domingo, 25 de dezembro de 2011

Bolívia & Peru - Diário de Bordo: Ep. 1 - Dorme sujo, acorda pronto

A viagem começou muito bem. Nada de trânsito, nada de contratempo, aeroporto tranquilo. Cinco horas de voo depois (com conexão em Santa Cruz de La Sierra, onde o aeroporto tem Wi Fi grátis), ganhamos duas horas no relógio (fuso + horário de verão) e chegamos a La Paz.

O que tinham falado era verdade: está frio, chove e a altitude provoca moleza, dor de cabeça e tontura. Nada grave; é até interessante sentir esse efeito de semi embriaguez, que oscila um pouco ao longo do dia.

Fomos para o albergue que havíamos reservado, o Bash and Crash. Ficamos em uma "habitación compartida", com três beliches e outros dois colegas de quarto (um brasileiro por sinal, que veio no mesmo voo que nós). Quando reservamos era a única opção e aceitamos, pois já estava difícil arrumar vaga em outros albergues mais bem recomendados.

A chegada no Bash and Crash desanima logo de cara: tem uma escadaria de tirar o fôlego de qualquer um... mas quando se tem 19 kg nas costas e oxigênio rarefeito de 3.700 m vai um pouco além disso! O atendimento foi muito bom e o "clima" era de albergue mesmo: gringos pra lá e pra cá (fumando na sala inclusive, éca!), som alto, uma certa bagunça. O banheiro até que era ok (mas os meninos não falaram o mesmo...). O quarto era apertado, sem armário nem um cabidinho. Tinha uns armários na sala, com trava pra cadeado. O colchão, sofrível, mas a roupa de cama até que era boa e com edredons quentinhos.

Depois desse breve reconhecimento, tomamos um "mate de coca" e saímos pra jantar. Achamos um restaurante vegetariano (Tierra Sana) que já estava fechando, mas graças à lábia do Lelo conseguimos um jantar completo! Lugar muito agradável, atendimento simpático e atencioso, comida boa e preços animadores (pratos por 28 a 33 Bs).

Depois de comer, o cansaço bateu mais forte e lá mesmo no restaurante fizemos um pacto de que ninguém iria tomar banho antes de dormir, rs... Dadas as condições do albergue seria uma verdadeira empreitada... e resolvemos também que no dia seguinte iríamos pra um hotel, que reservamos assim que chegamos de volta no albergue.

A diária no albergue saiu por R$ 13,00 por cabeça... e no hotel (LP Columbus) por R$ 49,00... diferença considerável né?! Foi por isso que optamos primeiro pelo albergue... mas ao avaliar o preço de um quarto com privacidade, cama grande com colchão bom, banheiro no quarto, água quente nas torneiras e um bom café da manhã (bem, isso só vou constatar amanhã, mas estou apostando!), vimos que a economia era desnecessária.

Depois da decisão tomada e tudo acertado, fomos dormir. Todos super cansados, dormimos logo. Mas eis que no meio da noite acordo com alguém entrando no quarto; meio segundo depois esse alguém estava deitando na minha cama! Quando o figura, um gringo mutcho loco, viu que já tinha uma pessoa na cama, se dirigiu ao beliche ao lado, que também já tinha, e não contente foi para o terceiro beliche, onde estava a Thássia, que deu uma bronca nele! Nisso o Lelo desce do beliche (de cueca) e vai ajudar o gringo a achar sua cama... depois fiquei sabendo que ele já tinha entrado no quarto antes. E lá pelas tantas da madrugada o tal gringo volta, abre a porta, acende a luz e leva uma outra bronca, dessa vez definitiva.

Eu tive um verdadeiro acesso de riso no meio da madrugada quando vi o gringo puxando o edredon do outro brasileiro que estava no beliche do lado! Cada um segurando numa ponta, o gringo bêbado, o brasileiro sem entender nada.

Histórias como essa um hotel não proporciona! Por isso ainda acho que vale a pena dar uma passada em albergues de vez em quando, embora a Ana, minha irmã, fale que albergue não é pra maiores de 30!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Conforto ou Liberdade?


Nunca tive dúvida sobre a resposta pra essa pergunta... e acho que conscientemente todo mundo opta pela liberdade - ou não, afinal, tem gosto pra tudo!

Mas em níveis sub conscientes tenho certeza de que a maioria das pessoas - maioria na qual me incluo - acaba barganhando, vez ou outra, sua liberdade em troca de conforto. E o conforto é tão... confortável! (o que é uma armadilha sem tamanho pra uma taurina com tendências preguiçosas!)

E por saber disso vivo me policiando pra não virar aquela vaquinha gorda ruminando na sombra. A sombra tão confortável e acolhedora, que não demora a trazer a ideia de que estar na sombra não quer dizer que eu não tenha liberdade, pois quando eu quiser posso sair, não estou presa...

Sinal de alerta! O pior cativeiro é o que nos é imposto por nós mesmos. E isso acontece em níveis sub conscientes, chegando ao plano consciente totalmente mascarado (por que a gente faz isso?!?!).

Toda essa história me fez concluir que pra usufruir da liberdade é preciso investir uma certa energia.

É preciso correr alguns riscos. E quando corremos riscos, às vezes dá certo, às vezes não dá. E quando não dá, tem que dar conta do prejuízo.

É preciso dar a cara a tapa. Às vezes a gente apanha; às vezes ganha um beijo...

Não pode ter medo de errar, mas tem que ter cuidado para errar cada vez menos.

Tem que estar preparado pra chuva e pro sol. Mesmo que o preparo seja só psicológico (nem sei por que escrevi "só" psicológico, pois é muito mais fácil carregar uma capa de chuva do que manter o bom humor estando molhado e com frio!).

Tem que saber que as paisagens mais lindas geralmente - geralmente, não sempre - demandam as mais árduas caminhadas.

Tem que levar ao pé da letra o dito popular "antes só do que mal acompanhado". Tem que abrir mão das companhias confortáveis que tolhem nossa liberdade. Isso vale pra emprego também...

Ou seja: dá trabalho pra caramba!!!

E por isso às vezes optamos pelo conforto... tem momentos em que precisamos de conforto, pra repor as energias, pra ser cuidado, pra cuidar. E não digo que quem tem conforto não tem liberdade... mas que precisa de atenção, ah isso precisa, porque pode ser que quando você se der conta, já não "queira" mais desbravar os horizontes e se contente com a poltrona do papai e o jantar à mesa.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Preparando-se para desligar...

E enfim chega o fim. Quase consigo dizer: "nossa, mas já?!". Quase, porque tenho tanta coisa pra fazer que até aceitaria uma esticadinha no calendário, esse mesmo que eu estava há pouco tentando encurtar...

Check lists e mais check lists pra deixar tudo em ordem e poder passar um mês fora de casa e longe de casa. UM MÊS!!! Fiz isso quando fui pra Amazônia... ô viagem boa aquela! Belém, Ilha do Marajó, Macapá, Santarém, Alter do Chão [suspiro, ah, Alter do Chão] e Manaus. Muito rio, muita água, paisagens e histórias inesquecíveis... tem até um link permanente no rodapé do Aralume com algumas fotos dessa viagem!

O famoso estágio na Ilha Anchieta também me rendeu um bom tempo fora de casa... deve ter passado os 30 dias... era estágio, mas estágio não é trabalho, hehe!

E vou agora pro meu terceiro mês de férias. Mês inteiro. Faz diferença, apesar das viagens incríveis que fiz com bem menos tempo do que isso.

Pra quem quer saber dos planos, seguem as atualizações:

Saímos dia 24/12 rumo a La Paz; dia 26 vamos pra Uyuni passar três dias desbravando o deserto de sal; de volta a La Paz seguimos para Copacabana e Isla del Sol, no Lago Titicaca; reveillón em La Paz, com direito a hotel 3 estrelas (luxo da viagem, rs...); no primeiro dia do ano vamos de avião para Cusco (ok, você pode achar que isso entra na categoria luxo, mas luxo mesmo seria ter tempo para ir tranquilamente por terra...); dia 3 de janeiro iniciamos a Trilha Inca e no Dia de Reis chegamos a Machu Picchu; dia 8 os companheiros de aventura voltam e eu fico em Cusco por mais duas semanas... sem muitos planos, vamos ver como os ventos dos andes sopram!

A "tchurminha mais que bacaninha" é composta pelo PC e mais um casal adorável e aventureiro, a Thássia e o Lelo. Será nossa terceira viagem juntos e eu e a Thássia estamos formando uma dupla imbatível na organização de roteiros e administração de imprevistos!!! Espero que continue assim ;)

Sempre que possível mandarei notícias aqui pelo Aralume e pelo Facebook.

No mais, desejo que você tenha um ótimo desfecho de ano, com muita alegria, confraternizações, reflexões e inspirações!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O respeito ao choro

Esse fim de semana pude passar alguns preciosos momentos com a Clara, só eu e ela (se você é leitor do Aralume já conhece a Clara, que é minha sobrinha e afilhada e logo completa um ano e meio. Ela tem até uma "tag" nos assuntos do blog, rs...).

Muito do que vou escrever aqui tem a ver com o que diz a Laura Gutman no livro "A maternidade e o encontro com a própria sombra" e também com as conversas que tenho com a Carol, mãe da Clara. Mas nada como um depoimento de fatos, né? Teorizar é importante, pois oferece o alicerce, mas enquanto não se coloca a mão na massa, a areia fica de um lado, o cimento do outro, a água lá longe e nada de parede! (para os amigos agroecológicos posso reescrever essa frase: ...mas enquanto não se coloca a mão na massa, a terra fica de um lado, o bambu do outro, a água lá longe e nada de parede! =D ).

