidez, até o momento em que sente que "chegou a hora", aí chama o marido, correm pro hospital, entram numa onda frenética de exames, médicos, enfermeiros, roupas azuis, toucas, luvas, luzes, macas, anestesias, bisturis... ... ... pronto, nasceu! A mãe, cortada e costurada; o bebê sem saber o que está acontecendo, em um mundo estranho e hostil.
Mas se os pais quiserem evitar essa correria, também podem fazer o parto com hora marcada, e aí fica tudo muito mais tranquilo... poxa, Clara, você esqueceu de avisar que horas ia nascer!
E foi justamente porque você não informou esse dado importante, que eu e seu tio fomos de Itu pra São Paulo com certa correria, mas não muita, porque sua mãe estava realmente tranquila, dizendo que não tinha motivo pra pressa. Deu tempo de eu participar da comemoração da minha mudança de grau no Método DeRose, pois agora sou Instrutora! Pegamos uma flor e pé na estrada.
Amanheceu e as contrações foram ficando mais intensas, tivemos que acordar a doutora. Sua mãe foi pro chuveiro (na verdade, ela entrou e saiu do chuveiro várias vezes, pois a água trazia algum conforto). Sua tia Valéria veio também e, como o plano era ter uma banheira à sua disposição, para caso o parto fosse na água, nós começamos a árdua tarefa de enchê-la. Panelas no fogão, baldes no chuveiro, sobe escada, desce escada (pra ajudar, sua casa é um sobrado).
Mas o banquinho da Betina ganhou da banheira e sua mãe só entrou nela pra eu tirar umas fotos, hehe! (brincadeira... ela nem conseguia pensar em fotos... mas é claro que eu aproveitei o fundo azul pra algumas tomadas!). Lá pelas 10h da manhã, depois de 24 horas em trabalho de parto, sua mãe estava exausta. Ela dizia que não aguentava mais e que não iria conseguir. Eu sabia que conseguiria. E a Betina também, tranquilizando e, ao mesmo tempo, fortalecendo sua mãe, para que ela se mantivesse presente. Vocês duas estavam muito bem amparadas.
E era 13h do dia 17 de junho quando você, finalmente, chegou! Ver você nascer foi a experiência mais emocionante da minha vida. A sua carinha amassada e linda arrancou lágrimas de todos. Você chegou em silêncio e foi direto pro colo da sua mãe; seu pai abraçou vocês duas e talvez o choro dos dois tenha te feito chorar também, um chorinho melódico.
Quando o cordão umbilical parou de pulsar, ele foi cortado pelo seu pai que, corajoso, passou uma lâmina muito afiada, separando fisicamente você de sua mãe... chega uma hora em que é preciso. Você foi com o Cacá e nós levamos sua mãe para o quarto, mas logo você já voltou pra ela de novo. Em seguida você tomou seu primeiro banho, no balde, enrolada num cueiro, a coisa mais linda! Você estava tão quietinha, com os olhos abertos, fazendo caretas e até sorrisos!
Clara, o dia em que você nasceu foi mágico. Você nasceu em uma casa alegre, rodeada por pessoas que te amam muito e que se amam muito. Diante disso tudo, qualquer coisa que eu deseje pra você parece tão óbvia que vá realmente acontecer, que nem tem muita graça desejar. Mas eu desejo mesmo assim!
Clara, eu desejo que você saiba sempre reconhecer o quanto sua mãe é importante na sua vida e o quanto ela se doou (e ainda vai se doar muito), para que você possa ser uma pessoa plena e feliz; eu desejo que você seja muito amiga da sua mãe e do seu pai, porque eles são pessoas incríveis, que vão te ensinar muito e vão aprender muito com você; eu desejo que você goste de natureza e prometo fazer a minha parte pra te proporcionar os melhores banhos de cachoeira e de mar, os melhores pores e nasceres do sol, as melhores luas cheias e os melhores céus estrelados; eu desejo que você tenha sempre consciência do privilégio de fazer parte dessa família alegre e acolhedora, composta de mãe, pai, avós, avôs, tios, tias, primos, primas, bisavós, tios avós, cachorros, etc... e todos muito "gente boa"; eu desejo que você saiba cuidar do nosso planeta, das nossas plantas e dos nossos bichos, e também das nossas pessoas; eu desejo que você encare com coragem a missão de ser mulher, que não é nada fácil, mas é encantadora.
