sexta-feira, 11 de maio de 2018

D.O.M.

a fachada, discreta; escondida, eu diria.

o salão, sóbrio.

o atendimento, IM-PE-CÁ-VEL

o cardápio, simples

a bebida, surpreendente

a comida... bem, a comida... a comida: arte

e arte que se come é tudo o que uma taurina típica pode desejar!

beleza, sabores, aromas, texturas, puro deleite

fino trato

a equipe como numa orquestra

a máxima elegância, equilibrando formalidade e sorrisos

esse foi meu presente de aniversário de 37 anos que ganhei da minha irmã

naquela terça-feira, só nós duas, bebendo (muito) e comendo (muito bem) e falando da vida, renovando o tema a cada prato, a cada taça, deliciosamente apresentados por aqueles moços que, meudeusdocéu, que vontade de dizer "eu te amo", uma coisa meio Woody Allen, meio Zeca Baleiro,
aquele amor transbordante de quando a gente está feliz e plena

a cada novidade que se apresentava à mesa, mais eu ia me sentindo merecedora e "no meu lugar"

sim, nasci pra viver isso

sim, vivo pra brilhar e pra ser inundada pelos brilhos à minha volta

começando pelo brilho da mAna, que sabe muito bem o que quer e o que merece
que incansavelmente segue e realiza seus desejos
que não abre mão
que não faz concessões... pelo menos não no que de fato importa
e sabe reconhecer o que é cerne e o que é casca

e lá fomos nós tomar sol no brilho de um dos maiores chefs do mundo
não, não é à toa
confesso que achava gastronomia uma arte meio fútil
puro preconceito
foi só começar a assistir Chef´s Table pra me apaixonar por aquelas pessoas incríveis, com ideias incríveis, criando coisas fenomenais
e foi num episódio da série que me encantei com o trabalho do Alex Atala
todo o lance da Amazônia, dos ingredientes brasileiros
também não é por acaso que sou engenheira florestal e mesmo sem exercer a profissão há anos, o que fica dela em mim é justamente o cerne, a paixão pela mata, a devoção pelas sutilezas e forças da natureza

comecei minha jornada no D.O.M saboreando um drink à base de cachaça envelhecida em Amburana, com raspas de Cumaru
duas árvores de madeiras lindas e cheirosas

depois mergulhamos no menu degustação...
não vou entrar em detalhes
absolutamente incrível
ficamos lá quatro horas (!!!)

teve sobremesa, café e o melhor:
foto com o chef, na cozinha!

perfeito




quinta-feira, 19 de abril de 2018

curando a coragem

hoje eu fiz uma coisa incrível. realizei uma ideia. superei um auto-desafio.

a ideia foi nadar 1000m na represa Atibainha, onde tenho ido remar SUP toda semana. o encontro com o SUP é um caso à parte, mas dele veio o ímpeto pra voltar a nadar e da natação na piscina do clube veio o ímpeto pra ir pras águas abertas.

e lá fui eu, antes que o frio venha dizer não.

ingenuamente, pensava que meu desafio seria apenas nadar os tais mil metros sem pausa.

mas bastou dar as primeiras braçadas pra descobrir que meu desafio seria... o medo do escuro!

o medo daquilo que a gente não vê, não sabe o que tem por trás, por baixo, além. O medo de não saber!

abrir os olhos sob a água e enxergar nada mais do que minhas mãos e braços passando foi assustador

preferi então fechar os olhos e veio outra sensação louquíssima: a de me jogar... e o medo de dar de cara na parede (?!?!?!)

percebi minha respiração ofegante, coração acelerado.

tratei de dizer pro meu corpo que ele daria conta, algo como: "nade tranquilo, vou ter uma conversinha aqui com nossa querida mente"

lembrei então da postagem da minha amiga e terapeuta astróloga, sobre a entrada de Kíron em Áries, trazendo cura para a nossa relação com a coragem. Pronto, pensei, é agora!

enquanto eu lembrava a minha mente de que todos aqueles medos eram absolutamente infundados, do ponto de vista da objetividade real, algo também me lembrava que a cura da minha coragem estava em prover a mim mesma todos os cuidados que eu tivesse direito! Quero dizer: ter coragem não é encarar os medos e situações desafiadoras sozinha. Isso é no mínimo imprudência. Ter coragem é fazer, realizar, ir até o fim, concluir - e se cercar das condições para que isso seja possível.

e eu estava fazendo exatamente isso. na semana anterior, havia feito um reconhecimento do percurso, junto com meu instrutor de SUP. Falei pra ele da ideia, medimos o trajeto.

nos treinos de natação na piscina, treinei forte, nadei 1400, 1500m (parece pouco, mas estou nadando há menos de dois meses). falei com meu professor que nadaria na represa, perguntei se teria alguma dica especial (olhar pra frente de vez em quando, rs...)

e hoje avisei o instrutor que era minha primeira vez em águas abertas, pedi pra ele ficar de olho em mim. Fizemos o treino de SUP e depois voltei nadando e ele rebocando minha prancha

quando eu olhava pro lado, ele estava lá, e aquela imagem me dizia simplesmente que não havia o que temer, que eu estava em segurança. lá se foi o medo.

depois ficou apenas a preocupação de manter o rumo, o que também não é lá muito fácil

mas, enfim, consegui

nunca tive dúvida de que conseguiria

não cheguei a pensar em desistir... eu só comecei a ter um mini pânico de pensar que teria que nadar aquilo tudo com aquela sensação apavorante de medo do escuro e medo de dar de cara na parede (?!?!?!)

e enquanto ia negociando com o medo, as braçadas encurtavam a distância, e o tempo

ah, o tempo... tudo se passou em menos de vinte minutos!

ao final, já deitada na prancha tomando sol, percebi que a magnitude das conquistas é na escala de cada um, absolutamente incomparável, porque os demônios internos são invisíveis, impossíveis de se medir, impossíveis de se comparar, e, portanto, quem deve outorgar os prêmios, pódios, medalhas, somos nós mesmos, porque ninguém mais tem condição de saber o que enfrentamos pra estar ali. tenho lá minhas questões com competições... mas isso também é outra história...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Assumir-se

Acabo de me dar conta de que estou EXATAMENTE onde sempre quis estar

Percebo que meus incômodos vem de autojulgamentos que me questionam desse lugar

O que me incomoda não é não ter o que quero

O que me incomoda são as questões que faço constantemente a mim mesma, buscando saber se o que tenho é digno, é merecido, é útil, é proveitoso, é sustentável, é correto

São questões relevantes... mas que surjam quando BUSCO o que quero, não quando já tenho

E quando conquisto o que quero, que eu possa simplesmente desfrutar, para DEPOIS, aí sim, tirar conclusões se aquilo FOI digno, merecido, útil, proveitoso, sustentável, correto

Porque enquanto fico me fazendo todas essas perguntas, deixo de viver e deixo de saber

E assim jamais poderei calibrar meus quereres

Porque a vida só acontece vivendo

E pra VIVER a gente precisa se assumir

Sim, estou vivendo essa vida porque em algum momento eu a escolhi

E só saberei se foi uma boa escolha DEPOIS de VIVÊ-LA

ENTÃO ME DEIXA VIVER!

Seja ou não a vida uma só, podemos ir corrigindo o curso durante a rota

Mas só depois de percorrer alguns passos

Ouço aqui uma voz que me fala:

VAI LÁ! VAI VER O QUE DÁ! MOSTRA SUA CARA, SE ASSUMA!