E lá fui eu colocar a mão na massa. Primeiro um passeio no parque enquanto os pais foram pra feira. A garoa fina me fazia equilibrar um guarda chuva e deixava a terra na consistência ideal para mudar a cor dos sapatinhos pequeninos que corriam atrás dos "cocós".

Não demorou muito e fomos ver os cavalos. Ali ficamos um bom tempo... uma eternidade, eu diria. Uma eternidade do ponto de vista de um adulto, que corre pra lá e pra cá o tempo todo e parece que nunca se dá o direito de parar e simplesmente observar.

Apoiei uma perna na grade, coloquei a Clara sentada e ficamos vendo os cavalos andando em círculos. Alguns segundos depois eu pergunto pra Clara "vamos embora?", ao que ela responde prontamente e sem a menor dúvida com um aceno negativo. Ok, to passeando mesmo... mais alguns minutos, a garoa aperta. Abro o guarda chuva e refaço a pergunta; a resposta é idêntica. Pergunto se ela está com frio, não está; pergunto se está tudo bem, está. Então pra que mudar?

Deixo-me ficar e a "autopergunta" ecoa na minha cabeça: "mas por que raios você quer ir embora?!". Eu não tinha nenhum motivo pra sair dali... ficamos então até a Clara, por livre e espontânea vontade, dar tchau para os cavalos.

Uma das coisas que a Laura Gutman fala é que as crianças tem um tempo muito diferente do nosso, que elas são muuuuuuuito mais lentas e que os processos acontecem em outra escala. E quanto menor a criança, mais acentuada essa diferença de "timming", afinal, elas estão chegando, é absolutamente TUDO novo, é difícil se mexer, se comunicar. Então um aprendizado muito importante para quem lida com criança é que a velocidade delas deve ser respeitada... eu acho que dá pra manter um passo à frente, até mesmo como estímulo, mas precisamos ter muito cuidado para não atropelar as coisas.

Pois é, e se eu não soubesse disso e, por tédio ou ansiedade, tivesse tirado a Clara dali antes que ela resolvesse que já era hora, o que teria acontecido? No mínimo ela teria chorado, com certeza. Cada um usa as armas que tem e o choro é praticamente a única arma das crianças! Então a interpretação adulta seria que ela estaria "fazendo manha", que seria birra de criança mimada. Quem já não se viu numa situação dessa?!

No nosso caso específico eu realmente não tinha motivo para tirá-la dali, mas e se fosse preciso? E se eu tivesse um horário marcado com qualquer coisa e precisasse ir embora? Aqui teríamos dois cenários: em um o adulto vai embora e pronto, com a criança chorando e as pessoas olhando; em outro o adulto falta com o compromisso porque "não pode contrariar a criança".

Acho que todo mundo tem alguma memória de qualquer variação das cenas acima. Ou atropela a criança, ou a vontade da criança atropela compromissos, pessoas, orçamentos...

Mas existe o "caminho do meio", que é a conversa. É impressionante como a Clara entende tudo o que a gente fala! Vejo os pais conversando com ela o tempo todo, explicando tudo e ela, embora ainda com poucas palavras, dá sinais muito claros do que quer.

Na maioria das vezes basta explicar, respeitar o tempo (nem que seja só o tempo de ela entender o que você está falando) e tudo se resolve com sorrisos. Em outras vezes, realmente não tem tempo pra ficar explicando, principalmente em situações de perigo, mas mesmo nessas dá pra ir mostrando pra criança que você teve que tomar aquela atitude pro bem dela. Se não deu pra conversar antes, é fundamental conversar depois...

Exige paciência, exige lucidez. E exige o que muita gente definitivamente não está preparada para enfrentar: as "autoperguntas"! Porque ao explicar pra criança você tem que estar convencido daquilo, senão não funciona! E aí talvez você se depare com questões que não estão bem esclarecidas nem dentro de você...

Mas vale a pena! Olha o que alguns minutos observando cavalos com uma criança no colo renderam, rs...

Depois, no mesmo dia, precisei ficar um tempo mais longo com a Clara. Brincamos, comemos, fizemos várias coisas, mas o mais legal foi o banho! Primeiro porque foi ela que pediu pra tomar banho. Sem usar uma palavra, foi até o banheiro apontou a banheira e o recado estava dado. Pensei "será que é hora de tomar banho?", "será que eu posso dar banho nela?", "será que eu ligo pra mãe?!".

Resolvi usufruir da minha autonomia de madrinha e lá fomos nós pro banho! A Marina, nossa outra sobrinha de 5 anos, foi uma belezinha e ficou lá me ajudando. Mais uma vez atenção ao "timming". Sei que a Clara adora água e adora banho, então não tinha mesmo a menor necessidade de apressar o processo.

Aí pensei que muita gente vê o banho da criança com uma visão utilitária, ou seja, a visão adulta: banho é para ficar limpo. Entra, ensaboa, repassa e sai. Mesmo porque não pode ficar gastando água! Mas o banho da criança tem uma função muito mais lúdica do que utilitária. E sendo de banheira ou balde a água é a mesma, independente do tempo que o serzinho fique lá "de molho".

Eu acho, aqui na minha humildade, que criança que dá trabalho pra tomar banho (chora pra entrar e chora pra sair) é porque não tem a oportunidade de desfrutar do prazer do banho.

Sei que não deve ser fácil pra muitas mães e muitos pais, que vivem na maior correria, respeitar esse ritmo infantil. Mas, mais uma vez "achando" aqui na minha humildade, na maioria dos casos as mães e os pais teriam sim esse tempo a mais para dedicar aos filhos, mas não se dão conta. Parece até que nem pensam no que estão fazendo e que não conseguem fazer um escalonamento de prioridades que inclua e privilegie o bem estar da criança. E nesse caso ainda contam com o apoio da sociedade, que não quer "crianças mimadas"...

E o resultado é uma legião de crianças desrespeitadas, podadas, com as bocas caladas por chupetas, mamadeiras, doces e brinquedos caros, que nunca são suficientes.

Bom, sei que estou em uma posição privilegiada pra falar desse assunto, já que não tenho filhos. Depois da "amostra grátis" de ter uma criança sob minha responsabilidade, passei o "pacote" adiante e fui cuidar da minha vida, rs...

Não estou aqui pra julgar ninguém. "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Só peço atenção. Só peço que as escolhas sejam conscientes. Só peço que você avalie as consequências de cada escolha e seja responsável por elas. Mesmo que você erre. Mesmo que você veja que saiu tudo diferente. Sempre é oportunidade para aprender.


É comum quando escrevo vir alguma música à mente (mais comum ainda é vir vááááárias, hehe!). Na semana passada compartilhei com você e agora faço o mesmo. Chororô, do Gil. Gil lindo, luminoso e iluminado!


Tenho pena de quem chora
De quem chora tenho dó
Quando o choro de quem chora
Não é choro, é chororô
Quando uma pessoa chora seu choro baixinho
De lágrima a correr pelo cantinho do olhar
Não se pode duvidar
Da razão daquela dor
Não se pode atrapalhar
Sentindo seja o que for
Mas quando a pessoa chora o choro em desatino
Batendo pino como quem vai se arrebentar
Aí, penso que é melhor
Ajudar aquela dor
A encontrar o seu lugar
No meio do chororô
Chororô, chororô, chororô
É muita água, é magoa, é jeito bobo de chorar
Chororô, chororô, chororô
É mágoa, é muita água, a gente pode se afogar

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O começo está próximo

Chega a revista Trip e vejo essa frase na capa: O Começo Está Próximo. Cai como uma luva para traduzir o que ando sentindo. Fim de ano, aquela sensação estranha de querer tirar uma roupa velha e vestir a nova... a vontade de um novo começo.

Você pode pensar: então tira, então veste, então começa! Se você pensa assim, é dos meus. Não gosto dessa convenção de um "portal mágico" na virada de 31/dezembro para 01/janeiro, iludindo as pessoas com a ideia difusa de que basta mudar o calendário, trocar de agenda e pronto, tudo novo! Não é bem assim...

Mas acontece que esse ano eu estabeleci algumas resoluções que dependem do calendário, afinal, reconheçamos seu mérito em organizar a sociedade! Só que o resultado é que entrei na onda coletiva do "fim de ano"... vontade de férias, contagem regressiva, tudo meio bagunçado sob a desculpa de "em janeiro se ajeita". E percebi que, felizmente, não estou acostumada a isso - e nem quero estar.

O DeRose diz que a liberdade é nosso bem mais precioso... eu digo que é o tempo. O que acaba dando na mesma, porque ter tempo é ter liberdade para fazer o que quiser com seu tempo... Enfim, se o tempo é meu bem mais precioso, querer que ele passe depressa é uma heresia, um sacrilégio, um desperdício imperdoável!

Ao pensar nisso a Carolina um pouquinho mais evoluída que habita meu ser dá um puxão de orelha na Carolina mais ansiosa (que quer que o ano acabe logo) e preguiçosa (aquela que "deixa tudo pra janeiro"). Passa um sermão e manda olhar em volta. Manda desfrutar cada minuto, aprender em cada detalhe. Faz com que as coisas não desandem tanto, porque uma bagunça pequena a gente arruma sem esforço em minutos, mas uma bagunça grande extrapola a soma dos poucos minutos que teríamos levado para arrumá-la cotidianamente (e isso serve para roupas jogadas no quarto, conta bancária e relacionamentos humanos!).