Seja muito bem vinda!

PS - e hoje, 19 de junho, é um dia também muito especial, pois seu tio Paulo Cesar comemora mais uma volta em torno do sol! Parabéns, meu amor! Além dele, fazem aniversário hoje também o Pajé, nosso cachorro, com quem você ainda vai brincar muito, e o Chico Buarque, grande compositor e escritor, dono de um charme que ainda vai te arrancar suspiros! Eita turminha boa de geminianos!
terça-feira, 15 de junho de 2010
Pra frente Brasil!
Mas não é sobre isso que quero falar; nem sobre rojões, nem sobre a Copa, mas sobre o Brasil. Ontem assisti ao Roda Viva, que teve em seu centro a senadora Marina Silva, candidata à presidência. Se eu já gostava da Marina, agora gosto mais! Tive a oportunidade de vê-la falar ao vivo, enquanto estudava na Esalq, e foi muito emocionante, de encher os olhos d´água mesmo.
Pessoas como ela me fazem acreditar na política, me fazem acreditar que é possível construir um país decente. Mesmo ela estando bem atrás dos candidatos principais, sua campanha já é significativa e pode fazer muita gente pensar: "por que não?!".
Uma das coisas que mais gostei na fala dela de ontem foi com relação à quebra da dicotomia governo x oposição. Ela disse que não quer afirmar o que ela é contra, mas sim o que ela é a favor! Oposição por oposição não leva a nada...
Eu senti nela um discurso extremamente transparente e honesto, muito sincero. Isso pra mim já é grande mérito. E o teor do discurso traz uma preocupação muito forte não apenas com o meio ambiente, sua bandeira inseparável, mas com educação e planejamento, de forma que "o Brasil possa ocupar seu lugar no século XXI". Ela fala tantas coisas bonitas, com ênfase em valores, com a vontade de um governo unificador, que tenha como meta "o que é bom para o Brasil", ressaltando a urgente necessidade de tornar a agricultura sustentável em larga escala, de diversificar as formas de energia... que chega até a ser meio utópico; que chega a dar aquela sensação de "é bom demais pra ser verdade". Eu não gosto dessa sensação.
Não gosto porque a gente merece o "bom demais", então não há o que seja "bom demais pra ser verdade"! Estamos tão acostumados com a violência, com a desonestidade, com a pobreza, com a sujeira, que chegamos a achar que isso é o normal... mas NÃO É! Isso sim é que é "ruim demais pra ser verdade"!
O meu medo é que as pessoas tenham essa sensação com relação à candidatura da Marina, de "bom demais pra ser verdade", de "isso é no mundo do faz de conta"; mas não podemos deixar isso acontecer. Se é bom demais, então é isso que eu quero! Se é bom demais, então tem tudo pra dar certo!
O voto do Aralume é da Marina! E, como ela mesma diz: "segundo turno a gente discute no segundo turno"!
quarta-feira, 9 de junho de 2010
O que - ops, quem - você comeu ontem?
Não sou nenhuma expert no assunto, pelo contrário, me considero iniciante nas artes dessa maravilha da natureza humana, mas acho que dá pra iniciar uma conversa. Opa, peraí, você leu natureza humana? Mas os animais também fazem sexo... pois é, mas o "sexo animal" é bem diferente do humano ;)
É diferente, basicamente, porque nós, humanos, temos consciência da nossa sexualidade - ou pelo menos deveríamos ter, rs... isso transcende objetivos meramente reprodutivos, ou até mesmo do prazer imediato. A quantidade de energia gerada numa relação sexual é arrebatadora! Isso não é por acaso... toda essa energia tem uma "razão de ser", que não é simplesmente gerar uma nova vida (embora essa razão seja bastante nobre, se pensarmos que toda essa maravilha do sexo é "só" pra gerar novas vidas, então vamos concordar com as igrejas que dizem que "sexo só pra procriar"... pra mim isso não faz muito sentido).
