terça-feira, 14 de junho de 2011

Transgênicos

Como tudo na vida, a pauta ambientalista também tem suas "modas". Fazia tempo que eu não ouvia falar dos transgênicos, até que outro dia me deparei com esse símbolo aí na embalagem da ração dos meus cachorros. Pedi outra marca para o vendedor, mas não tinha pra onde correr: são TODAS transgênicas! (bem, ainda não descobri um pet shop natureba, rs...).

Aí estava arrumando o armário da cozinha e de novo aparece esse símbolo no meu pacotinho de Milharina. Não sei quem escolheu essa comunicação visual, mas acertou, porque ao ver isso dá a impressão que vou entrar em contato com algo altamente tóxico, radioativo. Ops, peraí:

Hum... será mera coincidência?!

Enfim... já faz tempo que eu não compro mais óleo de soja nem de milho, pelo risco de estar consumindo transgênico. É que no meio da confusão de aprova, não aprova, regulamenta, não regulamenta, rotula, não rotula, muito material duvidoso veio (e continua vindo) goela abaixo, literalmente.

Sobre rotulagem, veja trecho de matéria do Greenpeace:

"Em 2003, foi publicado o decreto de rotulagem (4680/2003), que obrigou empresas da área da alimentação, produtores, e quem mais trabalha com venda de alimentos, a identificarem, com um “T” preto, sobre um triangulo amarelo, o alimento com mais de 1% de matéria-prima transgênica.
A resistência das empresas foi muito grande, e muitas permanecem até hoje sem identificar a presença de transgênicos em seus produtos. O cenário começou a mudar somente após denúncia do Greenpeace, em 2005, de que as empresas Bunge e Cargill usavam transgênicos sem rotular, como determina a lei. O Ministério Público Federal investigou e a justiça determinou que as empresas rotulassem seus produtos, o que começou a ser feito em 2008."

Bom, se você não sabe direito do que eu estou falando, vou tentar fazer um resumo: transgênico é o nome popular de algo que tecnicamente recebe o nome de Organismo Geneticamente Modificado (OGM). Esse "organismo" é feito a partir de alguma modificação genética, que pode ser pelo cruzamento de duas ou mais espécies, ou algo ainda mais doido, visando a aquisição de alguma qualidade que passou despercebida pela natureza em seu processo de criação e aprimoramento das espécies, como por exemplo, hum... vejamos... resistência a determinado tipo de herbicida!

Aí a soja transgênica não é afetada quando o herbicida é aplicado na plantação. Morre tudo, menos a soja. Uma beleza, né? Aposto que você não vai se espantar quando souber que a empresa que desenvolveu a soja transgênica é a mesma que fabrica o herbicida... então o agricultor compra a semente, compra o adubo, compra o herbicida e na safra que vem, tudo de novo, porque semente transgênica é estéril (bom, aqui, justiça seja feita, não é privilégio dos trangênicos, já que 99,99% das sementes usadas em larga escala são estéreis - ou seria 100% mesmo?! - são os tais dos híbridos, resultado de melhoramento genético, que é uma manipulação menos barra pesada que a dos transgênicos, mas também resulta em umas coisas meio estranhas, que não são capazes de fazer a coisa mais básica da natureza: se reproduzir).

E com tudo isso o agricultor vai ficando cada vez mais dependente da empresa que possui o patrimônio genético daquela espécie. Toda safra tem que comprar semente. Até aí tudo bem, porque os transgênicos são usados em grandes latifúndios e eu que não vou ficar com dó dos latifundiários que ficam dependentes da mega empresas do agronegócio. Mas não custa nada questionar um pouco esse modelo de desenvolvimento, né?! =D

Fora esse impacto social, não se tem muita certeza (ou nenhuma certeza) sobre os danos que os transgênicos possam trazer ao meio ambiente e à saúde de quem os consome. Diante desse quadro os ambientalistas lançam mão do Princípio da Precaução, que no português claro é o famoso pé atrás. E os defensores dos trangênicos vem sempre com aquele blá, blá, blá da fome no mundo, aí eles veem que (quase) ninguém mais tá caindo nessa e começam a falar da importância do Brasil se destacar no mercado internacional, agrobusiness e o escambau. Bah!

Ok, o papo ficou indigesto. Mas vale lembrar que os produtos orgânicos certificados são livres de transgênicos. E no mais, olho aberto e boca fechada, hehe...

3 comentários:

  1. Pois é, eu evito TUDO que é derivado de soja nao organica com medo de ingerir esse "coisa estranha" que a gente nao sabe bem no que pode resultar dentro da gente e no mundo!

    Acho um absurdo as embalagens ano identificar esse tipo de alimento, os consumidores ficam na mao das empresas que nao tem nenhum interesse em divulgar isso!

    Acho que vc ja deve ter visto, mas se nao fica ai um filme interessante falando sobre os Transgenicos; O mundo segundo Monsanto: http://www.youtube.com/watch?v=DCx4Dg6t2Mo

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  2. Hoje, dia 26/06/2011 (domingo) eu e minha mulher resolvemos fazer um cuscuz com a Milharina Quaker.

    Bem, a primeira surpresa desagradável que tivemos foi a ausência do cheiro característico do cuscuz quando no ponto; a segunda foi o gosto enjoativo, intragável quando começamos a comê-lo e, a última e apavorante surpresa foi exatamente a de encontrarmos esse símbolo com a mensagem de que era produzida de milho transgênico quando examinávamos a embalagem pra saber se estava vencido.

    Conclusão: Jogamos tudo na lixeira e adeus Milharina Quaker!

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  3. Oi pessoal, obrigada por deixarem seus relatos. Comprei a milharina da Yoki, que não tem a sinalização de transgênico, mas não dá pra saber se é ou não, difícil confiar... ainda não experimentei.

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