Estamos tentando aqui, todas as Carolinas que me habitam, a chegar num consenso. Vamos vivendo dia a dia. Pés e mãos no presente. Olhos no futuro; e de vez em quando no chão, pra não tropeçar ;) O coração, ah, este dá trabalho, fica meio atrasado no passado, aí salta pra sonhos distantes. A mente vai clareando e pelo menos já se dá conta disso tudo...

Ok, tudo isso é bonito e estou mesmo tentando aplicar na minha vida, mas... mas... não consigo parar de pensar que daqui a 18 dias estarei de mochila nas costas, rs...

E por falar em "o ano está quase acabando", deixo-os com a letra da música Por Pouco, da banda pernambucana Mundo Livre SA.

Estamos quase sempre otimistas 
Tudo vai dar quase certo
Pois o ano esta quase acabando
Depois de termos quase certeza
Que dento em breve teremos um quase
Alegre carnaval
Por pouco não trouxemos o penta (a música é antiguinha, rs...)
Quase acertamos na loto
Quase compramos a casa
Quase ganhamos o carro
A moça da banheira ficou quase nua
A gostosa da praia quase dá, não dá
Quase dá, não dá mole, não
Pro pouco não ganhamos o Oscar
Quase ficamos no emprego
Quase pagamos a dívida
Quase evitamos a falência
A moça da banheira ficou quase nua
A gostosa da praia quase dá, não dá
Quase dá, não dá mole, não
Contribuintes não contam
Torturadores não sentem
Esculturas de lama não morrem
Jornalistas mortos não mentem
Votamos no quase honesto, pois quase confiamos nele
Acabamos de entrar pelo cano
Por pouco não reagimos, quase nos revoltamos
Mas quase confiamos na justiça e na sorte

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Virando onça


Eu não queria escrever sobre isso. Definitivamente não queria.

Mas a situação obriga. Na "famosa rede social" vejo ambientalistas em campanha para defender o Código Florestal, para parar Belo Monte, para salvar o Tietê, mas ninguém fala do massacre dos índios Guarani Kaiowá que está acontecendo no Mato Grosso do Sul. Será apenas uma questão de foco? Afinal, são tantas as causas para defender...

Fico pensando se sou eu que estou fazendo tempestade em copo d´água, se eu deveria tratar o caso como "coisa normal", afinal, são tantas as mazelas do mundo...

Só que por outro lado, não vejo tantas bandeiras sendo levantadas. Ok, os assuntos que mencionei, sobre questões ambientais, estão sendo "martelados", mas por meia dúzia de pessoas. Ah, sim, deixe esclarecer: meu universo de amostragem é de menos de 400 pessoas, que fazem parte do meu círculo de amigos no Facebook. Será que posso extrapolar esse pequeno universo para inferir sobre o pensamento médio da sociedade?

Não sei, até desconfio que sim... ou pelo menos inferir sobre "o pensamento médio da classe média da sociedade"...

E ah, como me irrita ver as pessoas compartilhando piadinhas banais (ok, humor é essencial pra vida, mas tudo tem limite!) e assuntos futebolísticos (isso me irrita MESMO e eu "passo a foice" sem dó). Tudo bem, o Facebook é uma ferramenta bastante lúdica, tem que divertir mesmo, mas a sensação que eu tenho é que fica só nisso... detesto essa expressão mas tenho a impressão de ser "coisa de brasileiro"...

Alguém aí, por favor, me diga que eu estou errada!

Sobre a questão dos índios não vou atrever a escrever, porque realmente não conheço os detalhes. Só sei que é real e muito grave. Saiba mais em:

Saber já é um bom começo. Depois, faça com que outras pessoas saibam. E para contribuir de forma concreta, sem sair da cadeira, assine a Carta ao Ministro da Justiça elaborada pelo Instituto Socioamebiental:

Se quiser e puder sair da cadeira, acontecerá hoje, em São Paulo, na PUC às 19h um Ato Contra o Genocídio do Povo Guarani-Kaiowá.



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Formadores de opinião

Fiquei espantada com a repercussão do vídeo dos "globais" sobre a hidrelétrica de Belo Monte (Movimento Gota D´Água). Uma enxurrada de compartilhamentos, o site para assinar a petição travado por tantos acessos, quantidade enorme de assinaturas em um tempo recorde.

E é claro que esse "boom" não passaria despercebido pelos críticos de plantão, nem mesmo a essa que vos fala :) É realmente um prato cheio analisar a manifestação dos atores - e a reação do público - frente a um assunto desse!

Recentemente muitos artistas se manifestaram sobre as mudanças no Código Florestal e, como eu já disse em postagem no Facebook, achei muito bacana, mas gostei mesmo quando vi um professor falando sobre o assunto.

Claro que pra mim o discurso do professor é perfeitamente assimilável, pois já estou familiarizada com os termos e com o assunto de forma geral... mas fico pensando se é tão difícil assim para um leigo entender... onde os "ambientalistas" estão errando na transmissão de suas mensagens? Por que será que precisamos que o "moço da novela" venha traduzir nossos argumentos?

Na verdade acho que não tem "erro" na transmissão da mensagem, mas é óbvio que um texto dito e interpretado por profissionais do ramo tem alcance e contundência muito maiores. Eu sempre tenho o cuidado de não subestimar as profissões (já devo ter falado sobre isso aqui...), acho muita prepotência querer fazer algo sem ter formação específica pra tanto, quando essa formação existe e existem profissionais se dedicando ao ofício.

Então, no quesito "comunicação com o grande público", ninguém melhor para transmitir a mensagem do que um profissional da comunicação com o grande público, ou seja, ator de novela! Tão perfeito que o sucesso do vídeo sobre Belo Monte atesta.

Li um comentário azedo sobre o filme, dizendo que se tratava de um "blá, blá, blá decorado"... Não acho que seja blá, blá, blá, mas o que a pessoa que escreveu o tal comentário talvez estivesse querendo dizer, e é justamente o que eu queria chamar atenção, é que os caras são muito bons para transmitir mensagens, mas isso não quer dizer necessariamente que a mensagem seja boa ou verdadeira.

A profissão deles é fazer qualquer coisa se tornar convincente! Você tem ideia da arma que isso representa?!

Concluindo, fica aqui meu apelo: procure saber quem está falando. É a Maitê Proença ou a personagem Maitê-Proença-fazendo-campanha-ecológica? No primeiro caso, quem é ela pra dar uma opinião pessoal nessa área? No segundo caso, quem escreveu o texto que ela fala tão bem? Que bagagem tem essa pessoa?Em que fontes ela bebe?

Achei o vídeo interessante, assinei a tal petição, divulguei. Mas... mas... não sei. Num primeiro momento tive um lampejo de alegria esperançosa do tipo "caramba, será que finalmente teremos uma mensagem de massa que valha a pena?".

Mas logo em seguida veio aquela sensação de que essa história vai ser só mais um gancho para as pessoas reclamarem, falarem mal do governo, dizerem que pagam imposto pra fazer obra superfaturada, que esse tipo de coisa só acontece no Brasil e que seria melhor mesmo se os "americanos" viessem tomar conta da Amazônia. Índios e ribeirinhos? Ninguém nem vai lembrar deles...

Tomara que seja só uma sensação ranzinza... tomara.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Correndo

Ouço muita gente dizendo "estou na maior correria", "essa vida tão corrida", "correndo, como sempre" e coisas afins. Pois eu tinha esquecido o quanto correr me faz BEM! Correr no sentido literal, é claro ;)

Não sei como consegui ficar tanto tempo sem sentir o corpo suado e pulsando desse jeito que só a corrida proporciona. Claro que existem outras maneiras de ficar com o corpo suado e pulsando, mas não é a mesma coisa, cada prazer em sua hora.

No tempo que eu comecei a correr, quando morava em Piracicaba, ainda não tinha essa "febre" de iPod e eu achava que correr ouvindo música atrapalhava o aprofundamento na "essência" da corrida (é, sou assim meio CDF, meio conservadora). Talvez porque meu esporte anterior tenha sido a natação e eu gostava tanto daquele som oco da água e aquilo me levava a estados semi-meditativos. Na corrida acontecia algo parecido, tanto que nunca gostei muito de correr com companhia, pois dispersava.

Só que agora fui "contaminada": levei meu iPod pra correr... e foi muito bom! É diferente, menos meditativo, mas ainda é como um "portal". Me sinto dentro de um filme, com uma trilha sonora escolhida à dedo.

E quando acaba é que vem a melhor sensação, aquela, do corpo suado e pulsando. Um certo incômodo pelo sal na pele, vontade de tomar banho - e eu adoro um banho! Mas sentir o sangue percorrendo o corpo todo de forma alucinada, os músculos formigando, o sorriso satisfeito pela "missão cumprida"... ah, como é bom!

E sabe quem me proporciona tudo isso? Elas, as viagens!!! Quando comecei a correr estava me preparando pra viagem de bicicleta Maceió-Recife. Continuei correndo depois, só que quando mudei pra Itu fiquei desanimada por não ter um local apropriado (ainda mais pra quem estava acostumada a correr na Esalq...). E agora, com a iminência de camelar a 4 mil metros de altitude, cá estou eu correndo pelas ruas de Itu. Feliz, feliz!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Posso te ligar?