Mas então se o sexo - humano - tem algo mais além de gerar uma nova vida, o que é?! Fonte de prazer? Bom, prazer é fundamental na vida e até acho que o caminho está por aí... mas não pára nisso. Certamente seria mais fácil entender o mecanismo se a sexualidade não fosse tão ofuscada, tão enclausurada, tão escondida, tão proibida. E por que isso? Por que o sexo é proibido?
O que é ser vulgar, ser erótico, ser afrodisíaco, ser sensual? Quais as tênues linhas que separam esses estados? Por que fala-se muito e faz-se tão pouco? Quando digo "fala-se muito" acho que não precisa explicar, mas somos bombardeados com conteúdos sexuais o tempo todo, como se fôssemos muito liberados e bem resolvidos (até parece...); e o "faz-se pouco" é justamente essa ideia de que a aparente liberação encobre uma forte repressão, uma confusão de conceitos, uma desorientação do que representa, de fato, o sexo.
Aproveitando então o gancho do Dia dos Namorados, queria propor uma reflexão sobre a sexualidade. Despida. Sem calcinhas de oncinha, sem meia luz, sem "acessórios". Sem "quantos", sem "quantas", mas com "comos" e "porquês"...
Qual o papel que o sexo tem na sua vida?
terça-feira, 8 de junho de 2010
Voltando pra órbita!
Depois de ficar duas semanas no meio do mato, os afazeres se acumularam: afazeres com a casa, com os cães, com o marido, com outros trabalhos e até comigo! O Aralume vai esperar um pouquinho nessa fila, mas logo, logo tem coisa nova por aqui, que as ideias não param, mas nem sempre é fácil parar em frente ao computador para compartilhá-las.
Bem, lembre-se que estamos em plena Semana do Meio Ambiente, com direito a votações de leis sobre o Código Florestal na Câmara dos Deputados... para saber mais acesse www.sosma.org.br/exterminadores
terça-feira, 1 de junho de 2010
Direto do front
Tenho trabalhado bastante ultimamente com desdobramentos de licenciamentos ambientais. Qualquer pessoa - física ou jurídica - que for fazer uma intervenção no meio ambiente, precisa pedir autorização pro órgão ambiental (CETESB, no Estado de São Paulo). Dependendo da escala da intervenção basta comunicar ao órgão, ou então podem ter as mais diversas compensações ambientais... e é aí que eu entro!
No caso específico desse trabalho que estou fazendo agora, será uma obra de grande porte, então uma das exigências do órgão ambiental é que a vegetação do entorno seja monitorada, para que se estude o impacto da intervenção... e aqui estamos nós, monitorando árvores adultas, jovens e bebês... na prática isso significa que estamos instalando 36 parcelas de 10 x 10 m + subparcelas de 10 x 2 m para amostragem da regeneração (mudas). Em cada uma dessas parcelas a gente plaqueia, mede e identifica as árvores e as mudas; faremos esse acompanhamento por três anos.
Falando assim parece fácil - e na realidade até é, rs... mas o trabalho de campo envolve lidar com burocracias (autorização da autorização da autorização); com logística (alugar carro, reservar hotel, providenciar comida, providenciar toda sorte de equipamentos e materiais); com imprevistos, muitos imprevistos; com contratempos, muitos contratempos! Com estradas elameadas (isso é legal =D ).
Aí quando a gente consegue, finalmente, chegar no campo, chove. E na chuva não dá pra anotar, o papel fica uma meleca, por mais que se usem saquinhos, guarda chuva e capa (existem papéis próprios pra escrever debaixo de chuva, mas isso é coisa de engenheiro florestal gringo, rs...). Fora o frio que faz no alto da serra... mãos e pés molhados.
Mas é uma delícia. Claro que com frio nada é delícia, mas o trabalho, de forma geral, é muito gostoso. É estar literalmente, completamente, extremamente dentro da natureza. Não é pra qualquer um; não é pra qualquer uma. Tem que ter boa resistência física, psicológica e emocional; tem que ter paixão; tem que saber "o que eu tô fazendo aqui?!". Eu me faço essa pergunta pelo menos umas 14 vezes por dia... às vezes eu sei, às vezes não... às vezes eu acho que sei... mas o importante é continuar perguntando e continuar buscando as respostas... enquanto fizer sentido.