Ando meio nostálgica. Eu sou meio nostálgica. Esse sentimento que é mais do que saudade vai tão longe que de vez em quando tenho a impressão de ter saudade de coisas que nem vivi.

Nunca fui uma pessoa muito popular, outro dia até comentei com o Paulo Cesar que a infância na roça possa ter deixado essa sequela de "bicho do mato"... mas ultimamente venho sentindo falta daquelas conversas no meio da rua, das visitas inesperadas, de não ter que ficar marcando e marcando e marcando pra encontrar uma pessoa!

Diz-se que não é de bom tom aparecer na casa de alguém sem avisar. Realmente, dependendo da hora e da visita pode ser um inconveniente, mas, pensando bem, um inconveniente momentâneo, uma pequena readequação da agenda, porque a companhia daquela pessoa e a "conversa fiada" valem muito mais! (claro que existem as "visitas mala", mas geralmente são exceções, né? Se não ou você não anda sabendo escolher amigos ou já não consegue mais encarar com leveza uma mudança de planos...).

Mas a gente não quer ser a visita mala e liga antes de passar na casa da pessoa. Aí a pessoa não pode, está de saída ou qualquer coisa e pergunta se não pode ser em dia e horário tal, ao que você invariavelmente vai responder dizendo que tem um compromisso XYZ e quando se derem conta estão agendando uma visita casual com três meses de antecedência!

E agora tenho a impressão de que surge uma nova modalidade de etiqueta urbana: a gente chama a pessoa em um bate papo on line e pergunta se pode ligar... não acho que esteja em um nível "grave", mas farejo algo, uma suspeita de que estamos incluindo mais um protocolo no convívio, que vai ficando cada vez mais virtual.

Queria discorrer mais sobre isso, mas agora está na hora da minha corrida de treino pra Trilha Inca \o/

Deixo as lacunas para serem preenchidas!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mangueiras, goiabas, chuchus e laranjas


Quando um homem tem uma mangueira no quintal

Ele não é goiaba
Deixa ele lhe mostrar
Bom dia, boa tarde!
No seu pomar

"O que há de mal"
Poder brincar de amar
Sem pensar no amanhã
Sem nenhuma vergonha
Numa cara de pau
Aproveitar um samba
Numa tarde vazia
Ter um siricotico
Ter uma aventura

"O que há de mal"
Poder sair do sério
Sair de um velho tédio
Chuchu não é laranja
É só não misturar

Beijo na sua boca
Atrás da bananeira
E nessa boa moita
Assanhada demais

Quando um homem tem uma mangueira no quintal
Corre pra ver,
Se é de olhar, se derreter
Se de repente pode ser
Se este instante lhe chamar
Viva, tenha
Corre pra ver
Se é gostoso, porque não
Se é bem bom pro coração
A gente vai pra ser feliz

Essa é uma música bem gostosa da Vanessa da Mata, procure no You Tube e ouça já, enquanto lê, o que acha?

Fico pensando o que ela quis dizer com "uma mangueira no quintal", mas tenho cá pra mim que sei bem o que é, porque nunca me deparei com um goiaba!

Mais intrigante é o aviso de que "chuchu não é laranja, é só não misturar"... bem, que chuchu não é laranja a gente sabe... quer dizer então que tem gente que mistura? Algumas misturas são muito boas, por menos óbvias que pareçam, mas essa, definitivamente, não consigo ver como possa dar certo.

Então é isso, se ele tem uma mangueira no quintal, vai fundo! E só toma cuidado pra não misturar chuchu com laranja. De resto, sem nenhuma vergonha, numa cara de pau, um siricotico, uma aventura, sair do velho tédio, atrás da bananeira. Se é gostoso, por que não? Se é bem bom pro coração, a gente vai pra ser feliz!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ser easy rider é um luxo!

E cá estou eu planejando mais uma viagem!

Você sabe que eu adoro essa fase, já falei isso aqui várias vezes, de como é bom pesquisar os roteiros, os lugares pra ficar, as dicas nos blogs dos viajantes. Parece que eu já estou um tantinho lá...

Mas tem hora que cansa, principalmente quando as empresas de ônibus não tem site, quando os relatos que informam os preços são de alguns anos atrás e quando as pessoas demoram horrores pra responder um e-mail! (que, aliás, foi escrito em bom e claro portunhol ou num inglês arcaico, rs...).

Como eu não aguento ficar muito tempo sem sarna pra me coçar, resolvemos fazer uma viagem estilo "new-mochilão". Acabei de inventar o termo, então vou explicar: "antigamente" as pessoas jovens e aventureiras colocavam uma mochila nas costas e saiam por aí, pegando carona, ônibus, trem (ah, O trem...), hospedando-se em quartos coletivos de albergues e comendo PF; esse estilo de viagem passou a ser chamado de "mochilão".

No "new-mochilão" a gente é jovem e aventureiro, pega uma mochila, mas vai de avião... a gente se hospeda em albergue, mas em quartos de casal com banheiro... e dificilmente vamos comer PF, rs... (a não ser que seja a única opção, claro).Ok, se quiser pode chamar também de "mochilão-tiozão" =D

Bom, que eu e o PC gostamos da "vida de tiozão" também não é nenhum segredo, mas deixa eu só explicar uma coisinha: eu bem que queria ir de trem, O trem, o famoso Trem da Morte [arrepios mitológicos percorrem a espinha], mas, pasmem: de trem é mais caro!!! E não é um pouco mais caro, é BEM mais caro. Além do tempo de viagem (4 dias x 3 horas) e time is money!

Como eu disse pros nossos companheiros de aventura, a Thássia e o Lelo, eu deveria ter sido hippie antes da popularização do transporte aéreo!!!

Mas aqui chegamos no ponto que eu queria pra esse texto: ser easy rider é um luxo!!! Porque, principalmente, você tem que ter tempo, muito tempo, tempo de sobra! Se você saiu viajando "sem destino" corre o risco de chegar no guichê e descobrir que acabaram as passagens e que a viagem ocorre dia sim, dia não. Sem problemas, você espera dois dias descobre coisas incríveis e no fim até muda de ideia, mas... e se eu não tenho mais dois dias?!

Em alguns casos dá pra "comprar tempo", ou seja, se não tem mais aquela passagem, você pode desembolsar uma grana pra ir de outro jeito... e continua sendo um luxo!!!

Com relação a hospedagem, o risco do easy rider gastar mais e/ou ficar muito mal hospedado também é grande, porque eu tenho a impressão que com o advento da internet todo mundo faz reserva.

A não ser, é claro, que seja um easy rider profissa e talentoso, porque aí meu amigo, o cara descola as maiores bocadas, fica na casa da pessoa mais descolada da vila e ainda tem a sorte de sempre ter a passagem que ele precisava - ou não, mas não tem problema, porque ele descola as maiores bocadas e fica na casa da pessoa mais descolada da vila. Vai dizer que não é um luxo?!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Reflexões cotidianas

Quem acompanha o que escrevo no Facebook talvez já conheça o título. Não é nada muito original, mas foi assim que eu comecei, despretensiosamente, uma série de pequenos textos, compartilhando algumas "sacadas" que tenho durante as tarefas mais banais do dia a dia.

Uma cena na rua, uma notícia do jornal, um lampejo, a frase de alguém. Quando isso desencadeia em mim um processo um pouco mais profundo do que inicialmente poderia prever-se, escrevo. Escrevo para mim, pra registrar, pra não esquecer. Mas escrevo também pra você, é claro, porque quando podemos aprender uns com os outros, caminhamos mais rápido, embora alguns aprendizados tenham que ser "na pele" mesmo...

Seguem os textos, em ordem cronológica. O último é inédito, especial pro Aralume!

Reflexões Cotidianas: a mulher catando lixo (12/maio/2011)

Quando fui sair de casa hoje vi uma senhora revirando a lixeira da rua. Aquela cena foi tão triste...

Você já revirou lixo? Não vale quando precisamos procurar algo no lixo reciclável, seco e limpinho. Também não vale composteira, que é úmida, mas tem aquele cheiro de terra de floresta (as bem feitas, pelo menos). Estou falando de lixo, lixo mesmo, fedido, feio. Quando eu vou colocar o lixo nessa lixeira já tampo o nariz e evito olhar, de tanto que aquilo me incomoda. Agora imagina colocar a mão lá dentro! E sem luvas, é claro! E ficar um tempo remexendo e procurando algo que possa valer alguns centavos...

Ao ver essa cena lembrei de um lema do Movimento dos Sem Terra que diz que enquanto houver uma pessoa sem terra, todos seremos sem terra. Isso me marcou, pois é o que dá coesão ao movimento. Imagina se cada um que conseguisse o seu pedacinho de chão fosse simplesmente cuidar da sua vida. O que seria dos demais? O que seria daqueles que não tiveram a mesma sorte?

Não quero discutir o Movimento dos Sem Terra, mas esse lema deles me inspirou outro: enquanto houver uma pessoa vivendo com condições desumanas, seremos todos desumanos!



Reflexões Cotidianas: nem bom nem mau (19/maio/2011)

Essa veio de uma conversa com a Carla Mader, minha monitora no Método DeRose. Estamos estudando o código de ética e dentre as muitas reflexões que esse tipo de estudo traz, a que queria compartilhar com você é a seguinte:

Nossa capacidade de avaliar o impacto de notícias, fatos, atitudes e ações é muito curta. Geralmente julgamos o que aquilo representa em um contexto muito reduzido, muito imediato, mas dificilmente percebemos as ondas que continuam reverberando por anos, décadas, milênios - impossível não lembrar da música "Futuros Amantes", do Chico Buarque: "futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber, com o amor que eu um dia deixei pra você...".

Outro Chico, o Science, também veio me ajudar nesse argumento: "deixai que os fatos sejam fatos naturalmente".

Isso ajuda a não se desesperar diante de coisas aparentemente más; isso ajuda a não se deslumbrar diante de coisas aparentemente boas. Tornemo-nos apáticos então?! De forma alguma, mas podemos sim encarar a vida com mais maturidade e também com mais humildade, pois quando sabemos que não sabemos isso cria um certo distanciamento dos fatos, que nos permite inclusive enxergá-los em perspectiva e aí, tchã-rãm: você consegue enxergar um pouquinho mais longe!


Reflexões Cotidianas: ainda bem que eu nunca fui "boazinha" (02/junho/2011)

Estou lendo "Mulheres que correm com o lobos" (Ana Schilling, Carol Mendes e Marcelo Germani: gratidão eterna por me indicar esse livro!). Ontem li uma parte que fala sobre a importância de reconhecermos os predadores e sabermos no defender.

Sinceramente, eu tendo a ser ingênua e otimista, pois acredito nas pessoas e acho que até hoje foi "pura sorte" não ter aparecido nenhum lobo mau na minha vida. Ou não... talvez eu saiba sim me defender, simplesmente evitando consciente ou insconscientemente o contato com os predadores.

Vou compartilhar dois trechos:
"Todas as criaturas precisam aprender que existem predadores. (...) Compreender o predador significa tornar-se um animal maduro pouco vulnerável à ingenuidade, inexperiência ou insensatez."

"Essa aceitação do casamento com o monstro [ela usa histórias e mitos como simbologia para explicar os mecanismos da psique] é na realidade decidida quando as meninas são muito novas, geralmente antes dos cinco anos de idade. (...) Esse treinamento básico para que as mulheres "sejam boazinhas" faz com que elas ignorem sua intuição."
Ingênua ou não, otimista ou não, o fato é que nunca fui das mais "boazinhas". Se algo ou alguém me incomoda, não me esforço muito para "engolir" o fato ou a pessoa. Por isso já fui muitas vezes tachada de rebelde, de questionadora, de antipática. Sinto-me agora aliviada, por saber que isso é minha intuição me protegendo. Embora a primeira norma ética do Yôga seja a não agressão, tem horas que precisamos sim ser agressivas! Mostrar os dentes, rosnar e se preciso for dar uma boa patada. Se o predador insistir, parto pra luta, com unhas e dentes. Se o predador for mais forte, corro muito e busco um lugar seguro, mas nunca fico parada e dou a luta por vencida.

E voltando à norma ética da não agressão, é importante lembrar que a agressão mais grave é aquela que cometemos contra nós mesmos. Primeiro eu me preservo e, assim preservada, serei muito mais útil ao mundo e às pessoas.


Reflexões Cotidianas: quem cuida/cuidará dos seus filhos? (25/julho/2011)

Acabo de ver um quadro do Jornal Hoje que fala de profissões. Começou dizendo que a profissão de babá é uma ótima opção e que é praticamente garantia de emprego. Mostraram uma escola de babás e sabe quanto tempo dura o curso? TRÊS DIAS! Sim, em três dias uma pessoa com ensino médio aprende como cuidar de um bebê ou criança. Logo em seguida fiquei ainda mais chocada: um curso para corretor de imóveis dura SEIS MESES.

Cada vez mais vejo que é um verdadeiro luxo uma mãe que cuide de seu próprio filho. Necessidade financeira? Afirmação profissional? Falta de estrutura psíquica? Acho que um pouco de cada... mas o preço é alto e quem paga é a sociedade toda, com crianças desamparadas, adolescentes desnorteados e adultos fracos, que geralmente vão dar continuidade a esse ciclo.

Mas o que me dá esperança é que vejo elos se partindo nessa corrente esquisita. Lampejos de consciência que podem gerar novos rumos.


Reflexões Cotidianas: a Barbie tomando banho de cachoeira (29/julho/2011)


Adoro fazer faxina, por diversos motivos, mas um deles é que geralmente os momentos de limpeza são inspiradores. Eu estava lavando os baldes quando lembrei de uma cena da infância, eu e minha irmã Ana Clara brincando de Barbie no tanque de lavar roupas. Era um tanque enorme (provavelmente porque éramos pequenas ele parecia tão grande, mas certamente era BEM maior do que o tanquinho minúsculo que tenho em casa...) e feito de cimento. A cor do cimento, junto com os musgos e limos que foram se acumulando ao longo dos anos - independente dos sabões e águas sanitárias - lembrava pedra. A torneira aberta era uma cachoeira e nossas Barbies nadavam felizes, mergulhando, tomando sol... parecia que a gente mergulhava junto com elas!

Aí penso nos tanques de hoje, brancos, sem graça... aliás, as meninas brincam de Barbie no tanque de lavar roupa?! E não me espantaria que isso fosse reprimido por um discurso pseudo ecológico de economia de água :(

Há mais de vinte anos, quando o discurso ambientalista era incipiente, minha mãe já nos educava sob esses preceitos, quer fosse por simples economia financeira, ou por princípios mesmo, mas de forma natural. A água do tanque onde brincávamos exaguava roupa, ia pra lavar o quintal. Minha mãe junto, fazendo as tarefas domésticas enquanto a gente brincava. Entre uma brincadeira e outra, ensaboávamos as meias, ajudávamos a esfregá-las. Era muito divertido!

Talvez hoje alguem achasse um absurdo colocar crianças para ensaboar meias...

E cá estou eu, feliz, limpando a minha casa, lembrando dos mergulhos que dava com a minha Barbie!


Reflexões Cotidianas: "pensei tanto em você" (21/agosto/2011)

Esse fim de semana participei mais uma vez do DeRose Festival, um evento delicioso com mais de 500 pessoas num hotel muito agradável, ótimas comidas e o principal: práticas ministradas pelos melhores professores do mundo! Não é exagero. Grandes feras, com 10, 20, 30, 40, 50 anos de prática e muito carisma para compartilhar tudo isso.

Foi a terceira vez que participei e desde a primeira sempre pensava muito no Paulo Cesar, até que dessa vez, "aos 45 do segundo tempo", ele finalmente foi! E quando eu o vi saindo de uma prática que eu tinha certeza que ele ia gostar, ele veio me falar que foi incrível, com aquele ar que eu conheço tão bem!

Nesse exato momento eu senti um alívio muito grande. Não que eu estivesse tensa e depois me sentido aliviada, mas eu simplesmente fiquei mais leve. Primeiro porque isso pra mim era uma constatação de que eu o conhecia e mais importante: um sentimento de missão cumprida, um sentimento libertador de que eu não precisava mais ficar pensando "ai, o Paulo Cesar ia gostar tanto...". Ele simplesmente estava lá e isso me libertava de ficar pensando que eu queria tanto que ele estivesse ali. Louco né?!

Esse sentimento é comum em mim, principalmente quando estou viajando, fico pensando na minha mãe, no meu pai e em tantas pessoas queridas que certamente iam adorar aquele lugar, aquela comida, aquelas histórias. E quando podemos levar essas pessoas e constatar in loco que elas de fato estão adorando os lugares, as comidas e as histórias é muito bom!

Por outro lado, quando alguém vier me falar que pensou muito em mim em determinado lugar ou com determinada situação, vou dar mais valor a isso e tentar estar presente numa próxima vez, retribuindo o espaço mental e emocional que aquela pessoa dispendeu ao "pensar tanto em mim".


Reflexões Cotidianas: eu não preciso de tratamento de choque (08/setembro/2011)

Quer dizer... não sei se é "não preciso" ou "não quero", mas o fato é que eu definitivamente não gosto do caminho do aprendizado pela dor e pelo desprazer.

Digo isso porque esses dias fui obrigada a ver no meu feed de notícias [do Facebook] a foto de um feto num chão de cimento com os dizeres "é fácil ser a favor do aborto quando você já nasceu". É o tipo da coisa que a gente olha e lê em uma fração de segundo, não tem como evitar, só de bater o olho pronto, foi. Podemos até discutir o aborto, mas eu não quero ver fotografias agressivas!

E aquela campanha educativa nos maços de cigarro? Eu não fumo, nunca fui fumante e tenho que ver pessoas entubadas, rostos desfigurados, sofrimentos diversos. Eu não consigo olhar pra essas fotos e pensar "ufa, ainda bem que eu não fumo" e muito menos "taí, bem feito, quem mandou fumar?!". O que eu sinto é um grande desconforto, na melhor das hipóteses...

Tem também todo o terrorismo que tenta convencer as pessoas a não comer carne. Outra pérola que o Facebook me proporcionou nos últimos tempos foi a fotografia de um pé humano, devidamente azulado e ensanguentado, numa bandeja de isopor, com uma mensagem do tipo: se você acha normal comer um pé de boi, por que não come um desses?! Ah, faça-me o favor!!! Eu não como carnes, mas já comi muita e olha, a visita a uma granja de porcos, embora deprimente, não me fez recusar o salame nem a mortadela. É interessante como parece que essas informações são armazenadas em compartimentos separados e isolados.

Quando vejo algo feio ou triste parece que isso tira uma parcela das minhas energias... A beleza me alimenta e é a partir dela que as transformações ocorrem em mim.



Reflexões Cotidianas: virei gente grande? (17/setembro/2011)

Acabo de compartilhar no meu mural uma figura interessante: mostra uma fita K7 e uma caneta Bic, com os dizeres: "se você entendeu, está ficando velho". Claro que eu entendi, né? Alguém não entendeu?! Ah, não entendeu? Então desliga esse computador e vai dormir, porque tá na hora de criança estar na cama! Shhh, não discute! =D

Mas essa figura foi só a gota d´água pra essa reflexão, que vem refletindo na minha cabeça há alguns dias. Eu comecei a achar que "estava ficando velha" na primeira vez em que me referi a alguma coisa que aconteceu "há dez anos" e não se tratava de uma memória de criança... putz, DEZ anos, eu pensava. Bem, agora começo a me espantar quando lembro de alguma coisa que aconteceu "há dez anos" e não se trata de uma memória de adolescente...

E recentemente tem acontecido uma coisa curiosa. Eu olho pra uma pessoa, que claramente não é adolescente, e essa pessoa parece BEM mais nova do que eu. E pior: É.

Não, não é crise; só constatação de que as coisas realmente mudam. Só que eu ainda não me sinto gente grande, entende? Eu sou apenas uma criança!!!


Reflexões Cotidianas: é fácil falar em regime quando sua barriga está cheia! (05/outubro/2011)

Hehe, se você acha que a magrela aqui pirou de vez e está fazendo regime, fique tranquilo, não é nada disso!

Mas essa foi a imagem mais didática que eu encontrei pra dar o meu chacoalhão e ele não é alimentar, mas financeiro.

Me chateia demais ouvir as pessoas criticando programas sociais, falando mal do "bolsa isso, bolsa aquilo", caindo no lugar comum do "a gente fica trabalhando pra sustentar vagabundo", ou ainda "meu pai começou do nada e trabalhou duro pra conquistar nosso patrimônio", ou pior "se a pessoa tá na miséria é porque é acomodada".

Eu não vou entrar num campo que não domino, tentando explicar ciências políticas, econômicas e sociais, mas proponho que você faça um exercício muito simples: pesquise qual é a renda per capita do brasileiro. Está com preguiça? Ok, fiz isso pra você: coloquei no Google "renda per capita do Brasil" e com os dois primeiros resultados dá pra entender o que é e qual é a nossa renda per capita. Resumindo: se pegarmos toda a riqueza gerada no país e dividirmos pelo número de habitantes, o valor mensal que caberia a cada um seria em torno de R$ 1.600,00.

Agora some toda a renda da sua Unidade Familiar (pessoas que moram na mesma casa) e divida pelo número de habitantes dessa moradia (inclusive crianças, porque pelo que eu saiba elas entram na soma da população usada na renda per capita). Quanto deu? Mais de R$ 1.600,00?! Então, pronto, sua barriga está cheia, não venha me falar em regime!!!

Pra completar, acabo de ler a seguinte pérola: "se você pagar mais para o professor, o aluno vai aprender mais? Porque a minha preocupação pessoal é com o aluno e não com o professor". Quem disse foi Gustavo Ioschpe, colunista da revista Veja. Não, eu não li isso na Veja, porque não tenho nenhum interesse nesse veículo, mas li em uma entrevista que ele concedeu à Revista Trip em edição especial sobre educação (setembro/2011), que recomendo fortemente a quem queira repensar um pouco os paradigmas vigentes.

Por mim iria longe comentando essas duas frases do distinto Sr. Ioschpe, mas não vou dizer que provavelmente o salário dos professores de ensino médio e fundamental estão abaixo da renda per capita do brasileiro, nem direi que é impossível se preocupar com o aluno sem se preocupar com o professor, tampouco falarei que essa visão fragmentada da sociedade e do meio ambiente é responsável por equívocos delirantes. Também não vou dizer que o mundo às vezes me dá náuseas. Não, pensando melhor, isso eu vou dizer sim:

O mundo às vezes me dá náuseas e a necessidade de colocar certas coisas pra fora chega a ser involuntária!
 
 
[inédito!] Reflexões Cotidianas: trabalho é trabalho (12/outubro/2011)

Outro dia uma amiga me perguntou se eu estava feliz com as mudanças profissionais que venho empreendendo em minha vida nos últimos anos. Eu mesma me surpreendi com minha resposta: trabalho é trabalho!

Você pode buscar um ambiente mais gostoso, um propósito mais nobre, uma equipe mais afinada, mas não tem jeito, trabalho é trabalho! A gente sempre acaba fazendo algumas coisas que não gosta, que não quer. E quanto mais idealista for o ofício, maior a chance de se frustrar e de acordar do sonho em plena segunda-feira chuvosa.

Eu sempre fiz escolhas idealistas, românticas, e a sensação de "isso não está encaixando" sempre aparecia. Até que eu me dei conta de que trabalho é trabalho e aí parece que tudo ficou mais leve. Claro que trabalho não é pra ser uma tortura, muito pelo contrário, mas também não dá pra achar que "fazer o que gosta" é ficar o tempo todo satisfeito e nunca ter umas apurrinhações!

Fico me perguntando se eu finalmente entendi o "lance" do trabalho ou se na verdade ainda não encontrei o meu talento, o meu nobre ofício, que fará com que o mundo vire um enorme parque de diversões no qual ao invés de pagar pra entrar, você recebe pra andar nos brinquedos!

Se você vive nesse parque de diversões, por favor me diga! Eu preciso estudar o seu caso ;)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Para a próxima vez em que for palitar os dentes

Ou pior: para a próxima vez em for ficar picando palitinhos de dente enquanto joga conversa fora num boteco!

Você sabe do que são feitos os palitos de dente?! De ARAUCÁRIA!!! Sim, aquela majestosa árvore, também conhecida como Pinheiro do Paraná, ameaçada de extinção, que possui uma madeira nobre e é a principal espécie de um dos ecossistemas da Mata Atlântica, a Floresta Ombrófila Mista (para saber um pouco mais sobre isso leia aqui, pág 18, artigo que escrevi para a Revista Viverde).

Fiquei chocada e envergonhada enquanto engenheira florestal ao saber disso... a madeira é sim de reflorestamento, como nos indica o rótulo. Mas sabe quanto tempo uma Araucária tem que crescer pra virar palito de dente?! QUARENTA anos!!!

São usadas outras madeiras também, como os Pinus, que não são nativos e não sei quanto tempo precisam crescer pra virar palito (!).

Pelo menos a Araucária, enquanto não chega em "ponto de abate", produz pinhão (que é um alimento riquíssimo e saboroso) e contribui positivamente para o ecossistema, uma vez que é nativa, coisa que os Pinus não são e acabam tendo um impacto negativo por conta da contaminação biológica (a espécie vai se espalhando pelos arredores do plantio e acaba virando uma praga). Analisando assim, melhor fazer palito de Araucária do que de Pinus, mas... imagina só cortar uma árvore imensa daquela, linda, pra fazer pa-li-to!!!

Não sou contra cortar árvores, aliás, prefiro construções de madeira do que de ferro e cimento, materiais muito mais impactantes ao ambiente. Adoro chão de taco ou assoalho, portas e janelas de madeira. Prefiro móveis de madeira do que qualquer outro material. Adoro uma lareira, um fogão a lenha, um forno de pizza.

Mas já que é para derrubar um gigante, que seja para um fim nobre ou pra algo realmente útil! A gente precisa tanto assim de palito de dente?!

Bem, se precisa mesmo então, ecologicamente falando, é melhor que sejam de madeira - por ser biodegradável e renovável - do que de plástico, por exemplo. Se for pra ser de madeira, é bom que seja de uma espécie nativa (desde que plantada para esse fim!). Então ok, deixa o pessoal continuar cortando Araucária...

Mas, pelamordedeus, não desperdice palito de dente!!!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Batendo o cartão

Pois é, hoje eu to assim com o Aralume... passei aqui pra bater o cartão... às vezes eu atraso a postagem por mil motivos, mas o texto está fervendo e maturando na minha cabeça. É só ter um tempinho de ficar na frente do computador.

Mas agora não tenho nada em mente (até parece... bem que eu queria "não ter nada em mente", afinal, venho praticando meditação exatamente pra isso! Mas o que tenho em mente agora não me faz ter vontade de escrever...). Até pra "bater o cartão" tá difícil. Nunca fui operário padrão.

E como não vou escrever sobre nada mesmo, não vou tomar o seu tempo. Será que você já leu todos os textos do Aralume? Se sim, que tal reler o de exatamente um ano atrás?! Quando eu não tinha dinheiro pra comprar a TPM (minha revista favorita na época em que eu não tinha dinheiro pra comprar revista) eu pegava a do ano anterior, do mesmo mês (ah, também era a minha revista favorita da época em que eu tinha dinheiro!). Era divertido...

Claro que fui lá, eu mesma checar a postagem aniversariante da semana e não é que eu começo justamente falando da TPM?! Só que agora numa época em que essa não é mais a minha revista favorita... não que eu não goste mais da TPM, mas cansei um pouco de revistas...

Bem, descobri que há um ano atrás eu estava bem inspirada (tomara que no ano que vem também esteja, senão vai ficar feio pro meu lado!). Vai lá: "Eu sou assim".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cinema : Almodóvar

Em Itu tem um lugar muito bacana chamado Café Colômbia (Rua Santa Rita, 1779). Além de ser um ambiente muito agradável, com internet wireless e quitutes deliciosos eles tem uma DVDteca à disposição dos clientes! É isso mesmo, você pode ir lá e emprestar os filmes.

E é claro que um lugar desse, com uma ideia dessa só poderia ter ótimos títulos no acervo, né? Estive lá semana passada e peguei o Kika (1993), do Almodóvar. Eu já tinha assistido esse filme, mas em tempos remotos... tão remotos que tinha até esquecido do estilo chocante do Almodóvar.


Independente da história do filme e das abordagens polêmicas o sentimento que eu mais tinha era o de estar assistindo a uma verdadeira Obra de Arte. Sim, com letras maiúsculas! Não sei como explicar, simplesmente isso: estou vendo Arte.

Não quero entrar na discussão de o que é arte e o que não é, mesmo porque acho que isso está muito ligado com a experiência de cada um: se o objeto (música, dança, pintura, escultura, teatro, texto, filme, fotografia...) atinge camadas mais sutis da sua composição, mexe com sentimentos e sensações, pronto, é arte!

E o cinema é uma forma de arte muito interessante, porque praticamente une todas as manifestações artísticas. Claro, há quem explore mais e quem explore menos esse "privilégio", que é ao mesmo tempo um desafio, afinal, tem que harmonizar músicas, cores, formas, movimentações, expressões, história (que pode ser contada de inúmeras formas...).

Bom, se você ainda não viu Kika, recomendo. Trata-se de uma comédia, mas com cenas fortes, incluindo assassinatos e sexo bizarro, mas que são "abrandadas" pela atmosfera surreal e deliciosamente colorida!

Ah, e olha que feliz coincidência: fui pesquisar um pouco sobre o Almodóvar e descobri que o aniversário dele é daqui a pouquinho, dia 24 de setembro! Ele foi o primeiro espanhol indicado ao Oscar de melhor diretor com o filme Fale com ela (2002), que acabou levando o prêmio pelo melhor roteiro. Levou também a estatueta de melhor filme estrangeiro com Tudo sobre minha mãe (1999), que também lhe rendeu o prêmio de melhor diretor em Cannes.

Além desses premiados, outros dele que assisti e recomendo são: Mulheres à beira de um ataque de nervos (1988), Ata-me (1990), Má educação (2004) e Volver (2006).

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Tem que ter saco!

Andam falando das tais sacolinhas plásticas, que vão ser proibidas ou sei lá o que. Pois tenho uma confissão a fazer: até algumas semanas atrás eu era uma fiel consumidora das sacolinhas, pois serviam como sacos de lixo. A gente produz um volume muito pequeno de lixo em casa, uma vez que os resíduos orgânicos vão para a composteira e os recicláveis são coletados por uma cooperativa. Dava em média uma sacolinha por semana, composta principalmente pelo lixo do banheiro.

O uso das sacolinhas para embalar o lixo já era um dos Rs, o Reutilizar (leia mais sobre isso aqui). Ao invés de comprar sacos de lixo eu reutilizava uma embalagem que outrora servira para outra coisa. Do mesmo jeito que uso os sacos de ração para acomodar o lixo reciclável.

Mas agora surgiu a oportunidade de dar mais um passo na minha evolução ambientalista :) que é a Redução das sacolinhas (mais um R, o primeiro e mais importante), usando outra forma de acondicionar o lixo doméstico: saquinhos de jornal!

Foi minha mãe que mandou a dica, que por sua vez vem de um blog bem interessante: www.deverdecasa.com (veja a postagem dos saquinhos de jornal aqui).

Como tenho um compromisso com a educação através do exemplo, primeiro testei a ideia em casa e agora divulgo pra vocês!

Pontos fortes:
- uso de recipiente reutilizado e biodegradável para acondicionar lixo;
- redução do consumo de sacolas plásticas, feitas com matéria prima não-renovável e de loooooooooongo tempo de degradação (uns 40 anos segundo o Dr. Google);
- custo zero!

Pontos fracos:
- tem que trocar o lixo mais vezes, pois o volume do saquinho feito com uma folha de jornal é menor do que o de uma sacolinha (isso é até bom sob o ponto de vista de higiene... antes eu ficava fazendo uma sacolinha "render" e acumulava lixo por um tempo duvidosamente saudável...);
- tem que fazer o saquinho! (o que pode ser bom também, saindo da cadeia "compre pronto" e aproveitando pra passar uns minutos na posição agachada, que alonga as pernas e estimula o funcionamento dos intestinos, hehe - claro que isso só vale se você fizer o saquinho no chão...).

Observações importantes:
Se você descarta o lixo orgânico no lixo comum talvez esse sistema não funcione muito bem, embora você possa fazer saquinhos mais reforçados, com duas ou três folhas. No lixo do banheiro uma folha é suficiente e no lixo da cozinha uso duas folhas, pois descarto os cítricos (as minhocas não gostam...) e vez ou outra alguma coisa molhada vai pro lixo. Estou usando também pra recolher os cocôs dos cachorros, mas nos passeios ainda uso sacolinhas plásticas (tipo mãe que usa fralda de pano no bebê, mas na hora de sair de casa apela pra descartável, rs...).

No blog que indiquei acima tem um passo-a-passo pra fazer os saquinhos, mas seguem algumas fotos daqui também:

Que os mestres do origami não vejam, mas pra fazer o saquinho duplo eu faço um com a folha inteira, deixando os bicos desencontrados mesmo, pra ficar um pouco maior.

 A dobradura fica meio "desconjuntada", mas dá certo!



Depois eu faço um saquinho normal, com o papel quadrado, e coloco um dentro do outro.

Pra ficar mais prático eu não corto o papel, apenas dobro a faixa que sobrou e vamo que vamo!

 Olha lá que bonitinho!


Uma das diferenças que senti com o uso do jornal é que o lixo "respira"; fica mais arejado e menos fedido.

Ah, tem um outro detalhe: aqui em Itu temos umas caçambas na rua pra colocar o lixo, então eu só dobro/amasso a boca dos saquinhos, sem muita preocupação se vai abrir, mas se eu tivesse que colocar o lixo na rua provavelmente teria que ter mais cuidado. Se é o seu caso, você pode usar recipientes maiores (de preferência reutilizados, como sacolas grandes, sacos de ração, caixas de papelão...) para juntar vários saquinhos de jornal e colocar na rua de forma que não corra o risco de espalhar tudo com qualquer vento.

E vai testando, tentando, experimentando, descobrindo e contado pra gente!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Chuva dos olhos

Acordei de madrugada com o barulho da chuva. Uma chuva generosa, com relâmpagos, trovões e muita água. Já de manhã, quis chorar. Nem tristeza, nem alegria, mas apenas vontade de participar do dia molhado.

Como que para justificar minhas lágrimas avulsas de um sentimento compreensível, citações começam a chover em minha mente:


As lágrimas são um rio que nos leva a algum lugar. O choro forma um rio em volta do barco que carrega a vida da alma. As lágrimas erguem seu barco das pedras, soltam-no do chão seco, carregam-no para um lugar novo, um lugar melhor (Clarissa Pinkola Estés em Mulheres que correm com os lobos).



Arrepender-se nunca mais
Amar nunca é demais
Sofrer faz parte desse jogo
Amor é fogo, pode queimar
O choro é um prisma luminoso
Meu coração não tem mais medo de chorar

Lágrima é água, é puro sal
E foi desse cristal
Que a vida começou no mar
Viver é tempestade e calmaria
Sofrendo a gente aprende a navegar, um dia

Bebado samba - Paulinho da Viola
Um mestre do verso, de olhar destemido,
disse uma vez, com certa ironia :
"Se lágrima fosse de pedra
eu choraria"
Mas eu, Boca, como semrpe perdido
Bêbado de sambas e tantos sonhos
Choro a lágrima comum,
Que todos choram
Embora não tenha, nessas horas,
Saudade do passado, remorso
Ou mágoas menores
Meu choro, Boca,
Dolente, por questão de estilo,
É chula quase raiada
Solo espontâneo e rude
De um samba nunca terminado
Um rio de murmúrios da memória
De meus olhos, e quando aflora
Serve, antes de tudo,
Para aliviar o peso das palavras
Que ninguém é de pedra


Milágrimas - Itamar Assunção
Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada milágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada milágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada milágrimas sai um milagre



Coleciono milagres. O barco que carrega a vida da minha alma navega sobre águas profundas. Em tempestades e calmarias. Quando as palavras são pesadas, choro.

E então, a chuva abranda. As lágrimas começam a secar no rosto.

Mas, antes do ponto final, chega, inesperada, uma nova rajada:

O Dia Deu em Chuvoso - Álvaro de Campos
O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.

Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.

Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.

Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.

Carinhos? Afetos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.

Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...

O dia deu em chuvoso.



Sim, o dia deu em chuvoso!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Quanto Vale o Trabalho?

Puxando aqui na memória, comecei a pensar objetivamente no assunto quando tive meu primeiro emprego. Eu era responsável por uma equipe de trabalhadores braçais, que faziam e plantavam as mudas de árvores tão preciosas para a instituição e para os patrocinadores. Meu salário era umas cinco vezes mais alto que o deles e isso me incomodava profundamente.

Em termos de horas eu até podia trabalhar um pouco mais do que eles, que tinham asseguradas as oito horas diárias, enquanto que a parte mais "intelectual" da equipe muitas vezes não tinha hora pra ir embora. Mas a diferença não era tanta. Em termos de empenho e dedicação, aprendi muito com alguns deles e me comovia a forma como tratavam as mudinhas, com o cuidado e carinho que todo ser vivo merece, mas que poucos tem.

Qual era a diferença então? O fato de eu ter passado dois terços da minha vida estudando? O fato de ostentar em meu currículo o pomposo nome de uma Universidade reconhecida? Universidade esta custeada pelo trabalho de todos os cidadãos paulistas, diga-se de passagem.

Por mais que a gente saiba que está em um país com uma das maiores desigualdades sociais do mundo, parece que só quando sente na pele pra se dar conta mesmo.

Acho que não precisa falar que tudo isso gerou apenas movimentos internos e não, eu não dividi o meu salário com a equipe, nem os instiguei a fazer greves e reivindicações. Acho que esse tempo já passou... e, no mais, cada um estava feliz com seu emprego, com sua carteira assinada, seu plano de saúde... certamente muitos dos seus vizinhos não tinham a mesma sorte.

Então eu saí do emprego (por n motivos) e fui ser agricultura. Isso, agricultora. Durou pouco, mas o suficiente pra eu sentir na pele - na pele mesmo, das mãos calejadas e do rosto queimado de sol - quanto ganham as pessoas que colocam a comida na nossa mesa. É ridículo.

As profissões se engalfinham discutindo qual é a mais nobre e eu digo, meu senhor, que o ofício mais nobre é o de produzir alimentos. É o ofício de semear, de cuidar, de colher, porque sem ele ninguém faria mais nada...

Tudo bem, até me abstenho da discussão sobre a importância de cada ofício, pois sei que cada um deles tem o seu papel... e é mais ou menos nesse ponto que eu queria chegar. Quanto Vale o Trabalho?!

O que faz o trabalho de uma pessoa valer mais que o de outra?

E só pra terminar a minha linha do tempo dessa análise, atualmente, que não tenho mais ninguém sob o meu comando e, consequentemente com salários mais baixos que o meu, que não sou mais explorada por um sistema que menospreza o campo, o que me cutuca é a relação com o trabalho das empregadas domésticas.

Às vezes eu me sinto uma imbecil quando estou limpando a casa, pois eu poderia pagar uma faxina com uma hora do meu trabalho. Chega a ser burrice financeira - tanto que voltei a ter uma faxineira com periodicidade quinzenal, depois de longos meses by myself.

Mas aquela pequena Sinhá Moça dentro de mim não me deixa em paz! Em primeiro lugar, eu já acho um absurdo alguém ter que limpar a minha sujeira e, pra piorar, enquanto ela está limpando a minha sujeira eu estou ganhando dez vezes mais dinheiro do que ela.

Bem, se você estava esperando uma conclusão grandiosa, irei decepcioná-lo. Eu só queria mesmo compartilhar algumas angústias... mas uma música não me sai da cabeça:

Sim, todo amor é sagrado e o fruto do trabalho é mais que sagrado, meu amor! Beto Guedes

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Uivando

Você já deve saber que eu estou lendo o livro Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés, pois tenho falado muito nele desde que li as primeiras palavras.

Pra quem não conhece, resumidamente, a autora fala da importância de nós, mulheres, nos conectarmos com a Mulher Selvagem, um arquétipo que segundo ela não precisa de muitas explicações, uma vez que sua compreensão é praticamente instintiva por parte das mulheres. Ela fala de como as mulheres vem sendo "domesticadas" por todas as culturas e dos prejuízos que isso causa para cada uma e, consequentemente, para toda a sociedade

Para resgatar essa Mulher Selvagem ela vai usando histórias, lendas, mitos, colhidas em muitos anos de pesquisa ao redor do mundo. Como junguiana que é, Clarissa vai interpretando os símbolos e traduzindo para aplicações bastante práticas os ensinamentos de cada história.

Não faz muito tempo venho me encantando pelo universo feminino, no que diz respeito às suas características básicas e aos seus valores. Essa abordagem mais "racional" começou quando fui convidada para fazer parte do Instituto Mater Gaia (IMGAIA), fundado e liderado pela minha querida amiga Maria Grillo. Por enquanto faço parte apenas virtualmente da instituição, mas um dia pretendo me dedicar de forma direta. Basicamente o Instituto visa desenvolver trabalhos voltados para a valorização do feminino, atuando em diversas frentes. A sede é em Penedo, RJ e quem quiser saber mais estou à disposição.

A ideia agora não é aprofundar no campo de atuação do IMGAIA, mas utilizar algumas referências do grupo, sintetizando as atitudes e valores relativos ao princípio feminino. Se você é mulher, leia a lista a seguir fazendo um exercício de checar como está cada atributo na sua vida. Se você é homem, tenha claros esses valores e permita que as mulheres à sua volta possam desenvolvê-los livremente. Veja lá:

1. Cuidar
2. Nutrir
3. Acolher
4. Exercitar a maternagem
5. Preservar a família
6. Harmonizar
7. Preservar
8. Compartilhar
9. Aceitar
10. Cultivar a beleza
11. Cultivar a vida criativa
12. Celebrar
13. Valorizar a intuição, a sensibilidade e a introspecção
14. Contemplar
15. Exercitar a compaixão
16. Respeitar os ciclos da natureza e os ciclos lunares femininos
17. Respeitar a natureza e a vida em todas as suas manifestações
18. Perceber o sagrado em todas as manifestações da vida

Conforme vou lendo o Mulheres que correm com os lobos, cada um desses tópicos vai ficando mais claro e os mecanismos para desenvolvê-los também, contando inclusive com medidas de proteção para não cair num "mundo cor de rosa" ilusório.

Não é fácil ser mulher em uma sociedade claramente patriarcal e acho que o principal desafio é não ceder ao sistema "masculinizador", cuja principal armadilha é, a meu ver, a imagem da executiva, indiscutivelmente feminina, com seu tailleur, salto fino e maquiagem, mas que oculta uma mulher oprimida em seus instintos básicos (que frequentemente nem se dá conta disso, tão entorpecida e domesticada que está).

Mas a Mulher Selvagem viverá enquanto a mulher viver. E estará sempre à sua espera, seja numa clareira de floresta em noite de lua cheia, no respirar do filho que dorme em seu colo ou na música que toca seu coração. Fareje seu rastro e corra para alcançá-la!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Jalapão e Chapada dos Veadeiros - post scriptum


Brasília não estava nos planos, mas adorei esse pequeno desvio de rota, pois nunca tinha estado na nossa capital. Foi uma passada breve, uma noite e meio dia.

Minha primeira impressão da cidade foi estranha, muito estranha. Nem ruim, nem boa, estranha.

A navegação na cidade é estranha, com aqueles códigos estranhos designando os endereços (coitado do Gepeto, ficou doidinho!).

Senti uma emoção estranha ao ver a rampa do Palácio do Planalto. Fiquei imaginando a Dilma lá, nossa primeira presidente mulher.

Foi estranho ver o soldado no Palácio da Alvorada com aquela "fantasia" estranhíssima.

Se eu fosse católica certamente seria estranho entrar na catedral, mas como não sou, foi simplesmente a sensação de estar dentro de uma obra de arte!

Aquele "mar" no meio do cerrado é estranho. Bonito, mas estranho.

Fora isso, eu só conseguia pensar em duas coisas: "será que é ali o FMDO?!" (se você ainda não assistiu Os Aspones, não perca tempo! Caricatura de Brasília e seu funcionalismo... tem que rir pra não chorar ou rolar de rir pra não desesperar, pra ser mais exata) e "o Niemeyer é foda mesmo" (adoro o velhinho e mesmo com todas as críticas à orgia de concreto, sou fã de suas obras!).

Foi em Brasília que o grupo se separou, pois o Pablo voltou de lá direto para o Rio. Nesses últimos instantes da viagem já começam a surgir os pensamentos sobre segunda-feira e "como será essa semana"; na volta viemos vendo as fotos uns dos outros, lembrando dos lugares e como parecia taaaaaaanto tempo que estávamos viajando; viemos também relembrando as frases mais ditas e rindo muito; muitas das informações dessa série pro Aralume eu compilei nesses quase mil quilômetros de volta, fazendo todo mundo lembrar dos nomes, resgatando recibos de cartões para anotar os preços.

Falamos também sobre a inevitável DPV (Depressão Pós Viagem). Comigo é sempre, não tem jeito. Por mais que eu goste de chegar em casa, por mais que eu estivesse seca de saudade do Pajé e do Jawa, por mais que eu quisesse voltar a dar as minhas aulas, não tem jeito. É só abrir um solzinho que eu penso que a Cachoeira do Formiga deve estar vazia nessa quarta-feira. É só ver um por do sol ou o nascer da lua pra eu querer que a paisagem se transforme e árvores surjam no lugar de casa casa.

Organizar essas fotos (de cinco câmeras enlouquecidas!!!) foi ao mesmo tempo um bálsamo e uma tortura! A vontade louca de estar lá e o sentimento de que estive lá se misturando e competindo. Fico com o último, é claro. Não faz sentido estar em um lugar querendo estar em outro. As areias do Jalapão estarão para sempre na minha pele, o frescor da água da Chapada está acessível sempre que eu quiser, o horizonte amplo ainda inunda meus olhos, o cheiro de mato nunca sairá do meu olfato e o meu coração se enche de alegria só por saber que esse lugar existe e que ele é meu.


Fotografias:
Pronto, chega! Nossos olhares sobre Brasília no Picasa.


Cenas do próximo capítulo:
Acabo de concluir o meu planejamento de viagens para 2011 (as outras foram Picinguaba e Mamanguá). Cedo, né?! Por enquanto planos incipientes para 2012, com uma lista que não para de crescer!